{"id":11793,"date":"2008-11-10T00:00:00","date_gmt":"2008-11-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-o-tsunami-financeiro\/"},"modified":"2008-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-10T02:00:00","slug":"a-igreja-e-o-tsunami-financeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-o-tsunami-financeiro\/","title":{"rendered":"A Igreja e o \u201ctsunami\u201d financeiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em abril de 2004 foi oficialmente dado a p\u00fablico o Comp\u00eandio de Doutrina Social da Igreja (CDSI). \u00c9 uma obra de vulto e que n\u00e3o pode faltar na Biblioteca do Cat\u00f3lico interessado na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e que poder\u00e1 ser um precioso aux\u00edlio do ponto de vista da \u00e9tica pol\u00edtica para pessoas honestamente interessadas. O grande princ\u00edpio da Doutrina Social da Igreja, de onde ela deriva todo o conjunto de seu ensinamento, \u00e9 a dignidade inviol\u00e1vel da pessoa humana e, conseq\u00fcentemente, a constru\u00e7\u00e3o livre e amorosa da comunidade, entendida como comunh\u00e3o de pessoas. Liberdade e solidariedade s\u00e3o a base de uma sociedade justa. Veja, leitor(a), como no CDSI nos oferece algumas considera\u00e7\u00f5es que ajudam a interpretar, do ponto de vista da \u00e9tica social, a problem\u00e1tica &#8211; por alguns apelidada de TSUMANI &#8211; que est\u00e1 afligir as na\u00e7\u00f5es. Passo-lhe os textos tais como est\u00e3o no original portugu\u00eas, publicado pela Santa S\u00e9.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cOs mercados financeiros n\u00e3o s\u00e3o certamente uma novidade da nossa \u00e9poca: j\u00e1 desde h\u00e1 muito tempo, por v\u00e1rias formas, eles cuidaram de responder \u00e0 exig\u00eancia de financiar atividades produtivas. A experi\u00eancia hist\u00f3rica atesta que, na aus\u00eancia de sistemas financeiros adequados, n\u00e3o teria havido crescimento econ\u00f4mico. Os investimentos em larga escala, t\u00edpicos das modernas economias de mercado, n\u00e3o teriam sido poss\u00edveis sem o papel fundamental de intermedia\u00e7\u00e3o exercido pelos mercados financeiros, que permitiu, entre outras coisas, apreciar as fun\u00e7\u00f5es positivas da poupan\u00e7a para o desenvolvimento integral do sistema econ\u00f4mico e social. Se, por um lado, a cria\u00e7\u00e3o daquilo que se tem definido como o \u00abmercado global dos capitais\u00bb produziu efeitos ben\u00e9ficos, gra\u00e7as ao fato de que a maior mobilidade dos capitais consentiu \u00e0s atividades produtivas alcan\u00e7ar mais facilmente a disponibilidade de recursos, por outro lado a maior mobilidade tamb\u00e9m aumentou o risco de crises financeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O desenvolvimento da atividade financeira, cujas transa\u00e7\u00f5es superaram sobejamente, em volume, as transa\u00e7\u00f5es reais, corre o risco de seguir uma l\u00f3gica voltada sobre si mesma, sem conex\u00e3o com a base real da economia\u201d. (n.368).\u00a0 Ainda: \u201cUma economia financeira, cujo fim \u00e9 ela pr\u00f3pria, est\u00e1 destinada a contradizer as suas finalidades, pois que se priva das pr\u00f3prias ra\u00edzes e da pr\u00f3pria raz\u00e3o constitutiva, ou seja, do seu papel origin\u00e1rio e essencial de servi\u00e7o \u00e0 economia real e, ao fim e ao cabo, de desenvolvimento das pessoas e das comunidades humanas. O quadro completo manifesta-se ainda mais preocupante \u00e0 luz da configura\u00e7\u00e3o fortemente assim\u00e9trica que caracteriza o sistema financeiro internacional: os processos de inova\u00e7\u00e3o e de desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados financeiros tendem, de fato, a consolidar-se somente em algumas partes do globo. Isto \u00e9 fonte de graves preocupa\u00e7\u00f5es de natureza \u00e9tica, porque os pa\u00edses exclu\u00eddos dos processos descritos, mesmo n\u00e3o gozando dos benef\u00edcios destes produtos, n\u00e3o est\u00e3o, entretanto, protegidos de eventuais conseq\u00fc\u00eancias negativas da instabilidade financeira sobre os seus sistemas econ\u00f4micos reais, sobretudo se fr\u00e1geis e com atraso no desenvolvimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A improvisa acelera\u00e7\u00e3o dos processos tais como o enorme incremento no valor das carteiras administradas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras e o r\u00e1pido proliferar de novos e sofisticados instrumentos financeiros torna deveras urgente divisar solu\u00e7\u00f5es institucionais capazes de favorecer eficazmente a estabilidade do sistema, sem reduzir-lhe as potencialidades e a efici\u00eancia. \u00c9 indispens\u00e1vel introduzir um quadro normativo que consinta tutelar tal estabilidade em todas as suas complexas articula\u00e7\u00f5es, promover a concorr\u00eancia entre os intermedi\u00e1rios e assegurar a m\u00e1xima transpar\u00eancia em benef\u00edcio dos investidores\u201d.(n. 369). Agora vem, estimado leitor(a), uma constata\u00e7\u00e3o, que \u00e9 tamb\u00e9m uma exig\u00eancia \u00e9tica: \u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A perda de centralidade por parte dos atores estatais deve coincidir com um maior empenho da comunidade no exerc\u00edcio de um decidido papel de orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e financeira. Uma importante conseq\u00fc\u00eancia do processo de globaliza\u00e7\u00e3o consiste, com efeito, na gradual perda de efic\u00e1cia do Estado na\u00e7\u00e3o na condu\u00e7\u00e3o das din\u00e2micas econ\u00f4mico-financeiras nacionais. Os Governos de cada Pa\u00eds v\u00eaem a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o em campo econ\u00f4mico e social sempre mais fortemente condicionada pelas expectativas dos mercados internacionais dos capitais e pelos sempre mais prementes pedidos de credibilidade provenientes do mundo financeiro. Por causa dos novos liames entre os operadores globais, as tradicionais medidas defensivas dos Estados parecem condenadas insucesso e, em face das novas \u00e1reas da competi\u00e7\u00e3o, passa ao segundo plano a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de mercado nacional\u201d(n.370).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mais: \u201cQuanto mais o sistema econ\u00f4mico-financeiro mundial alcan\u00e7a n\u00edveis elevados de complexidade organizativa e funcional, tanto mais se imp\u00f5e como priorit\u00e1ria a tarefa de regular tais processos, orientando-os \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o do bem comum da fam\u00edlia humana. Vem \u00e0 tona concretamente a exig\u00eancia de que, al\u00e9m dos Estados nacionais, seja a comunidade internacional a assumir esta delicada fun\u00e7\u00e3o, com instrumentos pol\u00edticos e jur\u00eddicos adequados e eficazes.\u201d(n.371).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em abril de 2004 foi oficialmente dado a p\u00fablico o Comp\u00eandio de Doutrina Social da Igreja (CDSI). \u00c9 uma obra de vulto e que n\u00e3o pode faltar na Biblioteca do Cat\u00f3lico interessado na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa e que poder\u00e1 ser um precioso aux\u00edlio do ponto de vista da \u00e9tica pol\u00edtica para pessoas honestamente &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-igreja-e-o-tsunami-financeiro\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A Igreja e o \u201ctsunami\u201d financeiro<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11793"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}