{"id":11808,"date":"2008-10-01T00:00:00","date_gmt":"2008-10-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-castidade-celibataria\/"},"modified":"2008-10-01T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-01T03:00:00","slug":"a-castidade-celibataria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-castidade-celibataria\/","title":{"rendered":"A castidade celibat\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Amar \u00e9 o sentido da vida do ser humano: amar-se, amar os outros e amar a Deus sobre todas as coisas. Amar como Jesus amou. Ele veio da comunh\u00e3o com o Pai para concretizar para n\u00f3s, no tempo, uma comunh\u00e3o que \u00e9 resposta aos anseios mais profundos de nosso ser, plenitude de vida. A castidade celibat\u00e1ria \u00e9 sinal do reino, como nos ensinou Jesus quando afirmou: \u201ch\u00e1 eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos c\u00e9us\u201d (Mt 19,12). Tamb\u00e9m o matrim\u00f4nio, assumido no seu sentido pleno, \u00e9 revelador do reino, encontro de Deus com a humanidade, em Cristo. Mas a castidade celibat\u00e1ria o \u00e9 de um modo especial, sinal escatol\u00f3gico, porque anuncia o destino final da hist\u00f3ria &#8211; inclusive o sentido transcendente do matrim\u00f4nio -, uma vez que a ressurrei\u00e7\u00e3o inaugurar\u00e1 a fase definitiva do reino quando \u201ctodos ser\u00e3o como anjos de Deus\u201d, n\u00e3o havendo mais casamento \u201c(Cf Mt 22,23-30).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se o amor \u00e9 que d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia, \u00e9 ele quem d\u00e1 sentido ao casar-se e ao n\u00e3o se casar. A condi\u00e7\u00e3o celibat\u00e1ria \u00e9 uma forma especial de seguimento de Jesus que se entregou para fazer surgir diante dele, cheia de beleza, sua Igreja. Ser\u00e1 um caminho de vida. A vida est\u00e1 na comunh\u00e3o. O aspecto de ren\u00fancia da vida celibat\u00e1ria n\u00e3o pode cobrir de sombra seu sentido de vida, pois seria negar promessa de Jesus de dar cem vezes mais a quem o seguisse deixando tudo (Cf. Mc 10,28-30). A castidade celibat\u00e1ria \u00e9 sinal do reino, op\u00e7\u00e3o de vida, um ideal de ser e um caminho de realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 comum afirmar-se que o religioso, por n\u00e3o viver a experi\u00eancia do casamento, n\u00e3o entende de sexo, como se entender de sexo fosse fruto da \u201cpr\u00e1tica sexual\u201d. Quem n\u00e3o aprendeu a conter-se\u00a0 &#8211; a contin\u00eancia \u00e9 parte da virtude da castidade -, n\u00e3o \u00e9 senhor de seus impulsos e dificilmente compreender\u00e1 a sexualidade como apelo \u00e0 comunh\u00e3o e como express\u00e3o de amor. A contin\u00eancia faz ir \u00e0s ra\u00edzes afetivas dos desejos, \u00e0s ra\u00edzes do impulso a buscar na experi\u00eancia do prazer a fugaz satisfa\u00e7\u00e3o de viver. Ao resistir aos apelos de suas car\u00eancias, o ser humano aprende a encontrar respostas verdadeiras para suas dificuldades, crescendo como pessoa.\u00a0 O celibat\u00e1rio sabe, por se abster de buscar no sexo a resposta para sua necessidade de comunica\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 na raiz da busca desenfreada do prazer. Sabe ainda, por experi\u00eancia vivida, mesmo em meio a dificuldades, que na comunh\u00e3o profunda &#8211; vivida em todas as dimens\u00f5es &#8211; \u00e9 que est\u00e1 a vida. Por isso sabe que, sem o cultivo de um amor sincero, sem uma comunh\u00e3o em processo permanente de crescimento, a vida sexual dos casais morre no vazio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A castidade do(a) religioso(a) d\u00e1-lhe condi\u00e7\u00e3o de ajudar os casais a viverem castamente seu matrim\u00f4nio. \u00c9 no amor verdadeiro que os casados devem viver sua vida \u00edntima. Por amor se unem no mais \u00edntimo dos abra\u00e7os e, por amor, devem se conter sexualmente quando necess\u00e1rio. Quando o casamento \u00e9 pensado e vivido no horizonte da busca de satisfa\u00e7\u00e3o er\u00f3tico-sexual, como o \u00e9 em nossa cultura hedonista, ele perde consist\u00eancia e dignidade para se transformar em express\u00e3o de um vazio jamais resolvido. Faz os parceiros infelizes e acaba gerando filhos sem lar. Multiplicam-se as separa\u00e7\u00f5es e se sucedem indefinida e inutilmente as uni\u00f5es. Chega-se ao ponto de se querer transformar em casamento as uni\u00f5es homossexuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este \u00e9 o contexto em que os crist\u00e3os s\u00e3o chamados a testemunhar o verdadeiro amor. Os religiosos, celibat\u00e1rios pelo reino, s\u00e3o testemunhas especiais desse amor e os fieis leigos olham para eles e deles recebem a certeza de que o matrim\u00f4nio \u00e9 muito mais que uma experi\u00eancia fugaz de envolvimento, \u00e9 uma experi\u00eancia profunda de encontro de pessoas, cujo modelo e fonte, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que se entrega pela sua Igreja. A contin\u00eancia sexual \u00e9 parte da castidade, sua mat\u00e9ria. Sua alma \u00e9 o amor. A pessoa casta, ao se conter, encontra formas superiores de comunica\u00e7\u00e3o. Desce \u00e0s suas ra\u00edzes e se torna capaz de oferecer o que tem de melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O amor verdadeiro se alimenta e se fortalece pela vida casta, tamb\u00e9m no matrim\u00f4nio. A experi\u00eancia er\u00f3tico-sexual \u00e9 uma experi\u00eancia intens\u00edssima de comunica\u00e7\u00e3o que termina no vazio quando as pessoas n\u00e3o t\u00eam uma experi\u00eancia profunda de si que d\u00ea conte\u00fado ao encontro amoroso. \u00c9 uma voz linda que n\u00e3o consegue ser palavra, di\u00e1logo, falta-lhe conte\u00fado, \u00e9 vazia de sentido.\u00a0 O vazio que se buscou preencher volta a ocupar o espa\u00e7o da consci\u00eancia, emergindo como culpa. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de ter investido errado. Multiplicam-se assim as formas de procurar prazer na tentativa desesperada de dar solu\u00e7\u00e3o ao desejo que n\u00e3o se extingue. Agostinho de Hipona que o diga. Como lhe foi dif\u00edcil a ruptura com os esquemas cerebrais instalados e como lhe ficou forte a percep\u00e7\u00e3o da concupisc\u00eancia como desvio do desejo! Em Cristo podemos reorientar nosso desejo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amar \u00e9 o sentido da vida do ser humano: amar-se, amar os outros e amar a Deus sobre todas as coisas. Amar como Jesus amou. Ele veio da comunh\u00e3o com o Pai para concretizar para n\u00f3s, no tempo, uma comunh\u00e3o que \u00e9 resposta aos anseios mais profundos de nosso ser, plenitude de vida. 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