{"id":11684,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/de-novo-um-crime\/"},"modified":"2008-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-28T03:00:00","slug":"de-novo-um-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/de-novo-um-crime\/","title":{"rendered":"De novo, um crime"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Comentamos neste espa\u00e7o, na semana passada, a trag\u00e9dia do menino Jo\u00e3o Roberto, assassinado pela pol\u00edcia, que em alta velocidade perseguia criminosos que fugiam. Crian\u00e7a de tr\u00eas anos, sentada no banco de tr\u00e1s do carro da m\u00e3e, foi atingida por v\u00e1rios tiros das armas dos que t\u00eam o dever de ser os defensores da popula\u00e7\u00e3o. A revolta foi t\u00e3o forte e intensa que as autoridades respons\u00e1veis resolveram reciclar os agentes policiais. Se eram bandidos os que a Pol\u00edcia perseguia, como se mata menino inocente de tr\u00eas anos?<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Qual n\u00e3o foi de novo nosso espanto, quando os jornais de s\u00e1bado e domingo desta semana nos traumatizaram de novo com a morte de uma menina de nove anos \u2013 Maria Eduarda \u2013 atingida no t\u00f3rax e na cabe\u00e7a num entrevero entre a pol\u00edcia e um grupo de adolescentes assaltantes. N\u00e3o adiantou o tio da menina sair do carro para pedir que cessassem de atirar por haver crian\u00e7as no carro. Isto, desta vez, n\u00e3o foi no Rio, mas em Recife.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todos sabemos que a viol\u00eancia hoje grassa por toda parte. Cidades pequenas e m\u00e9dias desconheciam este clima de assaltos e crimes que hoje nos assustam. Mesmo em cidades maiores n\u00e3o eram t\u00e3o comuns estes assaltos e crimes hoje corriqueiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Permitam-me lembrar os primeiros anos de meu sacerd\u00f3cio em S\u00e3o Paulo. Morava no s\u00f3t\u00e3o da Igreja, coadjutor que eu era de velho sacerdote, este com a fun\u00e7\u00e3o de p\u00e1roco. T\u00ednhamos oito ou nove hospitais no territ\u00f3rio da par\u00f3quia naquele tempo. \u00c0 noite n\u00e3o eram raros os chamados para doentes terminais. Carro ainda a par\u00f3quia n\u00e3o possu\u00eda. Ao ser chamado, saia a p\u00e9, sozinho, para o atendimento dos enfermos, fosse da maternidade da Rua Frei Caneca, fosse do hospital Nove de Julho da Rua Peixoto Gomide ou do S\u00e3o Geraldo, l\u00e1 no fim da ladeira. Nunca sofri nenhum assalto nem susto algum nos dois anos que ali estive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas depois, mais tarde, morando em Perdizes, certa vez fui chamado ao Hospital Samaritano em Higien\u00f3polis. Era noite. Ao voltar a p\u00e9 pelo Pacaembu, fui surpreendido pelo amigo Dr. M\u00e1rio Altenfelder que passava de carro e me levou, morro acima, para a Rua Monte Alegre, nas Perdizes, recomendando-me que n\u00e3o sa\u00edsse \u00e0 noite sozinho, pois S\u00e3o Paulo come\u00e7ava j\u00e1 a representar algum perigo, n\u00e3o por\u00e9m como agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Perguntamo-nos o que fazer? Respondo: tem a sociedade de voltar a ser fraterna e pac\u00edfica, o que s\u00f3 se conseguir\u00e1 com a forma\u00e7\u00e3o do sentido de fraternidade, de colabora\u00e7\u00e3o e de amor, para n\u00e3o sermos hoje o que o ditado romano lembrava: \u201cHomo homini lupus\u201d \u2013 O homem \u00e9 lobo para o outro homem.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Benedicto de Ulh\u00f4a Vieira<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comentamos neste espa\u00e7o, na semana passada, a trag\u00e9dia do menino Jo\u00e3o Roberto, assassinado pela pol\u00edcia, que em alta velocidade perseguia criminosos que fugiam. Crian\u00e7a de tr\u00eas anos, sentada no banco de tr\u00e1s do carro da m\u00e3e, foi atingida por v\u00e1rios tiros das armas dos que t\u00eam o dever de ser os defensores da popula\u00e7\u00e3o. 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