{"id":11548,"date":"2010-03-23T00:00:00","date_gmt":"2010-03-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-pecar-mais\/"},"modified":"2010-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-23T03:00:00","slug":"nao-pecar-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-pecar-mais\/","title":{"rendered":"N\u00e3o pecar mais"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O tempo do Quaresma nos convida a refletir no sil\u00eancio de nossa consci\u00eancia. As leituras da Palavra de Deus nesses dias nos predisp\u00f5em a ouvir a fim de conferir nosso agir. A novidade \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o. Deus quer a nossa liberta\u00e7\u00e3o de todo o mal, no plano do esp\u00edrito.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Come\u00e7amos com um or\u00e1culo de liberta\u00e7\u00e3o anunciado pelo profeta Isaias 43,19-21, ao povo de Israel, no tempo em que esteve deportado na Babil\u00f4nia. Deus\u00a0 j\u00e1 o tinha libertado uma vez quando fora escravo no Egito, e logo tornar\u00e1 a libert\u00e1-lo. Por isso Israel n\u00e3o pode fixar-se nos males do momento, mas olhar com confian\u00e7a o futuro. O seu retorno \u00e0 liberdade ser\u00e1 cumprido na alegria, como o deserto que floresce.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o Paulo fala da import\u00e2ncia de novidade trazida por Cristo, que morreu e ressuscitou para que n\u00f3s tamb\u00e9m ressuscitemos com nele para uma vida nova. O ap\u00f3stolo lembra uma corrida para vencer na vida crist\u00e3, como no esporte, a fim de conquistar o pr\u00eamio que Deus reserva \u00e0queles que o tenham escutado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A a\u00e7\u00e3o libertadora de Deus para o povo eleito foi militar, pol\u00edtica, social, , naqueles s\u00e9culos long\u00ednquos da escravid\u00e3o do Egito e da deporta\u00e7\u00e3o na Babil\u00f4nia, mas sempre foi tamb\u00e9m liberta\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter espiritual e moral. De fato, o Senhor pedia a seu povo a fidelidade \u00e0 alian\u00e7a estreita com ele, a coer\u00eancia de uma vida reta como sinal de amor a Deus que salva. Liberta\u00e7\u00e3o que comportava a vit\u00f3ria sobre o pecado, exist\u00eancia polida e digna sob a luz do sol, vida que fosse em si mesma agradecimento\u00a0 e louvor a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo isso ficou mais expl\u00edcito em Jesus Cristo. Ele, homem novo, introduziu plenamente no mundo a novidade de vida; liberta\u00e7\u00e3o que tem ra\u00edzes profundas no cora\u00e7\u00e3o humano,\u00a0 que comporta a vit\u00f3ria sobre o pecado e a expans\u00e3o da gra\u00e7a. O evangelho de hoje de Jo\u00e3o 8,1-11, nos apresenta Jesus libertador do pecado. Jesus que se p\u00f5e da parte dos pecadores, e nos mostra toda a sua alegria em perdoar e reabrir caminhos novos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O evangelho de domingo passado nos ensinava, com a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, que Deus \u00e9 misericordioso. O evangelho de hoje, com o epis\u00f3dio da mulher ad\u00faltera, nos apresenta a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio geral ao caso concreto, \u00e0 vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pobre pecadora, colhida em flagrante reato, segundo a lei antiga devia ser condenada \u00e0 morte cruel: a lapida\u00e7\u00e3o. Os escribas e fariseus chegaram com pedras nas m\u00e3os. Disseram: \u201cMois\u00e9s na lei nos ordenou lapidar mulheres como esta\u201d. Na express\u00e3o \u201cmulheres como esta\u201d se v\u00ea j\u00e1 o desprezo de quem se julga justo, e por isso se atribui o direito de condenar os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na realidade os escribas e fariseus trazendo a pecadora a Jesus tinham uma segunda finalidade: queriam preparar uma cilada, desacretiz\u00e1-lo diante da gente,\u00a0 coloc\u00e1-lo em dificuldades. Prop\u00f5em-lhe um dilema e queriam que Jesus se pronunciasse. Acrescentam por isso: \u201cTu, o que dizes?\u201d. Jesus podia aprovar ou desaprovar. Qualquer resposta que pronunciasse o faria desacreditado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se dissesse: \u00e9 justo, \u00e9 preciso lapidar esta desgra\u00e7ada, n\u00e3o estaria da parte dos pecadores, a gente n\u00e3o teria mais confian\u00e7a e simpatia para com ele, talvez o teria abandonado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se dissesse: \u00e9 preciso deixar livre esta infeliz, teria exortado abertamente a violar a lei de Mois\u00e9s! De todo modo, teriam encontrado um pretexto para critic\u00e1-lo e desacreditar Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus se coloca fora do dilema proposto pelos escribas. J\u00e1 o profeta Ezequiel (33,11) tinha dito que Deus n\u00e3o quer a morte do pecador, mas \u201cque se converta e viva\u201d. Jesus mesmo fora expl\u00edcito: \u201cN\u00e3o vim para julgar, mas para salvar\u201d (Jo\u00e3o 3,17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta vez, Jesus se inclinou em terra, p\u00f4s-se a escrever com o dedo na areia. Uma pausa de reflex\u00e3o. No auge da tens\u00e3o, a resposta veio, cheia de piedade, de sabedoria divina. Disse: \u201cQuem n\u00e3o tiver pecado, atire a primeira pedra contra ela\u201d. Depois voltou a escrever. O \u00fanico sem pecado era ele. Um a um deixou cair as pedras e se foi, a come\u00e7ar pelos mais velhos at\u00e9 os jovens. Jesus pergunta: \u201cMulher, onde est\u00e3o os que te acusavam? Nenhum te condenou?\u201d \u201cNenhum, Senhor\u201d. \u201cNem eu te condeno. V\u00e1, e de agora em diante n\u00e3o peques mais\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo do Quaresma nos convida a refletir no sil\u00eancio de nossa consci\u00eancia. As leituras da Palavra de Deus nesses dias nos predisp\u00f5em a ouvir a fim de conferir nosso agir. A novidade \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o. 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