{"id":11790,"date":"2008-10-01T00:00:00","date_gmt":"2008-10-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/deus-e-um-delirio\/"},"modified":"2008-10-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-01T03:00:00","slug":"deus-e-um-delirio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/deus-e-um-delirio\/","title":{"rendered":"Deus \u00e9 um del\u00edrio?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O fundamentalismo ate\u00edsta tem na recente publica\u00e7\u00e3o de Richard Dawkins, &#8220;Deus, um del\u00edrio&#8221;, bi\u00f3logo em Oxford, seu mais novo defensor.\u00a0 O autor v\u00ea a religi\u00e3o como uma esp\u00e9cie de neurose coletiva, fruto de uma debilidade intelectual que, al\u00e9m de inibir, co\u00edbe o desenvolvimento cient\u00edfico. Nutre ainda o autor a pretens\u00e3o de que sua obra possa tornar ateus, pela via argumentativa, seus leitores, que dela se aproximarem com &#8220;isen\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">  <!--more-->  <\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Donde, pois, a import\u00e2ncia de levar a todos uma reflex\u00e3o que os ajude a enfrentar tais &#8220;argumentos&#8221;, mostrando ser falsa a &#8220;cientificidade&#8221; de grande parte dos questionamentos levantados por Dawkins, o que compromete de algum modo toda sua obra, e, conseq\u00fcentemente, a seriedade cient\u00edfica do autor. Em refuta\u00e7\u00e3o a alguns dos argumentos nela enunciados, Alister MacGrath e Joanna McGrath, ambos pesquisadores de Oxford, publicaram um op\u00fasculo &#8211; &#8220;O del\u00edrio de Dawkins&#8221;- no qual questionam a autoridade e a sanidade do colega de trabalho. Afirmam: &#8220;Deus, um del\u00edrio \u00e9 uma obra teatral, em vez de acad\u00eamica: uma investida feroz e ret\u00f3rica contra a religi\u00e3o&#8221;; e ainda: &#8220;seu autor parece ter feito a transi\u00e7\u00e3o de um cientista, com apaixonada preocupa\u00e7\u00e3o com a verdade, para um grosseiro propagandista anti-religioso, que revela claro descuido pela evid\u00eancia&#8221;. Finalizam: &#8220;o ate\u00edsmo deve estar mesmo em uma situa\u00e7\u00e3o lastim\u00e1vel, se seu principal defensor precisa depender t\u00e3o ostensivamente &#8211; e t\u00e3o obviamente &#8211; do improv\u00e1vel e do falso para sustentar seu argumento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus, um del\u00edrio n\u00e3o prop\u00f5e o novo ao afirmar que a id\u00e9ia de Deus \u00e9 como um v\u00edrus que infecta mentes saud\u00e1veis; seu autor j\u00e1 o havia dito nos anos 1990. O casal MacGrath, no entanto, reflete: &#8220;os v\u00edrus biol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o apenas hipot\u00e9ticos: eles podem ser identificados, observados e sua estrutura e modos de opera\u00e7\u00e3o determinados&#8221;. Assim sendo, a teoria de Dawkins parece carecer de embasamento emp\u00edrico; nada mais contradit\u00f3rio para um cientista moderno. Se n\u00e3o bastasse o abuso de fal\u00e1cias que se multiplicam ao longo da obra, o bi\u00f3logo de Oxford ataca o Deus crist\u00e3o diretamente e sem compostura alguma: &#8220;o Deus do Antigo Testamento \u00e9, talvez, o personagem mais desagrad\u00e1vel da fic\u00e7\u00e3o&#8221;, adjetivando-o como segue: &#8220;ciumento e orgulhoso; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida \u00e9tnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor mis\u00f3gino, homo-f\u00f3bico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megaloman\u00edaco, sado-masoquista, mal\u00e9volo&#8221;. Resume e define-o como &#8220;ins\u00edpido&#8221; e &#8220;enjoativamente nauseante&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Falta a Dawkins a perspectiva filos\u00f3fico-teol\u00f3gica quando migra do campo espec\u00edfico das ci\u00eancias emp\u00edricas para a \u00e1rea das quest\u00f5es filos\u00f3ficas e religiosas.\u00a0 Levanta ainda hip\u00f3teses gratuitas sobre a atua\u00e7\u00e3o de Jesus. Para ele Jesus, por fidelidade \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es judaicas, teria sido hostil a algumas pessoas, especialmente os forasteiros e estrangeiros. Dawkins afirma: &#8220;Foi Paulo quem inventou a id\u00e9ia de levar o Deus judeu aos gentios&#8221;; e finaliza com desd\u00e9m: &#8220;Jesus teria se revirado no t\u00famulo se soubesse que Paulo estava levando seu plano aos porcos&#8221;. Educadamente Alister MacGrath e Joanna McGrath observam: &#8220;a excessiva confian\u00e7a de Dawkins na ret\u00f3rica, em vez de firmar-se na evid\u00eancia, indica claramente que algo est\u00e1 errado em seu argumento&#8221;, e perguntam, em tom afirmativo: &#8220;n\u00e3o seria o ressurgimento inesperado da religi\u00e3o capaz de convencer muitos de que o ate\u00edsmo em si \u00e9 fatalmente deficiente como vis\u00e3o de mundo?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enganam-se os que pensam que o &#8220;del\u00edrio&#8221; de Richard Dawkins \u00e9 capaz de silenciar as pessoas de f\u00e9. Al\u00e9m dos colegas de trabalho, outro baluarte da pesquisa cient\u00edfica se manifesta contra esta esp\u00e9cie de fundamentalismo ateu. Francis S. Collins, bi\u00f3logo e diretor do projeto que decifrou o c\u00f3digo gen\u00e9tico humano, em &#8220;A linguagem de Deus&#8221;, n\u00e3o apenas apresenta, a partir da ci\u00eancia, ind\u00edcios da exist\u00eancia de Deus, como narra sua convers\u00e3o do ate\u00edsmo para a f\u00e9 em Deus. Mais importante: n\u00e3o apenas cria uma ponte de di\u00e1logo entre a religi\u00e3o e a ci\u00eancia, como tamb\u00e9m mostra a harmonia entre elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Longe de silenciar os l\u00e1bios e os cora\u00e7\u00f5es dos que cr\u00eaem em Deus &#8211; como o deseja Dawkins -, o avan\u00e7o das ci\u00eancias faz brotar com mais intensidade ainda, no cora\u00e7\u00e3o do mundo, a admira\u00e7\u00e3o e o louvor da sabedoria divina impressa na cria\u00e7\u00e3o, obra amorosa de Deus confiada ao ser humano, sua criatura predileta. S\u00e3o muitos os cientistas que, em raz\u00e3o da inteligibilidade do universo, condi\u00e7\u00e3o de possibilidade da pr\u00f3pria ci\u00eancia, se abrem para a f\u00e9 em Deus Criador. Concluo com a palavra do Livro da Sabedoria sobre os que negam Deus: &#8220;foram incapazes de conhecer Aquele que \u00e9 a partir das coisas vis\u00edveis&#8221; &#8211; objeto de pesquisa -, &#8220;e, olhando suas obras, n\u00e3o reconheceram o art\u00edfice&#8221;(Sab 13,1). E &#8220;Os c\u00e9us narram sua gl\u00f3ria&#8221;(Sl 19,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-size: 10pt\">* A presente reflex\u00e3o teve a colabora\u00e7\u00e3o do Pe. Rodolfo Gasparini Morbiolo (rodolfo.morbiolo@terra.com.br)<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fundamentalismo ate\u00edsta tem na recente publica\u00e7\u00e3o de Richard Dawkins, &#8220;Deus, um del\u00edrio&#8221;, bi\u00f3logo em Oxford, seu mais novo defensor.\u00a0 O autor v\u00ea a religi\u00e3o como uma esp\u00e9cie de neurose coletiva, fruto de uma debilidade intelectual que, al\u00e9m de inibir, co\u00edbe o desenvolvimento cient\u00edfico. 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