{"id":11702,"date":"2009-05-11T00:00:00","date_gmt":"2009-05-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/bancos-no-brasil-prosperam-em-plena-crise-mundial\/"},"modified":"2009-05-11T00:00:00","modified_gmt":"2009-05-11T03:00:00","slug":"bancos-no-brasil-prosperam-em-plena-crise-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/bancos-no-brasil-prosperam-em-plena-crise-mundial\/","title":{"rendered":"Bancos no Brasil prosperam em plena crise mundial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Para n\u00e3o terem seu lucro reduzido, querem agora reduzir os juros da caderneta de poupan\u00e7a. Os Bancos que operam no Brasil e outros donos do capital financeiro, nacionais e estrangeiros, conseguiram em poucos anos multiplicar seu dinheiro em d\u00f3lares, at\u00e9 julho de 2008, pelos juros mais altos do mundo e pela valoriza\u00e7\u00e3o exagerada do Real.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A crise atual os fez perder uma parte desse lucro, pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real e das a\u00e7\u00f5es. Agora, em plena crise mundial, os bancos l\u00e1 fora continuam perdendo, mas os \u201cnossos\u201d bancos est\u00e3o lucrando novos bilh\u00f5es. Como ningu\u00e9m pode ganhar sem que tenha algu\u00e9m pagando, seria importante descobrir quem \u00e9 o pagador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O maior pagador \u00e9 o povo brasileiro que paga juros absurdos para comprar fiado ou tomar empr\u00e9stimos para fazer investimentos. O povo paga tamb\u00e9m atrav\u00e9s do Governo que gasta dez bilh\u00f5es de Reais por m\u00eas em juros sobre a d\u00edvida p\u00fablica interna, dinheiro que devia servir para investimentos em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, estradas, portos, ferrovias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O lucro dos bancos est\u00e1 no spread, na diferen\u00e7a entre os juros que pagam pelo dinheiro que conseguem captar no mercado e os juros que cobram para emprestar o mesmo dinheiro a quem precisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A revista VEJA deu uma defini\u00e7\u00e3o estranha do spread, dizendo assim:\u00a0 \u201cO spread \u00e9 a diferen\u00e7a entre a taxa b\u00e1sica definida pelo Banco Central (a Selic) e o valor final dos juros cobrados pelos bancos.\u201d N\u00e3o precisa ser doutor em economia para saber que o spread \u00e9 outra coisa, \u00e9 a diferen\u00e7a entre os juros que os bancos pagam e os juros que recebem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que mais interessa aos bancos \u00e9 exatamente o tamanho do spread, que no Brasil \u00e9 o maior do mundo. Outra coisa que interessa aos bancos \u00e9 a diferen\u00e7a entre os juros nominais que recebem do Governo generoso e a infla\u00e7\u00e3o que corr\u00f3i uma parte desses juros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 por isso que um chefe do Banco Central que privilegia o capital financeiro procura manter a taxa de juros do Copom sempre muito acima da infla\u00e7\u00e3o, com o pretexto de n\u00e3o ter outro meio para controlar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante das dificuldades atuais aumentou a press\u00e3o da sociedade e de setores do Governo para diminuir os juros b\u00e1sicos. Com a diminui\u00e7\u00e3o dos mesmos, os bancos querem mexer na outra ponta, para manter o spread elevado. Querem diminuir os juros da caderneta de poupan\u00e7a. At\u00e9 o presidente Lula falou em diminuir os juros dela. Ainda bem que depois recuou. Agora fala apenas no gen\u00e9rico de mexer na poupan\u00e7a para reserv\u00e1-la ao pov\u00e3o que n\u00e3o consegue fazer aplica\u00e7\u00f5es melhores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os bancos querem comprar dinheiro barato e vender dinheiro caro. O dinheiro da poupan\u00e7a \u00e9 o dinheiro mais barato que conseguem. \u00c9 natural que queiram isso, mas o Governo deveria defender os interesses do povo, em vez de privilegiar o capital financeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O spread entre os 7% de juros que a caderneta oferece aos poupadores populares e os 11,25% de juros que os bancos recebem do Governo pela d\u00edvida p\u00fablica \u00e9 lucro puro para eles, lucro que nem depende da infla\u00e7\u00e3o. Acontece que os \u201cnossos\u201d bancos n\u00e3o se contentam com um spread de \u201capenas\u201d 4%, que dever\u00e1 ser reduzido para 3% e chegar assim ao padr\u00e3o de pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, o Governo interfere com normas complicadas que obrigam os bancos a aplicar dinheiro com juros subsidiados e congelar uma parte em dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios que s\u00f3 servem para manter o dinheiro caro e agravar a falta de dinheiro para investimentos p\u00fablicos e privados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mesmo assim, setores do governo j\u00e1 imaginam que a redu\u00e7\u00e3o dos juros sobre a d\u00edvida p\u00fablica possa causar dificuldades para conseguir mais dinheiro para financiar a rolagem da d\u00edvida, porque os bancos conseguem fazer outros investimentos com juros ainda maiores, at\u00e9 o absurdo de 100 % e mais por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com not\u00edcias dos jornais, a taxa media de juros que os bancos cobram est\u00e1 baixando, mas ainda est\u00e1 em 39%, e o spread ainda est\u00e1 em 28% por ano. Ainda assim, os bancos e os investidores que operam no Brasil teem o spread e o lucro mais alto do mundo. Quando os estrangeiros recuperarem sua capacidade de investir e tiverem mais confian\u00e7a no futuro do Brasil, o dinheiro do mundo inteiro vir\u00e1 correndo para c\u00e1, para multiplicar-se \u00e0s nossas custas, como foi entre 2002 e junho de 2008.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma redu\u00e7\u00e3o da remunera\u00e7\u00e3o da caderneta da poupan\u00e7a seria ruim para os pr\u00f3prios bancos e para toda economia do pa\u00eds. Se os juros da poupan\u00e7a fossem maiores, o povo ficaria mais motivado para poupar, e os bancos teriam mais dinheiro para investir. Guardando mais dinheiro na poupan\u00e7a, o povo teria depois mais dinheiro para comprar \u00e0 vista, em vez de comprar quase tudo fiado e pagar at\u00e9 o dobro em \u201csuaves\u201d presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para enfrentar a crise do cr\u00e9dito caro, n\u00e3o adianta o Governo dizer que os bancos devem reduzir o spread. O Governo n\u00e3o manda nos bancos estatais? Basta que esses reduzam seu pr\u00f3prio spread, que os outros bancos dever\u00e3o reduzir tamb\u00e9m, para poder concorrer. Um banco oficial n\u00e3o pode pensar apenas no lucro. Deve colocar o bem comum acima dos interesses imediatos dos acionistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma das leis elementares da ci\u00eancia diz que no mundo que conhecemos nada \u00e9 criado e nada \u00e9 destru\u00eddo. Na economia, os governos fabricam dinheiro em notas e os bancos criam dinheiro em letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de multiplicar dinheiro pelos juros e fazer a\u00e7\u00f5es e derivativos subir com expectativas de valoriza\u00e7\u00e3o futura, os bancos aprenderam a emprestar dinheiro que n\u00e3o teem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entender como se pode emprestar dinheiro que n\u00e3o existe, mas os bancos americanos exageraram tanto nessa arte que bastou uma perspectiva menos favor\u00e1vel da conjuntura econ\u00f4mica para fazer desaparecer uma parte dos trilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es e cr\u00e9ditos assim criados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os comandantes da nossa economia fizeram de tudo para segurar o valor do Real, mas a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real no fim de 2008 foi importante para evitar um desequil\u00edbrio perigoso das contas externas e uma recess\u00e3o desastrosa pela falta de competitividade dos nossos produtos no mercado mundial e at\u00e9 no mercado interno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O maior \u201cpreju\u00edzo\u201d da desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real foi a diminui\u00e7\u00e3o de milion\u00e1rios brasileiros em d\u00f3lares, da facilidade de viagens ao exterior e da farra de importa\u00e7\u00e3o de artigos de luxo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar da pol\u00edtica recessiva do aperto monet\u00e1rio que favorece apenas o capital financeiro, o Brasil tem tudo para sair mais forte da crise atual. Temos quase tudo que a crescente popula\u00e7\u00e3o mundial vai precisar em quantidades cada vez maiores. Alem de ter as maiores reservas de terra e \u00e1gua para produzir alimentos, biocombust\u00edveis e energia, temos grandes reservas de petr\u00f3leo e min\u00e9rios, e possibilidades enormes de aumentar os nossos equipamentos industriais, se houver dinheiro dispon\u00edvel a juros civilizados para investir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O povo continua sofrendo os efeitos da crise, e mas o capital financeiro voltou a lucrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Faz dez dias que escrevi o texto acima. Como imaginava, o Copom segurou os juros b\u00e1sicos acima de 10%, e j\u00e1 come\u00e7ou a corrida do capital especulativo mundial para uma temporada de engorda no Brasil, diante de sinais promissores de lucros: Super\u00e1vit nas contas externas, valoriza\u00e7\u00e3o do Real e das A\u00e7\u00f5es na Bovespa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entre o fim de Abril e a primeira semana de Maio, a Bovespa subiu 13%. Desde o in\u00edcio de abril as a\u00e7\u00f5es tiveram uma valoriza\u00e7\u00e3o de 27%, e o Real subiu 10%. Assim, especuladores internacionais que investiram em mar\u00e7o um milh\u00e3o de d\u00f3lares na Bovespa, agora j\u00e1 podem levar meio milh\u00e3o de reais de lucro, coisa sem igual no mundo atual. Provavelmente n\u00e3o v\u00e3o retirar esse lucro fabuloso agora. V\u00e3o deixar engordar mais, at\u00e9 os primeiros sinais de nova crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Donos brasileiros de capital tamb\u00e9m est\u00e3o voltando a faturar, enquanto o povo continua sofrendo as conseq\u00fc\u00eancias da crise e do favorecimento do capital financeiro em detrimento dos investimentos nos servi\u00e7os sociais, na infraestrutura e na cria\u00e7\u00e3o de empregos por investimentos produtivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda bem que setores do governo come\u00e7am a perceber a necessidade de mudan\u00e7as da pol\u00edtica econ\u00f4mica de aperto monet\u00e1rio, enquanto os bancos e seus economistas fazem de tudo para defender medidas que garantam a continuidade dos privil\u00e9gios do capital financeiro. Para evitar que algum Governo possa exigir uma diminui\u00e7\u00e3o dos juros que os bancos cobram, muitos querem um Banco Central independente, comandado apenas pelos donos do capital.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A grande imprensa que fatura com propaganda de bancos vem publicando artigos que afirmam sem rodeios que at\u00e9 os bancos oficiais precisam defender em primeiro lugar os interesses dos seus acionistas. Quando o Governo d\u00e1 sinais de querer colocar o Banco do Brasil a servi\u00e7o do povo, setores que est\u00e3o interessados apenas no lucro do \u201cseu\u201d banco j\u00e1 est\u00e3o fazendo press\u00e3o para privatiza\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Queria colocar este artigo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da imprensa, mas compreendo que seus donos n\u00e3o tem interesse em publicar um texto que contraria os interesses dos seus anunciantes.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Cristiano Jakob Krapf<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para n\u00e3o terem seu lucro reduzido, querem agora reduzir os juros da caderneta de poupan\u00e7a. Os Bancos que operam no Brasil e outros donos do capital financeiro, nacionais e estrangeiros, conseguiram em poucos anos multiplicar seu dinheiro em d\u00f3lares, at\u00e9 julho de 2008, pelos juros mais altos do mundo e pela valoriza\u00e7\u00e3o exagerada do Real.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11702"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11702\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}