{"id":11805,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/matrimonio-e-celibato\/"},"modified":"2008-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-28T03:00:00","slug":"matrimonio-e-celibato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/matrimonio-e-celibato\/","title":{"rendered":"Matrim\u00f4nio e Celibato"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 quem queira opor matrim\u00f4nio e celibato. S\u00e3o, entretanto, duas formas de viver o amor. Certa vez, tendo Jesus ensinado que a uni\u00e3o matrimonial n\u00e3o podia ser desfeita por decis\u00e3o humana e que repudiar a esposa e tentar se unir a outra era adult\u00e9rio, os disc\u00edpulos assim reagiram: \u201cse a situa\u00e7\u00e3o do homem com a mulher \u00e9 essa, \u00e9 melhor n\u00e3o se casar\u201d. Ao que Jesus respondeu: \u201cnem todos s\u00e3o capazes de entender isso, mas s\u00f3 aqueles a quem \u00e9 concedido\u201d e afirmou que h\u00e1 aqueles que n\u00e3o se casam por incapacidade, porque nasceram assim ou porque foram mutilados, acrescentando: \u201coutros ainda, por causa do Reino dos C\u00e9us, se fizeram incapazes \u2013 abriram m\u00e3o \u2013 do casamento. Quem puder entender, entenda\u201d ( cf Mat 19,3-12).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Veja o leitor que o questionamento dos disc\u00edpulos tinha ra\u00edzes no ego\u00edsmo, no caso machista. Jesus ensina que casamento \u00e9 obra de amor, e amor de verdade vai sempre adiante. Qualquer tenta\u00e7\u00e3o de voltar atr\u00e1s \u00e9 oportunidade de maior amor. Sem especial gra\u00e7a de Deus \u00e9 imposs\u00edvel compreender o matrim\u00f4nio como consagra\u00e7\u00e3o. Ora, o celibato, pelo Reino, como consagra\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma forma igualmente sublime de amar. Exige fidelidade e cotidiana dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A castidade dos casados significa que suas rela\u00e7\u00f5es, desde as mais \u00edntimas, devem estar purificadas de qualquer forma de ego\u00edsmo e de domina\u00e7\u00e3o, que fazem do companheiro puro objeto do desejo. O religioso, em especial o padre, reserva-se para o servi\u00e7o de Deus e dos irm\u00e3os. Sua castidade \u00e9 sinal de doa\u00e7\u00e3o exclusiva \u00e0 comunidade, para o que ele abre m\u00e3o da forma matrimonial de viver o amor. \u201cQuem puder entender, entenda\u201d, alertou Jesus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim como o matrim\u00f4nio, como obra de amor, s\u00f3 pode ser compreendido e vivido com a luz e a for\u00e7a da gra\u00e7a, assim tamb\u00e9m acontece com a consagra\u00e7\u00e3o pelo celibato. Quem acolhe este caminho, e o vive de fato, \u00e9 feliz daquela felicidade que s\u00f3 Deus pode dar, ter\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o a alegria que Jesus prometeu dar aos disc\u00edpulos, que deixassem tudo para segui-lo. \u00c9 a mesma alegria do casal que vive a fidelidade, a m\u00fatua doa\u00e7\u00e3o \u201cna alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, todos os dias da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No tempo de Jesus era dif\u00edcil entender assim o casamento. Os disc\u00edpulos mesmos, embora j\u00e1 empolgados pela pessoa de Jesus, experimentaram essa dificuldade. Era-lhes muito mais dif\u00edcil compreender o celibato, ou seja, a consagra\u00e7\u00e3o, por uma castidade total, ao Reino. Hoje, com a eleva\u00e7\u00e3o do prazer \u00e0 categoria de sentido de vida, a castidade \u00e9 dada como imposs\u00edvel. Sabemos, entretanto, que o amor verdadeiro \u00e9 maior que o prazer, do que a posse e do que o poder. S\u00f3 ele, o amor, d\u00e1 sentido e alegria \u00e0 vida humana. Esta \u00e9 a verdade, a verdade do evangelho e a verdade mais profunda do ser humano, aquilo que lhe d\u00e1 dignidade e que aponta o \u00fanico caminho poss\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o de uma humanidade feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No momento em que certa cultura vulgariza o matrim\u00f4nio e produz do amor uma nojenta caricatura, \u00e9 nosso dever afirmar a grandeza e o sentido verdadeiro do amor humano. O Matrim\u00f4nio ser\u00e1 sempre aquela grandeza criada por Deus e santificada por Cristo. E o celibato pelo Reino jamais deixar\u00e1 de ser um real testemunho do amor de Cristo pela humanidade. As falhas dos casais crist\u00e3os, suas infidelidades, n\u00e3o anulam a dignidade do matrim\u00f4nio, devem levar \u00e0 penit\u00eancia e a retomada do caminho. N\u00e3o nascemos castos, tornamo-nos castos, e sempre mais, pela gra\u00e7a de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tamb\u00e9m n\u00f3s, religiosos, celibat\u00e1rios pelo Reino, crescemos na busca de um amor sempre mais livre das humanas paix\u00f5es, no seguimento de Jesus, casto, pobre e obediente. Nossas eventuais falhas, ou as atitudes destoantes de alguns, n\u00e3o deslustram a beleza do celibato como forma de seguir o Senhor. Vivemos uma \u00e9poca em que, mais que nunca, \u00e9-nos pedido, a casados e celibat\u00e1rios, um renovado empenho no caminho da santidade. A gra\u00e7a de Deus h\u00e1 de nos sustentar, como sustentou a Pedro no resto de sua vida, depois da dolorosa experi\u00eancia de sua fraqueza, quando negou Jesus por tres vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Povo Crist\u00e3o, em especial os cat\u00f3licos, sabem que a vida de um sacerdote \u00e9 cercada de perigos e de tenta\u00e7\u00f5es e, por isso, ora incessantemente pela santifica\u00e7\u00e3o de seus ministros ordenados. O ser humano e as institui\u00e7\u00f5es fundamentais da sociedade gozam de tal dignidade que nenhuma indignidade nossa pode destruir.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quem queira opor matrim\u00f4nio e celibato. S\u00e3o, entretanto, duas formas de viver o amor. 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