{"id":11532,"date":"2009-02-02T00:00:00","date_gmt":"2009-02-02T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dimensao-missionaria-e-ecologica-das-cebs\/"},"modified":"2009-02-02T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-02T02:00:00","slug":"dimensao-missionaria-e-ecologica-das-cebs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/dimensao-missionaria-e-ecologica-das-cebs\/","title":{"rendered":"Dimens\u00e3o mission\u00e1ria e ecol\u00f3gica das CEBS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Igreja prepara-se para a realiza\u00e7\u00e3o do 12\u00ba. Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base que acontece neste ano de 2009, de 21 a 25 de julho em Porto Velho, reunindo as delega\u00e7\u00f5es dos 17 regionais da CNBB.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Intereclesial \u00e9 mem\u00f3ria viva da caminhada da Igreja peregrina e comunh\u00e3o no amor, seguidora de Cristo e servidora da humanidade. \u00c9 um convite para aprofundarmos nossa f\u00e9 e participarmos mais plenamente na vida da Igreja recordando que pelo batismo, somos chamados a ser disc\u00edpulos e mission\u00e1rios em Jesus Cristo. (DA 160-161)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O 12\u00ba. Intereclesial tem como tema \u201cCEBs, Ecologia e Miss\u00e3o\u201d e como lema \u201cDo ventre da terra, o grito que vem da Amaz\u00f4nia\u201d. O Texto-Base, publicado pela Editora PAULUS, pode ser adquirido em todas as livrarias cat\u00f3licas do pa\u00eds. Tem como proposta um aprofundamento da dimens\u00e3o mission\u00e1ria e ecol\u00f3gica das CEBS. Diversos assessores, historiadores e te\u00f3logos colaboraram na elabora\u00e7\u00e3o do livro, como Raimundo Possidonio, Faustino Teixeira, Armando Dias Mendes, Jean Hebette,Sebasti\u00e3o A. Ferrarrini,Marcelo Barros, Gunter Kroemer, Nancy Cardoso Pereira, Tea Frigerio, Cl\u00e1udio O.Ribeiro, Leonardo Boff,\u00a0 Sergio Badanini, Luiz Ceppi, Luiz Mosconi, Antonio Cechin, Eva Canoe, D. Sergio Castriani, Paulo Suess.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe.Valdecir L. Cordeiro, organizador do Texto-Base, sintetiza os temas na Introdu\u00e7\u00e3o do livro. Ele inicia afirmando que \u201co cuidado com a vida constitui-se no maior desafio para a humanidade em todos os tempos, tanto mais hoje que ela encontra-se amea\u00e7ada em escala planet\u00e1ria. N\u00e3o caminhamos rumo ao desequil\u00edbrio, mas j\u00e1 sofremos as conseq\u00fc\u00eancias provocadas por um modelo de desenvolvimento e um estilo de vida, agressivos com a natureza. A Terra grita juntamente com os povos, de modo especial os pobres, e todas as esp\u00e9cies de seres vivos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para nossas Comunidades Eclesiais de Base, portadoras do sonho de Jesus de Nazar\u00e9, nosso irm\u00e3o e Senhor, este grito ecoa mais como um desafio que chama para a a\u00e7\u00e3o, que desaloja, questiona e agu\u00e7a a criatividade, pois, n\u00e3o obstante os aspectos cinzentos da realidade \u2013 o mal que parece tomar conta de tudo \u2013, a vida insiste em brotar como um dom de Deus, alento e esperan\u00e7a na caminhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando falamos de ecologia nos ligamos, sobretudo, a uma maneira harm\u00f4nica e integrada de pensar e viver a realidade em todas as suas dimens\u00f5es. Trata-se de compreender que \u201cno des\u00edgnio maravilhoso de Deus, o homem e a mulher s\u00e3o convocados a viver em comunh\u00e3o com Ele, em comunh\u00e3o entre si e com toda a cria\u00e7\u00e3o\u201d (D.A.470).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta perspectiva adotada pelos bispos da Am\u00e9rica Latina tem resson\u00e2ncia b\u00edblica, pois Deus confiou ao ser humano o cuidado e o cultivo de sua obra criadora, conforme se l\u00ea em Gn 2,15. Jesus mesmo tinha esta sensibilidade para com a beleza das criaturas (Lc 12,27) e percebia a\u00ed o dom do Pai que cuida de toda sua cria\u00e7\u00e3o (Lc 12,24). Ensinou aos disc\u00edpulos e \u00e0s multid\u00f5es os valores do Reino, no qual todas as formas de agress\u00e3o \u00e0 vida devem ser superadas. Assim tamb\u00e9m as primeiras comunidades entenderam que \u00e9 preciso enfrentar o drag\u00e3o que quer se colocar no lugar de Deus, para que homem e mulher, vivendo na din\u00e2mica do Reino da Vida, possam ver e viver \u201cum novo c\u00e9u e uma nova terra\u201d (Ap 21,1), o ideal da \u201cterra sem males\u201d, cultivado pelos ind\u00edgenas latino-americanos. Tamb\u00e9m os povos amer\u00edndios t\u00eam agu\u00e7ada sensibilidade ecol\u00f3gica. Precisamos aprender com eles a ler as mensagens impl\u00edcitas na natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, quando falamos em miss\u00e3o nos remetemos \u00e0 pr\u00f3pria vida de nossas Comunidades. Chamadas a uma vida em Cristo s\u00e3o desafiadas a realizar isto concretamente numa atitude de abertura para o outro, em favor da vida. Dessa forma, \u201cCEBs,Ecologia e miss\u00e3o\u201d se articulam num todo coerente. Se quisermos ser conseq\u00fcentes com nosso discurso sobre a ecologia e a miss\u00e3o, devemos enraiz\u00e1-lo na hist\u00f3ria de nosso povo, pois \u00e9 neste ch\u00e3o que as alternativas e a\u00e7\u00f5es em favor do resgate do equil\u00edbrio da vida s\u00e3o gestadas. As Comunidades Eclesiais de Base s\u00e3o c\u00e9lulas de vida, formam o Corpo de Cristo, prolongam sua a\u00e7\u00e3o no mundo: \u201cEu vim para que todos tenham vida\u201d (Jo 10,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Texto Base est\u00e1 estruturado em tr\u00eas partes, seguindo o m\u00e9todo Ver-Julgar-Agir. A 1\u00aa. parte: \u201cO grito da terra e dos povos amaz\u00f4nicos\u201d descreve a realidade num olhar amplo e atento. Ir. Sebasti\u00e3o A.Ferrarini (Cap. I) nos ajuda a entender que o que chamamos de \u201cAmaz\u00f4nia\u201d \u00e9 uma realidade multifacetada do ponto de vista do espa\u00e7o \u2013 abrange v\u00e1rios pa\u00edses \u2013, da paisagem, dos recursos naturais, das culturas e dos interesses que pairam sobre a regi\u00e3o. No Cap. II temos um texto que reflete sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o bioma e as formas de ocupa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. Armando D.Mendes (III) fala da natureza da Amaz\u00f4nia, de sua cultura, ou seja, a maneira como vemos e vivemos a regi\u00e3o e, finalmente, sobre a arquitetura da Amaz\u00f4nia, numa alus\u00e3o ao que queremos e podemos fazer daqui em diante. Jean H\u00e9bette (IV), por sua vez, nos mostra como a Amaz\u00f4nia foi vista ao longo da hist\u00f3ria do ponto de vista das op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, nos indaga sobre a nossa pr\u00f3pria vis\u00e3o na atualidade e nos instiga sobre o que podemos ver na Regi\u00e3o. Gunter Kroemer (V) nos apresenta dados sobre a riqueza das culturas ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia, sua vis\u00e3o de mundo e sua abertura para o transcendente no cotidiano da vida. Faz tamb\u00e9m uma liga\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia dos ind\u00edgenas e a das CEBs, das quais muitos fazem parte. Nancy Cardoso Pereira (Cap. VI) fala sobre a presen\u00e7a e contribui\u00e7\u00e3o da mulher na cultura amaz\u00f4nica. Pe. Raimundo Possid\u00f4nio (VII) escreve sobre a Igreja com rosto amaz\u00f4nico que nasce, sobretudo, no Encontro de Santar\u00e9m (1972), caminho assumido e continuado pela CEBs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A 2\u00aa.parte: \u201cA Igreja que vive na Amaz\u00f4nia proclama o evangelho da vida\u201d, \u00e9 de cunho mais interpretativo e busca refletir sobre a realidade descrita a partir da f\u00e9. Leonardo Boff (Cap. I) nos faz compreender que j\u00e1 estamos imersos numa situa\u00e7\u00e3o de grave desequil\u00edbrio da vida no planeta e que tal realidade nos desafia a encontrar caminhos para cuidar da Terra e garantir o futuro da vida e da f\u00e9 crist\u00e3. Tea Frig\u00e9rio ( II), adotando uma perspectiva que estabelece uma rela\u00e7\u00e3o entre a Revela\u00e7\u00e3o de Deus e a hist\u00f3ria da humanidade, nos apresenta chaves de compreens\u00e3o para uma leitura amaz\u00f4nica da b\u00edblia. Claudio de O.Ribeiro (Cap. III) nos enriquece com um texto que trata do di\u00e1logo entre as Igrejas crist\u00e3s em favor da vida e da justi\u00e7a. Fala da import\u00e2ncia do ecumenismo, da busca da unidade na f\u00e9 e na caridade. Ainda na perspectiva do di\u00e1logo, temos um texto de Faustino Teixeira (IV), refletindo sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 crist\u00e3 e as religi\u00f5es. Marcelo Barros (V), com profunda sensibilidade ecum\u00eanica e ecol\u00f3gica, nos faz refletir sobre a dura realidade dos povos crucificados, seu sofrimento, resist\u00eancia, e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A 3\u00aa.parte: \u201cClamor por justi\u00e7a, partilha e paz\u201d \u00e9 mais propositiva. O texto de S\u00e9rgio Bradanini (Cap. I), trata do tema da miss\u00e3o a partir da perspectiva da alteridade. Luis Mosconi (II) nos fala com entusiasmo das CEBs e das Miss\u00f5es Populares. Atento \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es de Aparecida afirma que as CEBs continuam firmes e que n\u00e3o h\u00e1 mais d\u00favidas de que a miss\u00e3o \u00e9 a sacudida que deve mant\u00ea-las acordadas. A. Cechin (III) nos traz uma contribui\u00e7\u00e3o sobre a evangeliza\u00e7\u00e3o libertadora. Resgata a hist\u00f3ria da renova\u00e7\u00e3o da catequese no Brasil, seu car\u00e1ter libertador configurado pelo m\u00e9todo ver-julgar-agir, pela op\u00e7\u00e3o pelos pobres e pela experi\u00eancia das CEBs. Paulo Suess (IV), num texto escrito antes de Aparecida, apresenta cinco passos para nos fortalecer e continuar firmes na caminhada. Por \u00faltimo (V), tr\u00eas experi\u00eancias ecol\u00f3gicas alternativas s\u00e3o apresentadas;s\u00e3o iniciativas modestas mas paradigm\u00e1ticas, na medida em que mostram a possibilidade de intervir na natureza de maneira sustent\u00e1vel. Luis Ceppi descreve a experi\u00eancia do Manejo Florestal Comunit\u00e1rio, projeto gestado e implantado em Xapuri, AC. D.S\u00e9rgio Castriani apresenta a experi\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o dos lagos em Tef\u00e9, AM, fruto fundamentalmente do engajamento das CEBs. E a ind\u00edgena Professora Eva, da etnia Cano\u00e9, de Guajar\u00e1-Mirim,RO, apresenta a experi\u00eancia alternativa de comercializa\u00e7\u00e3o de produtos produzidos em Sagarana.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Moacyr Grechi<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Igreja prepara-se para a realiza\u00e7\u00e3o do 12\u00ba. 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