{"id":11695,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-igreja\/"},"modified":"2008-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-28T03:00:00","slug":"outra-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/outra-igreja\/","title":{"rendered":"Outra Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O grande te\u00f3logo j\u00e1 falecido Padre Congar, que foi um dos grandes te\u00f3logos do Conc\u00edlio Vaticano II, lembra com gra\u00e7a que, em se tratando de reforma da Igreja, n\u00e3o se pode pretender \u201coutra Igreja\u201d, mas \u201ca Igreja outra\u201d. N\u00e3o \u00e9 simples trocadilho, mas uma acertada posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Trata-se de dar \u00e0 Igreja, sempre a mesma, a \u00fanica de Cristo, uma nova face e um novo sopro de vida. N\u00e3o se pode deix\u00e1-la envelhecer, cobrir-se com a poeira dos anos, enrugar-se.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em primeiro lugar, a nova face tem de ser uma Igreja de comunh\u00e3o, isto \u00e9, de grupos de pequenas c\u00e9lulas, onde todos se conhecem e se estimam como irm\u00e3os. O ideal nos vem apontado pelos Atos dos Ap\u00f3stolos: \u201cum s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma\u201d. Este ideal \u00e9 imposs\u00edvel na enormidade territorial de nossas par\u00f3quias. Se se quiser verdadeira \u201ccomunh\u00e3o\u201d ou \u201ckoinonia\u201d, necess\u00e1rio descentraliz\u00e1-las, criando novos centros, com que o relacionamento das pessoas seja familiar e fraterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra caracter\u00edstica \u00e9 a da co-responsabilidade, isto \u00e9, equipes de servi\u00e7o, valorizando os carismas pessoais, que se expressam em minist\u00e9rios diversificados. Haja pois uma floresc\u00eancia de grupos ativos sob a lideran\u00e7a do respons\u00e1vel maior que \u00e9 o p\u00e1roco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma terceira nota deste ideal de vida paroquial \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o ativa nos problemas humanos da comunidade ou, em outras palavras, uma Igreja encarnada na realidade da vida. N\u00e3o uma Igreja de sacristia, mas interessada em tudo que afeta o ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estas tr\u00eas notas \u2013 comunh\u00e3o, co-responsabilidade e participa\u00e7\u00e3o \u2013 s\u00f3 se pode viver e concretizar nas pequenas c\u00e9lulas de que se comp\u00f5e a par\u00f3quia ideal. Assim n\u00e3o se ter\u00e1 uma Igreja de massa, mas uma Igreja viva, atuante, palp\u00e1vel. Igreja \u2013 m\u00edstico corpo de Cristo: muitos membros e uma s\u00f3 alma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta nova maneira de ser Igreja vai exigir mudan\u00e7a de mentalidade e coragem apost\u00f3lica. Claro que se n\u00e3o far\u00e1 tudo na rapidez de um rel\u00e2mpago. Mas com a const\u00e2ncia e a coragem de quem sabe que o Esp\u00edrito sopra e anima, ilumina e impulsiona. N\u00e3o se pode pretender que a semeadura do amanhecer seja seara rica ao cair da tarde&#8230;<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Benedicto de Ulh\u00f4a Vieira<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grande te\u00f3logo j\u00e1 falecido Padre Congar, que foi um dos grandes te\u00f3logos do Conc\u00edlio Vaticano II, lembra com gra\u00e7a que, em se tratando de reforma da Igreja, n\u00e3o se pode pretender \u201coutra Igreja\u201d, mas \u201ca Igreja outra\u201d. N\u00e3o \u00e9 simples trocadilho, mas uma acertada posi\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. 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