{"id":11567,"date":"2010-03-31T00:00:00","date_gmt":"2010-03-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-ressurreicao-do-mito-a-realidade\/"},"modified":"2010-03-31T00:00:00","modified_gmt":"2010-03-31T03:00:00","slug":"a-ressurreicao-do-mito-a-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-ressurreicao-do-mito-a-realidade\/","title":{"rendered":"A ressurrei\u00e7\u00e3o, do mito \u00e0 realidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Desde o seu aparecimento no Planeta Terra, o homem jamais aceitou a morte como o seu fim \u00faltimo e inexor\u00e1vel. Ela lhe soa como o fracasso e a derrota de todos os seus ideais e realiza\u00e7\u00f5es. As fibras mais profundas de seu ser clamam pela imortalidade. Para os cris-t\u00e3os, a morte nada tem que ver com um Deus que \u00e9 fonte de vida: \u00abDeus n\u00e3o \u00e9 o autor da morte, e a perdi\u00e7\u00e3o dos seres vivos n\u00e3o lhe d\u00e1 alegria. Ele criou tudo para a exist\u00eancia, e as criaturas do mundo s\u00e3o saud\u00e1veis: nelas n\u00e3o h\u00e1 veneno de morte, nem o mundo dos mortos reina sobre a terra\u00bb (Sb 1,13-14).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Talvez seja por isso que a humanidade sonha com a \u201cvida eterna\u201d desde a mais remota antiguidade. A mitologia grega foi buscar no Egito a lenda de f\u00eanix, um p\u00e1ssaro que, ao morrer depois de v\u00e1rios s\u00e9culos de exist\u00eancia, entrava em autocombust\u00e3o e renascia das pr\u00f3prias cinzas, transformando-se numa ave de fogo. Sua longa vida e seu maravilhoso renascimento faziam dela o s\u00edmbolo da imortalidade e do renascimento espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A f\u00eanix n\u00e3o era a \u00fanica ave que falava de transforma\u00e7\u00e3o, como atesta a B\u00edblia: \u00abDeus cumula de bens a tua exist\u00eancia, e a tua juventude se renova como a da \u00e1guia\u00bb (Sl 103,5).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na \u00e9poca \u2013 e durante muitos s\u00e9culos \u2013 pensava-se que a \u00e1guia fosse um p\u00e1ssaro cen-ten\u00e1rio. Contudo, para alcan\u00e7ar essa idade, a\u00ed pelos 40 ou 50 anos, ela precisava tomar uma decis\u00e3o complicada. Nessa fase da vida, suas unhas flex\u00edveis j\u00e1 n\u00e3o conseguiam agarrar as presas; o bico se curvava sobre o peito; as asas estavam pesadas; e o voo se tornava uma empresa arriscada, sen\u00e3o imposs\u00edvel. Sobravam-lhe, ent\u00e3o, duas alternativas: entregar os pontos ou enfrentar um longo e doloroso processo de renova\u00e7\u00e3o, que poderia durar meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Levada pelo instinto de conserva\u00e7\u00e3o, ela optava pela nova chance. Voava para o alto de uma montanha e escolhia uma gruta para nela se refugiar. Iniciava, ent\u00e3o, o seu processo de recupera\u00e7\u00e3o. Primeiramente, batia com o bico nas pedras at\u00e9 perd\u00ea-lo. Quando nascia o novo, arrancava, uma a uma, as unhas carcomidas. Em seguida, passava a retirar as penas E, cinco meses depois, deixava o abrigo rejuvenescida e pronta para uma nova fase de vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que n\u00e3o passa de mito e lenda, para o homem que se deixa guiar pelo amor se torna uma feliz realidade. \u00c9 o que lembra o Ap\u00f3stolo Jo\u00e3o: \u00abSabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irm\u00e3os. Quem n\u00e3o ama permanece na morte\u00bb (1Jo 3,14). Quem se fecha e se isola, fazendo do seu umbigo o centro do mundo, escolhe como morada o sepulcro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O processo de crescimento e renova\u00e7\u00e3o da pessoa lhe exige um estado permanente de convers\u00e3o. Ningu\u00e9m ressuscita se n\u00e3o estiver morto. \u00c9 por isso que S\u00e3o Paulo n\u00e3o cansava de repetir: \u00abMorro todos os dias\u00bb (1Cor 15,31). Foi esta tamb\u00e9m a descoberta feita por S\u00e3o Francisco de Assis que lhe trouxe a \u201cperfeita alegria\u201d: \u00ab\u00c9 morrendo que se vive para a vida eterna\u00bb. Assim pensando, ambos nada mais faziam do que assumir a dial\u00e9tica do Evange-lho, sintetizada pelo pr\u00f3prio Jesus nestas palavras: \u00abSe o gr\u00e3o de trigo ca\u00eddo na terra n\u00e3o morrer, ficar\u00e1 s\u00f3; se morrer, dar\u00e1 muito fruto. Quem se apega \u00e0 vida, perd\u00ea-la-\u00e1; mas quem perder a sua vida, conserv\u00e1-la-\u00e1 para a eternidade\u00bb (Jo 12,24-25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem consegue \u00abcrucificar seus instintos ego\u00edstas juntamente com suas paix\u00f5es e maus desejos\u00bb (Gl 5,24) e tornar-se \u00abuma nova criatura em Cristo\u00bb (2Cor 5,17), sua ressur-rei\u00e7\u00e3o se prolongar\u00e1 ap\u00f3s a morte numa metamorfose que os cat\u00f3licos denominam \u201cressur-rei\u00e7\u00e3o da carne\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em sua primeira carta aos crist\u00e3os de Corinto, ao tentar explicar como ser\u00e1 essa trans-forma\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Paulo, a exemplo de Jesus, recorre \u00e0 met\u00e1fora da semente: \u00abComo \u00e9 que ressuscitam os mortos? Com que corpo retornam? Escuta: o que semeias n\u00e3o volta \u00e0 vida se antes n\u00e3o morrer. O que semeias n\u00e3o \u00e9 o organismo que surgir\u00e1, mas um simples gr\u00e3o de trigo ou de qualquer outra esp\u00e9cie. E Deus lhe d\u00e1 o corpo que quer, a cada semente o pr\u00f3prio corpo. Assim acontece com a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos: o corpo \u00e9 semeado corrup-t\u00edvel, mas ressuscita incorrupt\u00edvel; \u00e9 semeado desprez\u00edvel, mas ressuscita glorioso; \u00e9 seme-ado fraco, mas ressuscita poderoso; \u00e9 semeado corpo animal, mas ressuscita corpo espiri-tual\u00bb. E conclui com um brado de alegria e uma exorta\u00e7\u00e3o \u00e0 perseveran\u00e7a: \u00abA morte foi ani-quilada definitivamente. Onde est\u00e1, \u00f3 morte, a tua vit\u00f3ria? Por isso, queridos irm\u00e3os, ficai firmes, inabal\u00e1veis, progredindo sempre na obra do Senhor, convencidos de que a vossa fadiga pelo Senhor n\u00e3o ser\u00e1 in\u00fatil\u00bb (1Cor 15,35-38.42-44.54-55.58).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Redovino Rizzardo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o seu aparecimento no Planeta Terra, o homem jamais aceitou a morte como o seu fim \u00faltimo e inexor\u00e1vel. Ela lhe soa como o fracasso e a derrota de todos os seus ideais e realiza\u00e7\u00f5es. As fibras mais profundas de seu ser clamam pela imortalidade. 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