{"id":11685,"date":"2008-08-06T00:00:00","date_gmt":"2008-08-06T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/falar-e-escrever\/"},"modified":"2008-08-06T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-06T03:00:00","slug":"falar-e-escrever","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/falar-e-escrever\/","title":{"rendered":"Falar e Escrever"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Dias atr\u00e1s, em artigo deste nosso jornal, comentava-se a respeito de escritos e discursos em alto estilo gong\u00f3rico e ultrapassado. \u00c9 uma advert\u00eancia necess\u00e1ria para quem escreve ou por profiss\u00e3o ou por diletantismo. Isso me faz voltar ao passado nos tempos de gin\u00e1sio, quando t\u00ednhamos todos de aprender a escrever corretamente nosso idioma.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O rigor do estudo de portugu\u00eas \u00e9 algo que agrade\u00e7o interiormente at\u00e9 hoje. Professores belgas, que, quando nos ouviam falar errado, logo nos corrigiam, perguntando-nos se n\u00e3o am\u00e1vamos nossa l\u00edngua. Entre outras exig\u00eancias que tinham era a de n\u00e3o nos permitir usar galicismos. Da\u00ed me veio a antipatia por \u201cdetalhe\u201d e \u2013 pior ainda \u2013 pelo verbo \u201cdetalhar\u201d. Se temos em portugu\u00eas o \u201cpormenor\u201d e o verbo \u201cpormenorizar\u201d, poder\u00edamos dispensar o galicismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro ponto gramatical que n\u00e3o nos era perdoado, caso err\u00e1ssemos, era a coloca\u00e7\u00e3o dos pronomes obl\u00edquos, com as regras de pr\u00f3clise, \u00eanclise e mes\u00f3clise. Espanta-me ainda hoje, quando leio artigos ou not\u00edcias em que, at\u00e9 jornalistas que deveriam escrever corretamente, ousam ferir a l\u00edngua pospondo o pronome obl\u00edquo ao futuro do verbo, tipo: \u201cdever\u00e3o se fazer\u201d \u2013 \u201cn\u00e3o poder\u00e1 nos obrigar\u201d. D\u00f3i nos ouvidos e na alma&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com isto n\u00e3o estou defendendo certos pernosticismos de linguagem, hoje totalmente fora de moda, como o fez notar, com gra\u00e7a e humor, nosso colega Padre Prata, no seu interessante artigo sobre os discursos do passado. Teve at\u00e9 a humildade de confessar seus \u201cpecados\u201d liter\u00e1rios, quando certa vez discursou, ainda adolescente, em nome do Tiro de Guerra, falando de \u201creminisc\u00eancias metaf\u00f3ricas\u201d e \u201cno c\u00e1lido sol das praias verdejantes \u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta altura, n\u00e3o me parece inoportuno lembrar aos que escrevemos ou pregamos que a palavra, al\u00e9m de correta, tem de ser clara e agrad\u00e1vel, breve e portadora de mensagem. Muitos exemplos bons poder\u00edamos citar. Entre tantos exemplos de escritores e pregadores, lembro o grande Santo Ambr\u00f3sio, bispo de Mil\u00e3o, sob cujo verbo a gra\u00e7a de Deus tocou o cora\u00e7\u00e3o de Agostinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos de n\u00f3s tivemos ocasi\u00e3o de ouvir pregadores e expositores brilhantes que nos encantavam com o seu verbo, sem abusar da paci\u00eancia dos ouvintes nem usar de linguagem inaccess\u00edvel. Em S\u00e3o Paulo, estudante ainda, pude ouvir Mons. Manfredo Leite e, mais tarde, Mons. Castro Neri. Aqui em Uberaba, era comum ouvir elogios \u00e0s vigorosas prega\u00e7\u00f5es de Dom Alexandre, sobretudo as das sextas-feiras santas na liturgia anterior \u00e0 reforma e ao nosso estimado Juvenal Arduini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em resumo, nossa linguagem deve ser correta, clara, objetiva e sucinta, se quisermos comunicar a id\u00e9ia de que nos sentimos portadores, sobretudo no campo religioso. Falar e escrever \u2013 dois caminhos para acender luzes e clarear escurid\u00f5es.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Benedicto de Ulh\u00f4a Vieira<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias atr\u00e1s, em artigo deste nosso jornal, comentava-se a respeito de escritos e discursos em alto estilo gong\u00f3rico e ultrapassado. \u00c9 uma advert\u00eancia necess\u00e1ria para quem escreve ou por profiss\u00e3o ou por diletantismo. 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