{"id":11807,"date":"2008-10-01T00:00:00","date_gmt":"2008-10-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-uma-sexualidade-integrada\/"},"modified":"2008-10-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-01T03:00:00","slug":"por-uma-sexualidade-integrada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/por-uma-sexualidade-integrada\/","title":{"rendered":"Por uma sexualidade integrada"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A comunica\u00e7\u00e3o humana se faz pelo corpo. Nosso corpo fala, \u00e9 \u201csacramento\u201d do que nos vai por dentro. Sentimo-nos felizes quando temos de n\u00f3s mesmos uma experi\u00eancia positiva de unidade interior que inclui necessariamente uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa com o outro &#8211; mundo e pessoas. Sentir-se profundamente ligado ao outro \u00e9, no ser humano uma experi\u00eancia espiritual, que se exprime na palavra e nos gestos.\u00a0 Os sinais corporais de comunh\u00e3o &#8211; o olhar, a aperto de m\u00e3o, o abra\u00e7o &#8211; s\u00e3o importantes: exprimem e alimentam o amor. O adulto sabe receber amor, mas n\u00e3o depende do outro para experimentar amor. \u00c9 assim que Jesus se tornou para n\u00f3s modelo supremo de humanidade.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como diz\u00edamos em artigo anterior, \u201ca impossibilidade de experimentar-se positivamente em comunh\u00e3o com os outros &#8211; experimentar amor &#8211; \u00e9 a morte. Como se trata de um processo, nenhum de n\u00f3s chegou \u00e0 plenitude dessa experi\u00eancia. Vivemo-la como caminho. Isto \u00e9 suficiente para sermos felizes no tempo da hist\u00f3ria. Os vazios dessa experi\u00eancia s\u00e3o assumidos como apelos a nela crescer. Donde a import\u00e2ncia da esperan\u00e7a como certeza do acerto do caminho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No ser humano sexo, enquanto rela\u00e7\u00e3o, exprime e comunica o que a pessoa vive. Deveria ser express\u00e3o de amor, manifesta\u00e7\u00e3o da riqueza interior que se comunica ao parceiro e que tem a for\u00e7a de gerar outra vida. O que foge disto \u00e9 perda de dignidade. A rela\u00e7\u00e3o sexual perde sua dimens\u00e3o de grandeza quando se torna gesto de domina\u00e7\u00e3o: o macho subjuga a f\u00eamea. A mulher se torna simples objeto de prazer, a servi\u00e7o do homem no conjunto da vida.\u00a0 \u201cSe \u00e9 essa a condi\u00e7\u00e3o do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, n\u00e3o vale a pena se casar\u201d (Mt 19,10), exclamaram os disc\u00edpulos diante da palavra de Jesus sobre a dignidade do matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sexo, quando \u00e9 simples busca de prazer, ainda que acordada entre as partes, sem nenhum projeto de vida a dois, n\u00e3o gera verdadeira comunh\u00e3o, antes se torna express\u00e3o de um vazio interior jamais resolvido.\u00a0 Em nossa cultura, fortemente marcada pelo hedonismo, o sexo \u00e9 proposto como resposta ao desejo de vida que pulsa forte no cora\u00e7\u00e3o humano. Mas a verdade \u00e9 que nos momentos em que a boa experi\u00eancia de ser algu\u00e9m &#8211; pessoa &#8211; entra em crise, emerge forte o apelo ao sexo como resposta ao desconforto do momento. Crises prolongadas de identidade, aus\u00eancia da satisfa\u00e7\u00e3o no trabalho e na miss\u00e3o, levam inevitavelmente a buscar no sexo a compensa\u00e7\u00e3o. Donde a import\u00e2ncia de educar para a castidade desde a inf\u00e2ncia, oferecendo, sobretudo aos adolescentes, uma reta compreens\u00e3o do sentido da sexualidade e proporcionando-lhes um ambiente sadio, feito de compreens\u00e3o e de sincera amizade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se a fam\u00edlia e a escola n\u00e3o oferecerem uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o para a virtude, n\u00e3o teremos cidad\u00e3os capazes de sacrif\u00edcio pelo bem comum. Mas, ser\u00e1 poss\u00edvel apresentar aos jovens a castidade como parte integrante de um projeto de vida? \u00c9 claro que \u00e9 poss\u00edvel, desde que os educadores, eles mesmos, estejam convencidos da beleza da virtude. A castidade \u00e9 parte da virtude cardeal da temperan\u00e7a \u201cque tem em vista impregnar de raz\u00e3o as paix\u00f5es e os apetites da sensibilidade humana\u201d, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (2341). Nenhum educador, em s\u00e3 consci\u00eancia, julga que deixar-se levar pelos impulsos instintivos ou se dominar por paix\u00f5es desordenadas possa ser fonte de felicidade para a pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Entretanto, h\u00e1, em nosso pa\u00eds, uma campanha sistem\u00e1tica, com o intuito de prevenir AIDS e gravidez precoce, que passa a seguinte mensagem: \u201cpratique sexo \u00e0 vontade, mas se cuide, use camisinha\u201d. Arist\u00f3teles prop\u00f4s, j\u00e1 antes de Cristo, a virtude como o caminho necess\u00e1rio para a constru\u00e7\u00e3o da felicidade. E como a felicidade \u00e9 aspira\u00e7\u00e3o de todos Arist\u00f3teles considerava ser tarefa da pol\u00edtica procur\u00e1-la.\u00a0 Por isso atribu\u00eda ao Estado a miss\u00e3o de promover a educa\u00e7\u00e3o para a virtude das crian\u00e7as e dos jovens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A sexualidade s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente humana quando inserida no horizonte da raz\u00e3o, da liberdade e do amor. Ela \u201ccomporta uma aprendizagem do dom\u00ednio de si, que \u00e9 uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa \u00e9 clara: ou o ser humano comanda suas paix\u00f5es e obt\u00e9m a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz\u201d(CIC 2339). A castidade \u00e9 virtude necess\u00e1ria para casados e para celibat\u00e1rios. Ela d\u00e1 grandeza \u00e0 intimidade pr\u00f3pria dos casais fazendo de suas rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas verdadeira doa\u00e7\u00e3o de amor e d\u00e1 dignidade \u00e0 contin\u00eancia sexual,\u00a0 tantas vezes exigida na vida do casal. \u00c9 ainda o empenho por uma vida casta que prepara os jovens para o matrim\u00f4nio, garantindo-lhes que a for\u00e7a que os une \u00e9 maior do que a mera paix\u00e3o que os atrai. Conter-se no tempo de namoro \u00e9 abrir espa\u00e7o para emerg\u00eancia de um amor maior capaz de sustentar a futura uni\u00e3o \u201cna alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a\u201d at\u00e9 o fim. Quando \u00e9 a mera paix\u00e3o o motivo do casamento, este tem dura\u00e7\u00e3o fugaz: morre quando morre o \u201camor-paix\u00e3o\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A comunica\u00e7\u00e3o humana se faz pelo corpo. 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