{"id":11780,"date":"2009-06-01T00:00:00","date_gmt":"2009-06-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristianistas\/"},"modified":"2009-06-01T00:00:00","modified_gmt":"2009-06-01T03:00:00","slug":"cristianistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cristianistas\/","title":{"rendered":"Cristianistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Foi no retiro pregado por Dom Salvador que ouvi pela primeira vez a palavra \u201ccristianista\u201d. A express\u00e3o \u00e9 de Remi Brague, fil\u00f3sofo e historiador franc\u00eas, que procurou distinguir o crist\u00e3o do \u201ccristianista\u201d. Foi em Antioquia da S\u00edria que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus, foram chamados de crsit\u00e3os (At 11,26).\u00a0 Dentre eles se destacava Barnab\u00e9 e o n\u00e9o-convertido Paulo. O disc\u00edpulo se caracterizava pela experi\u00eancia de estar com Cristo e fazer o caminho. Jesus mesmo era o Caminho.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">azer o caminho e ser disc\u00edpulo era a mesma coisa. Fazer o caminho significava uma vida nova assim descrita em duas passagens dos Atos: \u201cEles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Ap\u00f3stolos, na comunh\u00e3o fraterna , na fra\u00e7\u00e3o do p\u00e3o e nas ora\u00e7\u00f5es&#8230;\u201d \u201cTodos os que abra\u00e7avam a f\u00e9 viviam unidos e possu\u00edam tudo em comum&#8230;\u201d( Cf At 2,42-48); \u201ca multid\u00e3o dos fieis era um s\u00f3 cora\u00e7\u00e3o e uma s\u00f3 alma. Ningu\u00e9m considerava suas as coisas que possu\u00eda, mas tudo entre eles era posto em comum&#8230;\u201d E ficou como atitude modelar de disc\u00edpulo\u00a0 o desprendimento de Barnab\u00e9: \u201cEle possu\u00eda um campo, vendeu-o e depositou o dinheiro aos p\u00e9s dos ap\u00f3stolos\u201d( Cf. At 4,12-37). Ser disc\u00edpulo come\u00e7a com um encontro pessoal com Cristo, gra\u00e7a concedida livremente \u00e0quele que de certa forma j\u00e1 o buscava, como nos lembra o documento de Aparecida: \u201cAqueles que ser\u00e3o seus disc\u00edpulos j\u00e1 o buscam\u201d (Cf Jo 1,38). Esse encontro se aprofunda no discipulado. \u201cA pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre\u201d( Ap 278 a) e c)).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o Paulo foi longe nesse viver com Cristo: \u201cvivo, j\u00e1 n\u00e3o eu, mas \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d( Gal 2,20).\u00a0 O disc\u00edpulo de Cristo n\u00e3o \u00e9, pois, como o disc\u00edpulo de Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles ou Marx. A experi\u00eancia \u00e9 de que Cristo vive, \u00e9 experi\u00eancia de comunh\u00e3o com Ele no hoje do tempo. Quando algu\u00e9m afirma sua fidelidade ao cristianismo, mas n\u00e3o vive a experi\u00eancia m\u00edstica de encontro com Cristo na ora\u00e7\u00e3o, na Eucaristia e na experi\u00eancia comunit\u00e1ria, ele n\u00e3o \u00e9 propriamente crist\u00e3o, \u00e9 um \u201ccristianista\u201d. Adota a doutrina, os princ\u00edpios do cristianismo, at\u00e9 os defende, mas n\u00e3o vive a experi\u00eancia fundamental de estar com Cristo. A autenticidade da experi\u00eancia de viver com Cristo e de Cristo se revela no seguimento. Este se d\u00e1 na hist\u00f3ria. Ter tudo em comum hoje \u00e9 empenhar-se pela realiza\u00e7\u00e3o da comunidade. Em primeiro lugar est\u00e1 o reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O resto vem por acr\u00e9scimo. Dois inimigos rondam permanentemente o disc\u00edpulo de Cristo: a riqueza e o poder. Faz alguns dias, falando na Catedral para jovens crismandos, comentando o evangelho de Jo\u00e3o: \u201camai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d, eu insistia que o amor verdadeiro leva a partilha. A ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou manda pedir: \u201co p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u201d. S\u00f3 pode rez\u00e1-la com sinceridade quem pensa nos outros. E eu tentava fazer ver aos jovens como a luta pela posse dos bens materiais faz os seres humanos semelhantes a c\u00e3es famintos que disputam ferozmente a lavagem do coxo onde seu dono coloca as sobras da comida de sua fazenda. Quem n\u00e3o sabe abrir m\u00e3o do que possui para que o outro possa desfrutar daquilo que Deus destinou a todos, est\u00e1 longe de ser crist\u00e3o, DISC\u00cdPULO.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando h\u00e1 desprendimento e partilha, os problemas, tamb\u00e9m os financeiros, se resolvem com facilidade.\u00a0 At\u00e9 as empresas do capitalismo moderno entenderam isso. O outro inimigo \u00e9 o poder, ou melhor, seu desejo, como forma de auto-afirma\u00e7\u00e3o. Jesus se defrontou com esse inimigo no cora\u00e7\u00e3o do grupo dos doze.\u00a0 Certa vez, quando discutiam, momento antes de come\u00e7ar a paix\u00e3o dolorosa, quem deles seria o maior no reino que estava para chegar, Jesus os advertiu: \u201cOs reis das na\u00e7\u00f5es dominam sobre elas, e os que exercem o poder se fazem chamar benfeitores. Entre v\u00f3s n\u00e3o deve ser assim. Pelo contr\u00e1rio, o maior dentre v\u00f3s seja como o mais novo. E o que manda, como quem est\u00e1 servindo&#8230; Eu estou no meio de v\u00f3s como aquele que serve.\u201d( Lc 22,24-27). Estes dois inimigos s\u00e3o mortais para a fam\u00edlia e para todas as institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m para as comunidades crist\u00e3s que se esquecem de voltar sempre a Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o h\u00e1 institui\u00e7\u00e3o, por mais que se declare de inspira\u00e7\u00e3o crist\u00e3, que sobreviva como tal sem uma aut\u00eantica comunidade de disc\u00edpulos. Estes s\u00f3 ser\u00e3o sal e luz se conservarem a capacidade de salgar e tiverem acesas e sobre candelabros sua luz. Somos apenas \u201ccristianistas\u201d, quando somos por condi\u00e7\u00e3o cultural adeptos da doutrina e praticantes das regras de vida crist\u00e3s, mas n\u00e3o experimentamos o Cristo vivo e somos incapazes de ver o outro com seus olhos. O papa Bento XVI lembrou aos bispos em Aparecida: \u201cA todos nos toca recome\u00e7ar a partir de Cristo, reconhecendo que n\u00e3o se come\u00e7a a ser crist\u00e3o por uma decis\u00e3o \u00e9tica ou uma grande id\u00e9ia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que d\u00e1 um novo horizonte \u00e0 vida e, com isso, uma orienta\u00e7\u00e3o decisiva\u201d. Recomecemos, pois!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi no retiro pregado por Dom Salvador que ouvi pela primeira vez a palavra \u201ccristianista\u201d. A express\u00e3o \u00e9 de Remi Brague, fil\u00f3sofo e historiador franc\u00eas, que procurou distinguir o crist\u00e3o do \u201ccristianista\u201d. 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