{"id":11783,"date":"2009-04-13T00:00:00","date_gmt":"2009-04-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/feliz-pascoa\/"},"modified":"2009-04-13T00:00:00","modified_gmt":"2009-04-13T03:00:00","slug":"feliz-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/feliz-pascoa\/","title":{"rendered":"Feliz P\u00e1scoa!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Todos ouviremos nestes pr\u00f3ximos dias a express\u00e3o: Feliz P\u00e1scoa! Mas o que \u00e9 uma feliz P\u00e1scoa? Em um mundo que fez do consumo a raz\u00e3o de viver, a P\u00e1scoa, como o Natal, tamb\u00e9m se tornou uma festa cujo valor passou a ser medido pelas compras e vendas. O ser humano \u00e9 feliz quando tem uma raz\u00e3o para viver. Mas n\u00e3o basta uma raz\u00e3o qualquer. Uma raz\u00e3o qualquer funciona precariamente. Fazem parte de nossa vida as alegrias do dia a dia, tais como a vit\u00f3ria de nosso time preferido, o sucesso em algum empreendimento, o nascimento de um filho, uma festa de casamento, etc&#8230;<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como \u00e9 bom desfrutar da vida, tirando de cada acontecimento a cota de felicidade que ele nos oferece! H\u00e1 pessoas que pensam ser felizes acumulando riquezas, granjeando simpatias, conquistando poder e prest\u00edgio. Agostinho de Hipona buscou na ret\u00f3rica e no amor humano a felicidade. Seu cora\u00e7\u00e3o, entretanto, continuou inquieto, at\u00e9 que encontrou a verdade de Deus. Se sofrimentos e decep\u00e7\u00f5es n\u00e3o fizessem parte de nossa exist\u00eancia, ainda assim, inquieto e insatisfeito continuaria nosso cora\u00e7\u00e3o, porque as alegrias dessa vida, mesmo as mais intensas, s\u00e3o todas elas insuficientes diante da profundidade de nosso desejo. Queremos vida e vida em plenitude.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas existem os sofrimentos, inevit\u00e1veis e, muitas vezes, pungentes: a doen\u00e7a, os acidentes, as trai\u00e7\u00f5es de amigos, as decep\u00e7\u00f5es das promessas de amor n\u00e3o cumpridas, a perda de uma pessoa querida e muitos outros. Mais ainda: no cerne de nosso existir reside \u00e0 certeza da morte. Teremos n\u00f3s surgido do nada e ao nada estar\u00edamos destinados? Ser\u00e1 nossa exist\u00eancia como um raio cujo brilho \u00e9 engolido pela escurid\u00e3o da noite? Se nossa exist\u00eancia caminha inevitavelmente para morte, o que significa viver? Como dar sentido \u00e0 vida? H\u00e1 machos na esp\u00e9cie animal que morrem ao fecundar as f\u00eameas. O sentido de suas vidas \u00e9 garantir a continuidade da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sentido da vida do indiv\u00edduo humano seria apenas este: garantir o futuro da esp\u00e9cie? Conseguir\u00edamos ser felizes empenhando-nos em construir um futuro feliz para os que vir\u00e3o depois de n\u00f3s? E qual ser\u00e1 o destino final da esp\u00e9cie? Haver\u00e1 um fim da hist\u00f3ria e, portanto, o desaparecimento da esp\u00e9cie humana? Se n\u00e3o, que sentido ter\u00e1 a sucess\u00e3o sem fim das gera\u00e7\u00f5es humanas, todas movidas pela esperan\u00e7a de uma felicidade, que se esvai com a morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Freud, ao se confrontar com essa quest\u00e3o, aponta como \u00fanica solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel a resigna\u00e7\u00e3o: o ser humano adulto assume sua finitude com coragem, sem apelar para a religi\u00e3o, forma suprema de nega\u00e7\u00e3o da realidade. Haver\u00e1 verdade plena e justi\u00e7a no amanh\u00e3 intra-hist\u00f3rico? Ou ser\u00e1 v\u00e3 a luta dos que sonham com um mundo diferente? Em sua Enc\u00edclica sobre a esperan\u00e7a crist\u00e3, O Papa, Bento XVI, cita o fil\u00f3sofo Adorno, da escola de Frankfurt, que afirmou que a justi\u00e7a, uma verdadeira justi\u00e7a, requereria um mundo \u201conde n\u00e3o s\u00f3 fosse anulado o sofrimento presente, mas tamb\u00e9m revogado o que passou irrevogavelmente\u201d. Isto, por\u00e9m, afirma o Papa, \u201csignificaria que n\u00e3o pode haver justi\u00e7a sem ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e, concretamente, sem a sua ressurrei\u00e7\u00e3o corporal\u201d(n. 42). Estamos aqui no centro da f\u00e9 crist\u00e3: a ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos. Jesus, depois de assumir em si, as dores da humanidade e suas mis\u00e9rias, at\u00e9 a morte, e morte de Cruz, \u201cressuscitou ao terceiro dia e, tendo subido aos c\u00e9us, est\u00e1 assentado \u00e1 direita do Pai, donde h\u00e1 de vir para julgar os vivos e mortos\u201d. O Juizo final, passada a figura desse mundo, ser\u00e1 o resgate pleno da verdade, tantas vezes espezinhada no tempo da hist\u00f3ria, e a instaura\u00e7\u00e3o definitiva da justi\u00e7a, \u201conde n\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 anulado o sofrimento presente, mas ficar\u00e1 tamb\u00e9m revogado o que passou irrevogavelmente\u201d, como pensara Adorno a respeito de uma verdadeira justi\u00e7a para a hist\u00f3ria humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E eu pergunto ao leitor: se, como afirmou Adorno, a plena justi\u00e7a exigiria n\u00e3o s\u00f3 a aboli\u00e7\u00e3o do sofrimento no presente, mas tamb\u00e9m a revoga\u00e7\u00e3o do sofrimento passado, n\u00e3o \u00e9 sensato, razo\u00e1vel, levar a s\u00e9rio o testemunho dos ap\u00f3stolos de que Jesus ressuscitou\u00a0 e de que toda a humanidade tem nele seu Salvador e Juiz? Se o bom e justo \u00e9 que haja um desfecho justo e bom para a hist\u00f3ria humana, por que conservar no cora\u00e7\u00e3o essa tristeza que tornava sombrio o rosto dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas quando voltavam para a rotina de seu cotidiano sem esperan\u00e7a, depois da decep\u00e7\u00e3o da morte de Jesus? A sombra que turva o rosto da humanidade \u00e9 a sombra da morte. O brilho da esperan\u00e7a volta quando nossos olhos come\u00e7am a beber a luz do Ressuscitado. Faz-se, ent\u00e3o, luz nos olhos e calor no cora\u00e7\u00e3o: \u201cneste momento seus olhos se abriram e eles o reconheceram. Ele, por\u00e9m, desapareceu da vista deles. Ent\u00e3o um disse ao outro: \u2018n\u00e3o estava ardendo nosso cora\u00e7\u00e3o quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava a Escrituras?\u2019(Lc 24,32)\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos ouviremos nestes pr\u00f3ximos dias a express\u00e3o: Feliz P\u00e1scoa! Mas o que \u00e9 uma feliz P\u00e1scoa? Em um mundo que fez do consumo a raz\u00e3o de viver, a P\u00e1scoa, como o Natal, tamb\u00e9m se tornou uma festa cujo valor passou a ser medido pelas compras e vendas. 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