{"id":11772,"date":"2009-12-11T00:00:00","date_gmt":"2009-12-11T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-espera-do-natal\/"},"modified":"2009-12-11T00:00:00","modified_gmt":"2009-12-11T02:00:00","slug":"a-espera-do-natal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-espera-do-natal\/","title":{"rendered":"\u00c0 Espera do Natal"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Mal come\u00e7a a prepara\u00e7\u00e3o de uma festa, qualquer que seja, a febre das compras e das vendas incendeia o com\u00e9rcio. Comprar, para quem tem um bom poder aquisitivo, \u00e9 fonte de prazer, e vender, para quem comercia, \u00e9 fonte de lucro. O com\u00e9rcio \u00e9 o lugar da troca. O dinheiro \u00e9 o documento que, desde tempos muito antigos, simplificou esta coisa admir\u00e1vel de cambiar servi\u00e7os e bens.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O papel-moeda, ou simplesmente a moeda, d\u00e1 ao portador o direito de receber algum bem ou servi\u00e7o por j\u00e1 ter oferecido a outros algum bem ou servi\u00e7o. Que inven\u00e7\u00e3o bonita \u00e9 o dinheiro! O pedreiro, que assentou tijolos, leva consigo a nota de cem reais que comprova ter ele colaborado para construir o abrigo de uma fam\u00edlia. Com esse documento nas m\u00e3os ele entra no supermercado e volta para a casa com a sacola cheia do alimento que garante a vida de seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sociedade atual, t\u00e3o complexa, seria um caos sem o dinheiro. Mas como tudo que \u00e9 sagrado pode ser corrompido, tamb\u00e9m o dinheiro, s\u00edmbolo do suor de quem luta para sobreviver com dignidade, deixou de ser o que \u00e9, um facilitador da troca amorosa de bens e de servi\u00e7os, para se tornar, na express\u00e3o de Marx, um fetiche.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A idolatria do dinheiro, a voracidade de tudo possuir, a inseguran\u00e7a de n\u00e3o ter, o medo de ficar sem, paralisa o que de melhor existe no ser humano: a alegria da reciprocidade. H\u00e1 os que acumulam por acumular e morrem sem ter colaborado para a constru\u00e7\u00e3o do bem comum atrav\u00e9s do dinheiro que ganharam. H\u00e1 ainda os que assaltam, carregando t\u00edtulos de servi\u00e7os prestados por outros. H\u00e1 os que dilapidam e se apropriam indebitamente desta coisa bonita, chamada imposto, e que deveria ser oferecida com a alegria de quem se coloca a servi\u00e7o do bem comum. Mas h\u00e1 pessoas generosas, empresas conscientes de sua import\u00e2ncia na constru\u00e7\u00e3o da paz social, h\u00e1 uma economia de comunh\u00e3o em andamento no mundo. Nem tudo est\u00e1 perdido. Mas o que pensar das compras e vendas por ocasi\u00e3o do Natal? E dos presentes? Admir\u00e1vel com\u00e9rcio este que celebramos no Natal. Que troca estupenda! \u201cEle se fez pobre para nos enriquecer com sua pobreza\u201d. Seu presente \u00e9 sua Presen\u00e7a. H\u00e1 filhos de pais ricos que ganham presentes, mas n\u00e3o recebem o mais desejado: a Presen\u00e7a, o di\u00e1logo, a troca amorosa. Natal \u00e9 tempo de receber o Presente. N\u00e3o precisa dinheiro, basta preparar o cora\u00e7\u00e3o. Ele veio a primeira vez na humildade, despojado de qualquer poder, em tudo igual a n\u00f3s &#8211; s\u00f3 n\u00e3o pecou e nem estava inclinado ao pecado -, para salvar-nos da desgra\u00e7a que n\u00f3s mesmos hav\u00edamos constru\u00eddo. Ele foi, desde a manjedoura, presen\u00e7a da infinita miseric\u00f3rdia de nosso Deus e Pai que n\u2019Ele, seu Filho Unig\u00eanito, se curvou sobre nossa mis\u00e9ria e pequenez para envolver-nos em sua infinita ternura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os pastores, ao se abeirarem do rec\u00e9m-nascido, nele viram uma pobre crian\u00e7a como as que lhes nasciam em suas pr\u00f3prias casas. Leram-lhe, entretanto, a infinita dignidade nos olhos enternecidos da m\u00e3e que, em profundo sil\u00eancio, contemplava no improvisado e pobre ber\u00e7o, envolto nos panos de nossa humana fragilidade, o mist\u00e9rio que lhe acontecera quando da anuncia\u00e7\u00e3o do Anjo e que por nove meses ela abrigara em seu virginal ventre. Em t\u00e3o adversas e inesperadas circunst\u00e2ncias lhe nascera o filho e sua alma continuou a cantar com igual alegria o hino de exulta\u00e7\u00e3o pelo poder de seu Deus que escolhera vir pobre entre os mais pobres. Dispersem-se os soberbos e caiam por terra os poderosos diante do mist\u00e9rio da onipot\u00eancia amorosa de Deus que vence todas as dist\u00e2ncias para mergulhar em nossa condi\u00e7\u00e3o, &#8211; at\u00e9 a cruz \u2013 e deixar-se tomar pelas nossas trevas para iluminar-nos com sua luz. Ele vir\u00e1 uma segunda vez para abolir definitivamente toda escravid\u00e3o e instaurar o dia sem ocaso, s\u00f3 feito de luz, na justi\u00e7a e na verdade, alegria eterna de um amor sem fim. Entre a primeira e a segunda vinda estamos n\u00f3s. Se acolhermos a mensagem da primeira, Ele faz morada em n\u00f3s, com o Pai e com o Esp\u00edrito, e n\u00f3s poderemos j\u00e1 pr\u00e9-gustar, no caminho, a felicidade da chegada e do encontro definitivo. Seja esse advento o tempo de meditar essas coisas e com Maria experimentar a verdade do Natal: encontro com o Deus que vem. Para isso escutemos Jo\u00e3o Batista, pois ele \u00e9 a \u201cvoz que clama no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo vale ser\u00e1 aterrado, toda montanha e colina ser\u00e3o rebaixadas, as vias tortuosas ser\u00e3o endireitadas e os caminhos esburacados, aplanados. E todos ver\u00e3o a salva\u00e7\u00e3o que vem de Deus\u201d(Lc 3,4-6). E Jo\u00e3o recomendava: \u201cquem tem duas t\u00fanicas, d\u00ea uma a quem n\u00e3o tem e quem tiver comida fa\u00e7a o mesmo&#8230;\u201d E aos cobradores de impostos: \u201cn\u00e3o cobreis mais do que foi estabelecido\u201d&#8230;E aos soldados: \u201cn\u00e3o maltrateis a ningu\u00e9m, nem tomeis dinheiro \u00e0 for\u00e7a&#8230;\u201d(Lc 3, 10-14). Cada um de n\u00f3s tem o que mudar na pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mal come\u00e7a a prepara\u00e7\u00e3o de uma festa, qualquer que seja, a febre das compras e das vendas incendeia o com\u00e9rcio. Comprar, para quem tem um bom poder aquisitivo, \u00e9 fonte de prazer, e vender, para quem comercia, \u00e9 fonte de lucro. O com\u00e9rcio \u00e9 o lugar da troca. 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