{"id":11804,"date":"2009-03-13T00:00:00","date_gmt":"2009-03-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/escolhe-a-vida\/"},"modified":"2009-03-13T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-13T03:00:00","slug":"escolhe-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/escolhe-a-vida\/","title":{"rendered":"Escolhe a vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Acabo de ler a not\u00edcia de que no Rio Grande do Sul acaba de nascer um beb\u00ea, filho de uma menina de 11 anos, violentada pelo padrasto. O horror diante da viol\u00eancia sexual do padrasto contamina o olhar de muitos que acabam por transferir esse horror para o concepto. Entretanto dificilmente algu\u00e9m proporia a elimina\u00e7\u00e3o de um rec\u00e9m-nascido como forma de condenar o ato perverso do agressor. A raz\u00e3o \u00e9 simples: tem-se diante dos olhos um ser humano fr\u00e1gil e absolutamente inocente.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">olhar, obscurecido pelo horror do estupro, se ilumina de ternura diante da fr\u00e1gil beleza de uma vida humana que veio \u00e0 luz. Que crime horroroso cometeria quem ousasse sacrificar tal vida! Seria considerado um \u201cmonstro\u201d e provavelmente correria o risco de ser linchado em pra\u00e7a p\u00fablica. Pois bem, prezado leitor, reflita comigo: aquela vida era menos humana, menos carente de ternura e de prote\u00e7\u00e3o, dois, tr\u00eas, seis, oito meses antes? Os abortistas se aproveitam do horror que \u00e9 o estupro de um padrasto ou pai, para transformar a Igreja Cat\u00f3lica em vil\u00e3, quando, de fato, ela \u00e9 testemunha da ternura de Deus pelos inocentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi nestes dias orquestrada uma campanha publicit\u00e1ria para desmoralizar a Igreja e, consequentemente, enfraquecer a resist\u00eancia do povo \u00e0s reiteradas tentativas de tornar o aborto uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. \u00c9 lament\u00e1vel que nosso Presidente tenha se tornado propagandista de tal proposta. Aproveitaram tamb\u00e9m para retomar a quest\u00e3o da pesquisa com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias e passar para os incautos a id\u00e9ia de que a Igreja, al\u00e9m de conservadora, se op\u00f5e ao avan\u00e7o da ci\u00eancia por preconceito religioso. Repito o que afirmei em outra ocasi\u00e3o: \u201cPodem criticar a Igreja com os adjetivos que quiserem, mas reconhe\u00e7am que sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 defesa da sacralidade da vida que n\u00e3o pode ser manipulada sob o pretexto de dar felicidade a quem quer que seja\u201d. A este prop\u00f3sito pe\u00e7o ao leitor que me acompanhe em mais um esfor\u00e7o de reflex\u00e3o. A campanha publicit\u00e1ria, realizada tamb\u00e9m no Brasil para aprova\u00e7\u00e3o pelo STF da pesquisa com c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias, valeu-se da presen\u00e7a e da apresenta\u00e7\u00e3o na M\u00eddia sobretudo de v\u00edtimas de traumatismo da coluna, que seriam beneficiadas por essas pesquisas. N\u00e3o discuto o poss\u00edvel sucesso dessas pesquisas. Mas coloco a quest\u00e3o \u00e9tica que assim deve ser formulada. \u00c9 eticamente justific\u00e1vel manipular embri\u00f5es humanos para essa finalidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A finalidade boa justifica a manipula\u00e7\u00e3o? O embri\u00e3o humano merece tratamento diferenciado em rela\u00e7\u00e3o a embri\u00f5es de ovelhas, por exemplo? Por ser vida humana em desenvolvimento &#8211; ainda que bloqueado em estado de crio-conserva\u00e7\u00e3o &#8211; n\u00e3o se pode justificar nunca a destrui\u00e7\u00e3o de um embri\u00e3o humano. O tradicional e consolidado princ\u00edpio \u00e9tico deve ser aqui aplicado com rigor: o fim bom n\u00e3o justi\u00e7a os meios eticamente reprov\u00e1veis. O argumento dos que foram favor\u00e1veis ao uso de embri\u00f5es humanos para fins de pesquisa \u00e9 que esta seria uma maneira digna de aproveitar os milhares de embri\u00f5es guardados em laborat\u00f3rios e que nunca ser\u00e3o implantados. A verdade \u00e9tica \u00e9 que n\u00e3o deveria haver embri\u00f5es produzidos \u201cin vitro\u201d e muito menos congelados.\u00a0 Mas, aten\u00e7\u00e3o leitor, se os fins justificam os meios &#8211; o fim \u00e9 a poss\u00edvel cura de muitas doen\u00e7as &#8211; n\u00e3o vejo por que n\u00e3o produzir embri\u00f5es especificamente para essas pesquisas. E mais ainda: por que n\u00e3o legalizar a produ\u00e7\u00e3o de embri\u00f5es clonados? O mesmo racioc\u00ednio vale para o aborto. Se \u00e9 poss\u00edvel o aborto nesse ou naquele caso, por que n\u00e3o sempre que a mulher gr\u00e1vida o desejar? \u00c9 absolutamente il\u00f3gica a legisla\u00e7\u00e3o portuguesa que permitiu a interrup\u00e7\u00e3o da vida do ser humano em forma\u00e7\u00e3o apenas at\u00e9 o quarto m\u00eas de gesta\u00e7\u00e3o. Por que n\u00e3o at\u00e9 o quinto, at\u00e9 o sexto, at\u00e9 o s\u00e9timo, at\u00e9 oitavo, at\u00e9 o nono, at\u00e9 o d\u00e9cimo?\u00a0 Os inimigos da Igreja n\u00e3o s\u00e3o leais. Poderiam ao menos reconhecer que nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria, racionalmente defens\u00e1vel, e radical na defesa da vida. T\u00e3o radical que prev\u00ea no seu C\u00f3digo de Direito a pena de exclus\u00e3o da vida eclesial para aqueles que, com conhecimento de causa,\u00a0 praticam o aborto. Assim: \u201cQuem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunh\u00e3o latae sententiae\u201d(c.1398). \u201cLatae sententiae\u201d significa que o simples fato de praticar o delito coloca a pessoas ou pessoas em estado de exclus\u00e3o da vida sacramental e de outros direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Direito da Igreja, entretanto, disp\u00f5e que \u201cn\u00e3o \u00e9 pass\u00edvel de nenhuma pena, ao violar a lei ou o preceito: 1. quem ainda n\u00e3o completou dezesseis anos de idade; 2. quem, sem culpa, ignorava estar violando a lei ou um preceito; a inadvert\u00eancia e o erro equiparam-se \u00e0 ignor\u00e2ncia\u201d(c. 1323). Nem sempre, portanto, ser\u00e1 a gestante a incorrer na excomunh\u00e3o. Ela \u00e9, n\u00e3o raro, mais v\u00edtima do que autora. O m\u00e9dico cat\u00f3lico e todos os cat\u00f3licos que diretamente concorrem para a pr\u00e1tica do aborto, conscientes do que est\u00e3o fazendo, incorrem em excomunh\u00e3o e devem procurar a confiss\u00e3o para obterem de Deus o perd\u00e3o do pecado e da Igreja a cessa\u00e7\u00e3o da excomunh\u00e3o. As duas crian\u00e7as g\u00eameas, recentemente abortadas, nos aguardam no mist\u00e9rio de Deus. Haver\u00e3o de nos perguntar um dia: \u201cpor que voc\u00eas n\u00e3o nos deixaram viver\u201d?<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acabo de ler a not\u00edcia de que no Rio Grande do Sul acaba de nascer um beb\u00ea, filho de uma menina de 11 anos, violentada pelo padrasto. O horror diante da viol\u00eancia sexual do padrasto contamina o olhar de muitos que acabam por transferir esse horror para o concepto. 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