{"id":11803,"date":"2009-03-13T00:00:00","date_gmt":"2009-03-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seguranca-e-punicao\/"},"modified":"2009-03-13T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-13T03:00:00","slug":"seguranca-e-punicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seguranca-e-punicao\/","title":{"rendered":"Seguran\u00e7a e Puni\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Punir foi, em todos os tempos, uma forma de coibir o mal na vida da sociedade. Quem faz o mal deve ser punido sempre, do contr\u00e1rio a distin\u00e7\u00e3o entre bem e mal desaparece da cultura e instala-se na sociedade o tanto faz. E \u00e9 necess\u00e1rio premiar o bem. Ensina a neuroci\u00eancia que em nosso c\u00e9rebro existe a inst\u00e2ncia da recompensa como tamb\u00e9m a da desaprova\u00e7\u00e3o, da puni\u00e7\u00e3o, da culpa. At\u00e9 os sete anos a crian\u00e7a recebe de fora &#8211; pais e educadores &#8211; as sinaliza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias sobre o que \u00e9 o bem e o mal nas situa\u00e7\u00f5es concretas. A partir da\u00ed a pr\u00f3pria crian\u00e7a, em progressiva autonomia, se dirigir\u00e1 na vida orientada pela sua pr\u00f3pria consci\u00eancia.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta, a consci\u00eancia, deve ser continuamente alimentada por valores que traduzam de forma concreta a dignidade da pessoa e que de fato a conduzam pelos caminhos da pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o e da realiza\u00e7\u00e3o da humanidade como um todo. N\u00e3o s\u00e3o quaisquer caminhos que fazem a pessoa realizada e, consequentemente, feliz. A voz da consci\u00eancia \u00e9 a voz de Deus, porque \u00e9 a voz da natureza profunda da pessoa humana, por Ele criada \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Essa voz \u00e9 de aprova\u00e7\u00e3o ou de desaprova\u00e7\u00e3o &#8211; recompensa ou puni\u00e7\u00e3o &#8211; conforme o caminho tomado seja construtivo ou destrutivo da pr\u00f3pria dignidade. A desaprova\u00e7\u00e3o pode vir sob a forma de uma insatisfa\u00e7\u00e3o indefinida ou sob a forma de culpa mais ou menos clara. \u00c9 o reclamo da dignidade humana ofendida. \u00c9 o grito da verdade pedindo espa\u00e7o. A revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 considera uma verdadeira gra\u00e7a poder identificar o pr\u00f3prio pecado, confess\u00e1-lo, dar-lhe um nome: \u201cpequei, Senhor, miseric\u00f3rdia\u201d(Sl 32,3-5 2; Sl 50). A voz da consci\u00eancia se faz sempre ouvir, por mais que dela fujamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta forma de entender a consci\u00eancia, como inst\u00e2ncia garantidora da seguran\u00e7a no caminho da realiza\u00e7\u00e3o da pessoa e da comunidade humana, permite-nos pensar a moral como codifica\u00e7\u00e3o dos valores e das normas que na cultura expressam a voz da consci\u00eancia e como garantia da dignidade do ser humano. As novas gera\u00e7\u00f5es recebem da cultura, dentro da qual crescem, esses valores e essas normas. A fam\u00edlia \u00e9 a primeira nesse processo, logo depois vem a escola e outras institui\u00e7\u00f5es sociais. A religi\u00e3o tem nesse processo papel fundamental bem como as Igrejas com seus ritos, sua catequese e sua proposta de felicidade. O Estado deve zelar para que a educa\u00e7\u00e3o seja integral e n\u00e3o apenas uma forma de preparar para o mercado. Esse \u00e9 o horizonte mais amplo dentro do qual devemos interpretar a atual crise que assola a sociedade. Est\u00e1 na ordem do dia o tema da impunidade. Ele volta sempre que um crime especialmente repugnante interrompe a rotina j\u00e1 aceita de crimes menores e menos violentos &#8211; ser\u00e1 o aborto um crime menor e menos violento? &#8211; e outras desordens morais, algumas estimuladas pela atual cultura. Toda a\u00e7\u00e3o m\u00e1 deve ser punida. E todo desvio de conduta precisa ser desaprovado e toda conduta correta estimulada. Isso come\u00e7a em casa, na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E continua pela vida afora. O amor deve presidir esse processo para n\u00e3o transformar a obra educativa em mera repress\u00e3o, geradora de ang\u00fastia e culpabilidade m\u00f3rbida. Quando uma sociedade perde a no\u00e7\u00e3o do correto e do moralmente incorreto, est\u00e1 aberto o caminho de sua pr\u00f3pria decad\u00eancia. N\u00e3o ser\u00e1 isso o que est\u00e1 acontecendo hoje onde se prega que tudo \u00e9 permitido desde que se evitem as conseq\u00fc\u00eancias negativas das pr\u00f3prias escolhas? N\u00e3o se pode isolar um aspecto da vida moral dos outros aspectos. A impunidade dos chamados crimes de \u201ccolarinho branco\u201d enseja os latroc\u00ednios. Os v\u00edcios da bebida e as infidelidades conjugais desintegram a vida familiar e geram pessoas revoltadas. A pr\u00e1tica do sexo, desvinculada de crit\u00e9rios morais, fora de sua finalidade e da alian\u00e7a de amor, enfraquece o gosto pela virtude e pelo sacrif\u00edcio, necess\u00e1rios \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Vivemos uma atmosfera cultural onde a busca da pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o imediata &#8211; confundida com direito de ser feliz &#8211; se tornou o crit\u00e9rio maior das decis\u00f5es humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 o corpo inteiro que est\u00e1 doente. \u00c0 aus\u00eancia da devida puni\u00e7\u00e3o por parte da sociedade deve se acrescentar a eros\u00e3o do senso \u00e9tico nos indiv\u00edduos produzida por um progressivo relaxamento &#8211; amparado pela cultura do \u201ccarpe diem\u201d &#8211; dos costumes em escala global. Os bispos do Brasil ligam a viol\u00eancia ao processo mais amplo de banaliza\u00e7\u00e3o da vida: \u201cO empenho em resolver problemas pr\u00e1ticos e t\u00e9cnicos e a rejei\u00e7\u00e3o a qualquer questionamento a respeito do significado \u00faltimo e do destino de tudo, produz uma maneira banal de considerar a exist\u00eancia. A vasta opera\u00e7\u00e3o de banaliza\u00e7\u00e3o leva muitos a viverem sem ideal e sem fim transcendente. Imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer uma conex\u00e3o entre essa cultura da banalidade e o crescimento vertiginoso da viol\u00eancia urbana, especialmente na \u00faltima d\u00e9cada\u201d(CNBB, doc. 80)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Punir foi, em todos os tempos, uma forma de coibir o mal na vida da sociedade. Quem faz o mal deve ser punido sempre, do contr\u00e1rio a distin\u00e7\u00e3o entre bem e mal desaparece da cultura e instala-se na sociedade o tanto faz. E \u00e9 necess\u00e1rio premiar o bem. 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