{"id":11648,"date":"2009-02-03T00:00:00","date_gmt":"2009-02-03T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-jurista-que-se-fez-poeta\/"},"modified":"2009-02-03T00:00:00","modified_gmt":"2009-02-03T02:00:00","slug":"o-jurista-que-se-fez-poeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-jurista-que-se-fez-poeta\/","title":{"rendered":"O Jurista que se fez poeta"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Acostumado em S\u00e3o Paulo a conviver na Faculdade com os mestres do Direito, na sala dos professores e nos intervalos das aulas, a id\u00e9ia, que deles fazia, era de homens sisudos, retos sim, mas pouco comunicativos. Um deles, professor de Direito Romano, de pouca prosa, era muito culto, respeitado por sua cultura, mas n\u00e3o se dignava conversar com aluno. Foi o tradutor da \u201cSumma Theologica\u201d de Santo Tom\u00e1s, do latim para o portugu\u00eas. Um monumento de sabedoria, antes inacess\u00edvel aos demais.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com esta experi\u00eancia do passado, inicialmente eu n\u00e3o podia ver no singular amigo Ives Gandra Martins, que no seu programa de TV analisa os c\u00e2nones do Direito, professor que \u00e9, o inspirado poeta da Academia Paulista de Letras, embora j\u00e1 tivesse lido v\u00e1rias de sua obras. Invej\u00e1vel talento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora recebo pelo correio seu mais novo livro: \u201cCinquenta Poemas Escolhidos\u201d. Ele nos diz no pref\u00e1cio: \u201cs\u00e3o poemas de reflex\u00e3o interior e lirismo exterior que me permitissem enfrentar a vida conturbada de advogado e professor\u201d. E explica o por que: \u201cA poesia \u00e9 pois o descanso do guerreiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Onde vai o Autor buscar sua inspira\u00e7\u00e3o l\u00edrica? Ele o confessa claramente: seus poemas \u201ct\u00eam como permanente inspira\u00e7\u00e3o minha colega de Faculdade, Ruth, com quem namoro h\u00e1 55 anos e estou casado h\u00e1 50\u201d. J\u00e1 escrevera antes outra obra a ela dedicada. E isto nos faz entender melhor que o juramento \u00e0 beira do altar \u00e9, por gra\u00e7a de Deus, irrevog\u00e1vel e inextingu\u00edvel, mesmo que venham a surgir pretextos que poderiam esfriar o amor. N\u00e3o teria sido isto o motivo de Cam\u00f5es ter proclamado: \u201cQue \u00e9 tanto mais o amor depois que amais, quanto s\u00e3o mais as causas de ser menos\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vale a pena saber que \u201co poeta \u00e9 o mensageiro da esperan\u00e7a (&#8230;) que sonha flores e descobre estrelas\u201d. E se sente navegador \u201cdirigido pelos astros\u201d, mas naufragado \u201cem dois escolhos encontrados no golfo dos teus olhos\u201d. A vida para o poeta \u00e9 sempre cheia de sol, de azul, nunca tempo de lua, mas de aurora sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o se pode pois pensar que as alturas da ci\u00eancia, qualquer que seja seu campo de pesquisa, sejam tristes e \u00e1ridas, como as areias do deserto. A ci\u00eancia, luminosa que seja, pode ser um jardim colorido de flores, como tem sido para o meu Amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nem se deve pensar que o encantamento de um homem por sua escolhida deva ser despido de ternura. O C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos, que a B\u00edblia nos traz, \u00e9 recheado de express\u00f5es de amor pela beleza da pessoa amada. O cora\u00e7\u00e3o humano, quando ama de verdade, costuma expressar-se com o colorido das imagens. As ideias se tornam p\u00e1lidas diante de acelerado pulsar do cora\u00e7\u00e3o. Ives, o jurista que se fez poeta.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Benedicto de Ulh\u00f4a Vieira<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acostumado em S\u00e3o Paulo a conviver na Faculdade com os mestres do Direito, na sala dos professores e nos intervalos das aulas, a id\u00e9ia, que deles fazia, era de homens sisudos, retos sim, mas pouco comunicativos. 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