{"id":11794,"date":"2008-11-10T00:00:00","date_gmt":"2008-11-10T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/economia-e-pao-para-todos\/"},"modified":"2008-11-10T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-10T02:00:00","slug":"economia-e-pao-para-todos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/economia-e-pao-para-todos\/","title":{"rendered":"Economia e p\u00e3o para todos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Um dos princ\u00edpios basilares da Doutrina Social da Igreja \u00e9 o da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens criados. Em linguagem religiosa significa que Deus criou o universo para o bem dos seres humanos, de todos eles. Esse princ\u00edpio \u00e9 a explicita\u00e7\u00e3o da dignidade inviol\u00e1vel da pessoa humana, criada \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus A pessoa n\u00e3o pode ser instrumentalizada para nenhum fim. A ordem social deve ser tal que cada pessoa humana tenha reconhecida, na pr\u00e1tica, sua dignidade e possa desenvolver-se at\u00e9 chegar a plenitude de sua humanidade.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pessoa deve ser, por isso, ela mesma, o sujeito do processo de seu desenvolvimento e n\u00e3o pode ser substitu\u00edda por outra inst\u00e2ncia no que diz respeito \u00e0s decis\u00f5es sobre si e sobre seu destino. \u00c9 que n\u00e3o h\u00e1 realiza\u00e7\u00e3o da pessoa humana sem a liberdade. Liberdade \u00e9, antes de tudo, o poder de decidir sobre si e sobre a pr\u00f3pria vida. O fato de a humanidade ser formada por uma multid\u00e3o de pessoas coloca, entretanto, um limite para a liberdade de um indiv\u00edduo: o \u201coutro\u201d que ele mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O outro \u00e9 pessoa. Da\u00ed surgiram duas regras fundamentais de comportamento: a) n\u00e3o fa\u00e7as ao outro o que n\u00e3o queres que o outro te fa\u00e7a; b) deves fazer ao outro tudo o que desejas que o outro te fa\u00e7a. Kant, na mesma linha, sentenciou: \u201cage apenas segundo uma m\u00e1xima tal que possas querer que se torne uma lei universal\u201d. Na revela\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento assim aparece esta regra de ouro: \u201cama o pr\u00f3ximo como a ti mesmo\u201d. O outro, portanto, n\u00e3o \u00e9, em primeiro lugar, um obst\u00e1culo para a minha liberdade, \u00e9 seu destino. Ele p\u00f5e, sim, um limite a meu desejo de onipot\u00eancia, lembra-me que n\u00e3o sou a totalidade do real. Mas o outro \u00e9 sobretudo apelo a que eu cuide nele da humanidade da qual tamb\u00e9m ele participa. Jesus deu como lei suprema para seus disc\u00edpulos um mandamento novo: \u201camai-vos uns aos outros\u201d. Se todos cuidassem de todos o mundo seria, sem d\u00favida, o para\u00edso: um lugar de imensa paz. Precisamente porque este mundo pode ser o para\u00edso \u00e9 que temos do para\u00edso saudades. Jesus n\u00e3o s\u00f3 ensinou, Ele fez. Por isso p\u00f4de acrescentar: \u201ccomo eu vos amei\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do outro n\u00e3o posso tirar a vida, mesmo que ainda esteja em seu mais remoto come\u00e7o &#8211; embri\u00e3o ou feto -, mas ao outro posso e devo doar a vida. N\u00e3o posso matar o outro, mas posso morrer por ele. Esta \u00e9 a grande li\u00e7\u00e3o do cristianismo que n\u00f3s estamos longe de por em pr\u00e1tica. Uma vez que a vida depende do p\u00e3o de cada dia, Jesus ensinou-nos a rezar:\u00a0\u00a0 \u201co p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje\u201d. Tira-se a vida n\u00e3o s\u00f3 quando se mata em a\u00e7\u00e3o direta &#8211; como se faz nos abortamentos e similares -, mas tamb\u00e9m quando se rouba o p\u00e3o do irm\u00e3o. Tamb\u00e9m quando n\u00e3o se sabe repartir. Esse problema \u00e9 o problema maior da humanidade. O Evangelho n\u00e3o nos deixa mentir. Escute, leitor, o que ensinou Jesus: \u201cvinde, benditos de meu Pai, recebei por heran\u00e7a o reino que vos est\u00e1 preparado desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo. Porque tive fome e me destes de comer&#8230;\u201d E disse tamb\u00e9m: \u201capartai-vos de mim malditos para o fogo eterno preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome e n\u00e3o me deste de comer&#8230;\u201d (cf Mt 25,31-46). Ora, se a vida econ\u00f4mica da sociedade se organiza de tal forma que os bens \u2013 \u201cp\u00e3o\u201d significa todos os bens necess\u00e1rios para uma vida digna \u2013 deste mundo se concentram nas m\u00e3os de uma parte da humanidade em detrimento da outra, estamos diante de uma situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a, embutida na ordem econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, o momento que vivemos est\u00e1 a nos dizer da necessidade de ordem econ\u00f4mica mais justa. \u00c9 curioso e sintom\u00e1tico que, para enfrentar a presente crise, o presidente Bush re\u00fana os oito grandes e que, subseq\u00fcentemente, queira reunir os vinte emergentes. E as outras na\u00e7\u00f5es? Elas n\u00e3o t\u00eam nada a dizer da atual (des)ordem econ\u00f4mica\u00a0 internacional? Em 2004 o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja advertia: \u201cnos organismos internacionais devem ser equitativamente representados os interesses da grande fam\u00edlia humana; \u00e9 necess\u00e1rio que estas institui\u00e7\u00f5es, ao avaliarem as conseq\u00fc\u00eancias das suas decis\u00f5es, tenham em devida conta aqueles povos e pa\u00edses que t\u00eam escasso peso no mercado internacional, mas em si concentram as necessidades mais graves e dolorosas, e necessitam de maior apoio para o seu desenvolvimento\u201d(n. 371).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jo\u00e3o Paulo II ensinava em uma de suas enc\u00edclicas sociais: \u201cA solidariedade ajuda-nos a ver o outro \u2014 pessoa, povo ou na\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o como um instrumento qualquer, do qual se explora, a baixo pre\u00e7o, a capacidade de trabalho e a resist\u00eancia f\u00edsica, para o abandonar quando j\u00e1 n\u00e3o serve; mas sim, como um nosso semelhante, um aux\u00edlio (cf. G\u00e9n 2, 18. 20), que dever\u00e1 se tornar participante, como n\u00f3s, no banquete da vida, para o qual todos os homens s\u00e3o igualmente convidados por Deus. Donde a import\u00e2ncia de despertar a consci\u00eancia religiosa dos homens e dos povos\u201d. Na mesa da humanidade devem poder se assentar todos os seres humanos.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos princ\u00edpios basilares da Doutrina Social da Igreja \u00e9 o da destina\u00e7\u00e3o universal dos bens criados. Em linguagem religiosa significa que Deus criou o universo para o bem dos seres humanos, de todos eles. 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