{"id":11815,"date":"2010-05-18T00:00:00","date_gmt":"2010-05-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-principe-e-o-mendigo\/"},"modified":"2010-05-18T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-18T03:00:00","slug":"o-principe-e-o-mendigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-principe-e-o-mendigo\/","title":{"rendered":"O pr\u00edncipe e o mendigo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Um pr\u00edncipe, saindo um dia a passeio, passou bem perto de um mendigo que lhe pediu uma esmola dizendo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Fa\u00e7a a caridade a um pobre irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pr\u00edncipe parou, olhou o pobre e disse: &#8211; Eu n\u00e3o tenho irm\u00e3os pobres.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mendigo replicou: &#8211; N\u00f3s somos todos irm\u00e3os em Jesus Cristo. O pr\u00edncipe lhe deu uma moeda de ouro. E assim fez por dez dias em seguida. No d\u00e9cimo primeiro dia, o pr\u00edncipe resolveu disfar\u00e7ar-se de mendigo e passando perto do outro lhe disse:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Fa\u00e7a a caridade a um pobre irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O verdadeiro mendigo respondeu com raiva: &#8211; Eu n\u00e3o tenho irm\u00e3os. Ent\u00e3o o pr\u00edncipe se revelou como tal e respondeu: &#8211; Entendi; voc\u00ea \u00e9 irm\u00e3o s\u00f3 de pr\u00edncipes. E pegou de volta as dez moedas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No dia de Pentecostes refletimos sobre o dom do Esp\u00edrito Santo que Jesus deixou para os seus amigos. O Divino Esp\u00edrito Santo \u00e9, podemos dizer assim, o \u201cdom dos dons\u201d ou, se preferirmos, o dom que d\u00e1 sentido e for\u00e7a a todos os outros dons. Hoje se fala muito dos dons do Esp\u00edrito Santo, tamb\u00e9m conhecidos como \u201ccarismas\u201d. S\u00e3o Paulo, nas suas cartas, fez muitas listas desses dons; n\u00f3s poder\u00edamos tamb\u00e9m juntar outros. N\u00e3o porque\u00a0 inventamos esses dons, mas simplesmente porque tudo o que n\u00f3s temos recebido de qualidades e capacidades, a come\u00e7ar por nossa pr\u00f3pria vida, pela f\u00e9 e pelo amor, \u00e9 algo que ganhamos de presente da bondade de Deus. Em outras palavras: se tudo o que temos e somos \u00e9 dom de Deus, tamb\u00e9m tudo isso deveria ser colocado a servi\u00e7o dos nossos irm\u00e3os. Dever\u00edamos saber doar o que recebemos em dom. Afinal, fazer da nossa exist\u00eancia um dom \u201cbom\u201d para os outros \u00e9 seguir, de perto, os passos do Mestre Jesus que n\u00e3o poupou a sua pr\u00f3pria vida. N\u00f3s tamb\u00e9m dever\u00edamos usar para o bem o que somos e temos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nem sempre \u00e9 assim. Se usarmos dos dons recebidos exclusivamente para a nossa vantagem, ou para alguns escolhidos, estamos aproveitando somente parte das possibilidades que temos. Quanta intelig\u00eancia \u00e9 usada s\u00f3 para proveito pr\u00f3prio ou, muitas vezes, para enganar os outros menos expertos? Quanta bondade fica trancada entre as paredes de uma casa, pela incapacidade de sair para do\u00e1-la aos outros? Quantas vezes a nossa generosidade n\u00e3o consegue sair do nosso grupo, dos nossos amigos, dos que gostamos, como se os outros n\u00e3o existissem e n\u00e3o precisassem tamb\u00e9m ser amados? Somos bons, mas n\u00e3o amamos bastante. Selecionamos tanto os que decidimos amar que no fim reduzimos a quase nada o nosso amor. Desconfian\u00e7a? Medo? Ou talvez porque n\u00e3o queremos doar um pouco do que recebemos. Ainda n\u00e3o entendemos a beleza e a riqueza do dar e receber por amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Isso acontece tamb\u00e9m nas nossas par\u00f3quias, comunidades, grupos e movimentos. Se quiserem interpret\u00e1-lo assim, \u00e9 um apelo que eu fa\u00e7o. H\u00e1 muita bondade e muitas capacidades entre n\u00f3s. H\u00e1 criatividade, fartura de arte, de ora\u00e7\u00e3o fraterna. Temos muitas id\u00e9ias e propostas que, se f\u00f4ssemos mais unidos, poderiam mudar ao menos alguma coisa ao nosso redor. Mas tudo isso n\u00e3o sai de nossa casa, do nosso grupo, do c\u00edrculo fechado das mesmas pessoas. Quem tem algo bom deve saber do\u00e1-lo tamb\u00e9m aos outros. Deve aprender a caminhar junto com os outros, num interc\u00e2mbio de dons; no di\u00e1logo, na paci\u00eancia, na comunh\u00e3o. N\u00e3o podemos nos fechar somente no nosso grupo de \u201camigos\u201d, que pensam como n\u00f3s, nos agradam e nos fazem sentir bem. Existem tamb\u00e9m os outros, com e para os quais vale o mesmo. Os dons crescem e se multiplicam quando s\u00e3o trocados. Dando bom exemplo estimulamos os outros. Oferecendo uma boa palavra enriquecemos quem estava precisando. Mas tamb\u00e9m escutando o que outros dizem e conhecendo o que os outros fazem, aprendemos sempre alguma coisa nova. Ficamos felizes com as coisas boas que sabemos fazer, por\u00e9m dever\u00edamos tamb\u00e9m nos alegrar com o bem que outros fazem. <br \/>\u00c9 f\u00e1cil ser amigo de pr\u00edncipes para pedir ou exigir; devemos aprender a sermos amigos, tamb\u00e9m, dos outros mendigos para dar e trocar um pouco do que recebemos. Com certeza descobriremos que todos n\u00f3s somos mais ricos do que pens\u00e1vamos e, ao mesmo tempo, sempre t\u00e3o necessitados de aprender com os outros. Os dons oferecidos enriquecem a todos. Vamos ficar todos pr\u00edncipes. Mendigo continua sendo aquele que n\u00e3o sabe doar nada, ou pouco demais.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pr\u00edncipe, saindo um dia a passeio, passou bem perto de um mendigo que lhe pediu uma esmola dizendo: &#8211; Fa\u00e7a a caridade a um pobre irm\u00e3o. O pr\u00edncipe parou, olhou o pobre e disse: &#8211; Eu n\u00e3o tenho irm\u00e3os pobres.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11815"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11815"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11815\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}