{"id":11847,"date":"2010-05-28T00:00:00","date_gmt":"2010-05-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-agricultor-e-os-tres-viandantes\/"},"modified":"2010-05-28T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-28T03:00:00","slug":"o-agricultor-e-os-tres-viandantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-agricultor-e-os-tres-viandantes\/","title":{"rendered":"O agricultor e os tr\u00eas viandantes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Certa vez, ao anoitecer, um agricultor sentou-se \u00e0 frente da sua humilde casa para aproveitar do frescor da noite. Ali perto passava uma estrada que levava \u00e0 cidade. Um homem passou por l\u00e1 e, vendo o campon\u00eas sentado, pensou: \u201cAquele homem deve ser bem folgado e pregui\u00e7oso. Fica a\u00ed sentado o tempo todo\u201d. Em seguida passou outro homem, tamb\u00e9m viu o agricultor e pensou: \u201cVeja o cara, fica s\u00f3 olhando e incomodando as mo\u00e7as que passam. Deve ser um mulherengo\u201d. Por fim passou um terceiro homem, quando viu o agricultor pensou consigo mesmo: \u201cAquele homem deve ser um trabalhador. Est\u00e1 merecendo o seu descanso\u201d.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A bem da verdade, n\u00f3s n\u00e3o podemos dizer muito sobre o campon\u00eas sentado \u00e0 porta da sua casa. Em compensa\u00e7\u00e3o podemos dizer muito dos tr\u00eas homens que passaram. O primeiro devia ser um pregui\u00e7oso, o segundo um mulherengo e o terceiro um trabalhador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o tem jeito. N\u00f3s vemos os outros como n\u00f3s mesmos somos. As nossas ideias, ideais e posi\u00e7\u00e3o social, s\u00e3o como lentes coloridas que filtram tudo o que estamos vendo. Tudo passa pelo filtro do nosso entendimento.\u00a0 Quem vive na d\u00favida acha que n\u00e3o existem convic\u00e7\u00f5es, e pensa que os outros est\u00e3o fingindo. Quem n\u00e3o acredita com sinceridade suspeita que os outros tamb\u00e9m estejam mentindo. Quem ama de maneira interesseira, e nunca faz nada por nada, tem medo de ser enganado e que os outros se aproveitem dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 por isso que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil contemplar a Sant\u00edssima Trindade. Disse contemplar e n\u00e3o entender, porque nunca chegaremos l\u00e1. Deus, na sua plenitude, nunca estar\u00e1 totalmente ao nosso alcance. N\u00f3s continuaremos sempre a ser as criaturas e Ele o criador. <br \/>Contudo, na sua bondade, Ele quis e quer que participemos da sua grandeza e da sua intimidade. Fez-se fez conhecer, revelou-se claramente levando em conta as nossas limita\u00e7\u00f5es na compreens\u00e3o, na intelig\u00eancia, no amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s exaltamos as diferen\u00e7as, as particularidades. Queremos sempre ser melhores que os outros. Assim \u00e9 dif\u00edcil entender um Deus que, ao mesmo tempo, \u00e9 misteriosamente \u00fanico e em tr\u00eas pessoas. N\u00f3s queremos a nossa felicidade e, mesmo quando a procuramos juntos, reclamamos a nossa parte. Para n\u00f3s buscar o bem do outro antes do nosso \u00e9 sempre muito complicado. Para Deus n\u00e3o. O Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o disputam nada entre si, doam-se totalmente, ningu\u00e9m quer nada para si. Assim Deus \u00e9 a felicidade perfeita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A obedi\u00eancia, para quem ama, n\u00e3o \u00e9 um peso, \u00e9 resposta a quem tamb\u00e9m o ama. Por isso, o Filho obedece ao Pai e o Pai o glorifica. Mas\u00a0 o Pai escuta o Filho que exulta no Esp\u00edrito Santo. Para n\u00f3s autoridade vira facilmente autoritarismo. O poder, quando n\u00e3o \u00e9 colocado a servi\u00e7o do bem comum, torna-se opressivo, imposi\u00e7\u00e3o, amea\u00e7a para todos. Em Deus o poder est\u00e1 sempre no servir ao outro, em fazer que o outro seja feliz. Assim Deus \u00e9 comunh\u00e3o perfeita que, por amor e em total gratuidade, comunica o seu amor\u00a0 \u00e0 humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para compreender o que \u00e9 belo e o que n\u00e3o \u00e9 precisamos ter contemplado algo de verdadeiramente belo. Sem essa experi\u00eancia, o nosso costume \u00e0 mediocridade nos far\u00e1 achar belas obras med\u00edocres, ou at\u00e9 horrorosas. A verdadeira beleza n\u00e3o cansa, a fei\u00fara enjoa. Nunca cansaremos de contemplar a beleza da Sant\u00edssima Trindade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda bem que fomos criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Assim podemos falar dessas coisas e sentir a saudade de como dever\u00edamos ser. \u00c9 ao Pai, ao Filho e ao Esp\u00edrito Santo que devemos olhar para aprender a amar, a servir, a criar uma nova humanidade liberta do pecado e da morte, porque liberta do ego\u00edsmo, da gan\u00e2ncia, do \u00f3dio e de todas as rivalidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem sabe enxergar algu\u00e9m melhor do que ele \u00e9 sente desejo, tamb\u00e9m, de ser melhor. At\u00e9 quando ficarmos sempre julgando os outros, e at\u00e9 Deus, por nosso ponto de vista, e somente dele, pouco entenderemos de sua grandeza e riqueza. Se olharmos somente a n\u00f3s mesmos, ficaremos tamb\u00e9m mais pobres, piores e infelizes.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, ao anoitecer, um agricultor sentou-se \u00e0 frente da sua humilde casa para aproveitar do frescor da noite. 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