{"id":11806,"date":"2008-10-01T00:00:00","date_gmt":"2008-10-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sexualidade-humana\/"},"modified":"2008-10-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-01T03:00:00","slug":"sexualidade-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sexualidade-humana\/","title":{"rendered":"Sexualidade Humana"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Vida, para o ser humano, \u00e9 a experi\u00eancia de ser algu\u00e9m em comunh\u00e3o com o outro, reflexo do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio. Sendo o ser humano um ser corporal e sexuado, esta experi\u00eancia tem uma dimens\u00e3o corporal, se d\u00e1 e se manifesta no corpo. O n\u00facleo dessa experi\u00eancia, entretanto, \u00e9 espiritual no sentido de que ela acontece pela presen\u00e7a de si a si mesmo e ao outro. Poder\u00edamos chamar essa experi\u00eancia de autoconsci\u00eancia vital. Ao se experimentar assim o ser humano colhe tamb\u00e9m o outro, o mundo e as pessoas. \u00c9 uma experi\u00eancia de harmonia. Nela \u00e9 suprimido todo conflito. Ela se traduz em sentimentos e emo\u00e7\u00f5es e se mostra no corpo. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio dizer que, no tempo da hist\u00f3ria, esta experi\u00eancia \u00e9 processo. Da\u00ed ser possu\u00edda na esperan\u00e7a, que j\u00e1 \u00e9 uma forma de possuir o que vir\u00e1. Mas, por isso mesmo, \u00e9 uma experi\u00eancia em que estamos sujeitos a enganos ao busc\u00e1-la. E n\u00f3s a buscamos sempre, \u00e0s vezes desesperadamente.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sendo o encontro sexual, quer pela intensidade do prazer f\u00edsico, quer pelas emo\u00e7\u00f5es do envolvimento er\u00f3tico, um momento corporal de forte experi\u00eancia de si e de intensa comunica\u00e7\u00e3o com o outro, ele parece responder ao desejo profundo de sentir-se a si mesmo e de experimentar comunh\u00e3o com o outro. E, naqueles instantes, a pessoa pode assim se sentir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a pessoa, no conjunto de sua vida cultiva uma experi\u00eancia profunda de si e de comunica\u00e7\u00e3o com os outros, o momento do encontro sexual &#8211; no matrim\u00f4nio &#8211; ser\u00e1 express\u00e3o e fonte de uma vida a dois positiva.\u00a0 O sexo, entretanto, por si mesmo, n\u00e3o \u00e9 fonte de vida para a pessoa. N\u00e3o \u00e9 solu\u00e7\u00e3o para problemas de solid\u00e3o e para car\u00eancias afetivas. Quando para esse fim se busca a experi\u00eancia sexual, a rela\u00e7\u00e3o entre os parceiros acaba por se desgastar e se torna doentia, lugar de manifesta\u00e7\u00e3o das mais variadas formas de imaturidade, tais como: possessividade, ci\u00fame, domina\u00e7\u00e3o, sado-masoquismo e outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas \u00e9 verdade que situa\u00e7\u00f5es estressantes podem levar a buscar no sexo o desafogo, como recomendou certa vez uma ministra: \u201crelaxa e goza\u201d.\u00a0 Da mera curiosidade adolescente pode se passar para a pr\u00e1tica masturbat\u00f3ria como v\u00e1lvula de escape para tens\u00f5es emocionais. E quando se aprende a ter o parceiro(a) acrescenta-se \u00e0 experi\u00eancia f\u00edsica do prazer a sensa\u00e7\u00e3o de companhia, o envolvimento er\u00f3tico. Assim o c\u00e9rebro aprende &#8211; instala-se um mecanismo &#8211; mobilizar a \u00e1rea do prazer sexual como forma de superar o desconforto. A for\u00e7a desse mecanismo \u00e9 poderosa porque na verdade a experi\u00eancia sexual parece responder \u00e0 necessidade profunda de comunica\u00e7\u00e3o do ser humano.\u00a0 Mas uma coisa \u00e9 certa, o sexo n\u00e3o resolve a insatisfa\u00e7\u00e3o profunda, doentia ou n\u00e3o, que costuma acompanhar o ser humano desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 ainda outros fatores que levam a pessoa a buscar a experi\u00eancia sexual como resposta.\u00a0 Nos adolescentes pode ser simplesmente o desejo de experimentar. Mas, em uma cultura que leva o sexo \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sentido de vida, o desejo de fazer a experi\u00eancia acaba se transformando em necessidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nesse contexto humano e cultural que os crist\u00e3os devem testemunhar a dignidade maior da pessoa humana atrav\u00e9s da viv\u00eancia da castidade. A impossibilidade de experimentar-se positivamente em comunh\u00e3o com os outros &#8211; experimentar amor &#8211; \u00e9 a morte. Como se trata de um processo, nenhum de n\u00f3s chegou \u00e0 plenitude dessa experi\u00eancia. Vivemo-la como caminho. Isto \u00e9 suficiente para sermos felizes no tempo da hist\u00f3ria. Os vazios dessa experi\u00eancia s\u00e3o assumidos como apelos a nela crescer. Donde a import\u00e2ncia da esperan\u00e7a como certeza do acerto do caminho. \u00c9 dentro desse horizonte que podemos entender a sexualidade humana enquanto impulso na dire\u00e7\u00e3o do outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eros \u00e9, em sua raiz, impulso para a comunh\u00e3o, busca de plenitude, desejo de envolvimento. Eros pode ser fonte de crescimento, for\u00e7a que impele para os envolvimentos m\u00edsticos. Mas pode perder-se nas emo\u00e7\u00f5es vindas de fora, da estimula\u00e7\u00e3o dos sentidos e da excita\u00e7\u00e3o produzida pela qu\u00edmica do prazer. Sem d\u00favida, o instinto sexual objetiva garantir a continuidade da esp\u00e9cie. No ser humano o instinto sexual \u00e9 parte de um todo onde raz\u00e3o e liberdade constituem nossa identidade espec\u00edfica. Assim, ao mesmo tempo em que a sexualidade humana objetiva garantir a continuidade da esp\u00e9cie, ela se torna lugar privilegiado de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O encontro sexual entre homem e mulher deveria, pois, inclusive em raz\u00e3o da intimidade do abra\u00e7o, ser um momento de profunda e real comunh\u00e3o. Mais que a intensidade do prazer f\u00edsico a rela\u00e7\u00e3o sexual deveria ser a celebra\u00e7\u00e3o do amor vivido na comunh\u00e3o cotidiana da vida. No ser humano, portanto, o sexo, enquanto rela\u00e7\u00e3o exprime e comunica o que a pessoa vive. Deveria ser express\u00e3o de amor, manifesta\u00e7\u00e3o da riqueza interior que se comunica ao parceiro e que tem a for\u00e7a de gerar outra vida. Matrim\u00f4nio \u00e9 uni\u00e3o que gera vida. O que foge disto \u00e9 perda de dignidade. (continua)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vida, para o ser humano, \u00e9 a experi\u00eancia de ser algu\u00e9m em comunh\u00e3o com o outro, reflexo do mist\u00e9rio trinit\u00e1rio. Sendo o ser humano um ser corporal e sexuado, esta experi\u00eancia tem uma dimens\u00e3o corporal, se d\u00e1 e se manifesta no corpo. 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