{"id":11655,"date":"2010-04-16T00:00:00","date_gmt":"2010-04-16T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/carta-do-haiti\/"},"modified":"2010-04-16T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-16T03:00:00","slug":"carta-do-haiti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/carta-do-haiti\/","title":{"rendered":"Carta do Haiti"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em nome da CNBB e da C\u00e1ritas, esta \u00e9 a semana da visita ao Haiti. Para conferir de perto a situa\u00e7\u00e3o, e ver melhor como dar continuidade \u00e0 campanha em favor das v\u00edtimas do fat\u00eddico terremoto do dia 12 de janeiro.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando a viagem \u00e9 importante, n\u00e3o se espera o regresso . Manda-se uma carta. \u00c9 o que estou fazendo, na tentativa de transmitir ao menos algumas impress\u00f5es, para depois com mais calma partilhar propostas concretas de coopera\u00e7\u00e3o com o povo haitiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando o avi\u00e3o estava sobrevoando Port au Prince, j\u00e1 dava para constatar a cidade arrasada. Certos quarteir\u00f5es pareciam um amontoado de destro\u00e7os, n\u00e3o um conjunto de casas. O Haiti ainda convive com os escombros . N\u00e3o foram removidos. E convenhamos que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil remov\u00ea-los. Se anos depois da guerra, na Europa, ainda dava para ver algumas conseq\u00fc\u00eancias da destrui\u00e7\u00e3o, por que se imaginaria que o pobre Haiti fosse capaz de varrer da cidade e da mem\u00f3ria os vest\u00edgios do terremoto? Por muitos anos, com certeza, o Haiti vai viver sob o espectro desta trag\u00e9dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do alto dava para ver, o que depois confer\u00edamos de perto. Os espa\u00e7os vazios, como pra\u00e7as ou campos de esporte, foram todos ocupados por milhares de tendas, para abrigar os que perderam suas casas, ou n\u00e3o tem a coragem de se abrigar debaixo de estruturas completamente comprometidas. Durante o dia, o povo se apinha nas ruas, muitos zanzando at\u00f4nitos, todos buscando sobreviver, atrav\u00e9s de toscas mercadorias que procuram vender, ou no aguardo de alguma ajuda que possam receber.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao ver de perto esta realidade, voltava com freq\u00fc\u00eancia a pergunta intrigante que teimava a se interpor diante da dura realidade deste povo que j\u00e1 era pobre e foi atingido duramente por esta cat\u00e1strofe. Afinal, neste Caribe que leva a fama de exuberante e encantador, por que alguns pa\u00edses foram adotados pelo progresso, e outros ficaram relegados ao subdesenvolvimento? Sejam quais forem as raz\u00f5es que se alegue, o Haiti ainda paga caro por ter madrugado na sua independ\u00eancia, e ter sido ousado na aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o j\u00e1 no in\u00edcio do s\u00e9culo dezenove.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Impressiona ver casas de tr\u00eas ou quatro andares, que desabaram completamente e se reduziram a um amontoado de escombros. Com certeza ainda servem de cemit\u00e9rio para muitas v\u00edtimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">D\u00e1 para ver com clareza que certos lugares sofreram mais que outros. As causas s\u00e3o diversas. Depende do roteiro que o terremoto parece ter privilegiado, atingindo em sequ\u00eancia certas regi\u00f5es nitidamente mais danificadas. Mas com certeza depende tamb\u00e9m do tipo de constru\u00e7\u00f5es, mais, ou menos resistentes a abalos c\u00edsmicos. Depende do tipo de terreno, que precisaria ser analisado melhor antes de sobre ele se construir. S\u00e3o todas advert\u00eancias, que agora precisam ser melhor levadas em conta, na perspectiva da reconstru\u00e7\u00e3o que a partir de agora se imp\u00f5e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois na verdade, nestes dias est\u00e1 acabando a primeira fase, a de socorro imediato. Come\u00e7a a fase mais dif\u00edcil, a da reconstru\u00e7\u00e3o. No dizer o Administrador Apost\u00f3lico da Arquidiocese de Port Au Prince, \u00e9 preciso transformar a calamidade em oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Haiti o mundo todo tem li\u00e7\u00f5es importantes a aprender. Entre tantas, uma sobressai. E\u00b4 urgente que o Haiti retome sua plena soberania, para se tornar ele pr\u00f3prio o protagonista de sua reconstru\u00e7\u00e3o, e para que a solidariedade que o mundo inteiro est\u00e1 disposto a oferecer, possa encontrar a maneira adequada de se exercer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No final desta semana, a C\u00e1ritas Internacional, com a presen\u00e7a das C\u00e1ritas Latino americanas, se re\u00fanem no Haiti para juntas refletirem sobre a maneira de colaborem na ingente tarefa de refundar o Haiti. Pois assim parece se apresentar o desafio comum que todos sentimos. Mas uma carta n\u00e3o conta tudo. Este pouco \u00e9 s\u00f3 para agu\u00e7ar o interesse para nos darmos conta das muitas causas que est\u00e3o em jogo neste pa\u00eds que todos adotamos como interpela\u00e7\u00e3o do passado e como profecia de futuro.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Luiz Dem\u00e9trio Valentini<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nome da CNBB e da C\u00e1ritas, esta \u00e9 a semana da visita ao Haiti. 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