{"id":11880,"date":"2010-06-09T00:00:00","date_gmt":"2010-06-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-pagador-de-promessas\/"},"modified":"2010-06-09T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-09T03:00:00","slug":"o-pagador-de-promessas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-pagador-de-promessas\/","title":{"rendered":"O pagador de promessas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Certa vez, um homem cheio de problemas financeiros e judiciais prometeu solenemente que, se eles fossem solucionados, venderia a sua mans\u00e3o e doaria o dinheiro conseguido com a venda para a igreja. Gra\u00e7as a Deus as coisas foram melhorando e todas as quest\u00f5es foram resolvidas. Nesta altura, por\u00e9m, ele n\u00e3o queria mais se desfazer de tanto dinheiro. Come\u00e7ou a pensar como pagar a promessa sem ter tanto preju\u00edzo. Colocou a casa \u00e0 venda por uma moeda de ouro, mas junto com a casa, o comprador deveria tamb\u00e9m adquirir o cachorro que l\u00e1 estava, e que o dono tinha avaliado em dez mil moedas de ouro. Poucos dias depois, apareceu uma pessoa disposta a comprar a casa e o cachorro. O comprador pagou tudo direitinho. Assim, o vendedor deu a moeda de ouro para a igreja, que era o pre\u00e7o da casa, e ficou com as dez mil moedas de ouro que era o pre\u00e7o do cachorro. Promessa \u00e9 promessa.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma hist\u00f3ria de d\u00edvidas, mentiras e enganos. N\u00e3o muito diferente da situa\u00e7\u00e3o na qual se encontrou Jesus no evangelho deste domingo. De um lado temos um fariseu, rico, todo preocupado com as apar\u00eancias e o cumprimento da Lei, incapaz de ver al\u00e9m dos gestos exagerados da prostituta que chorava ajoelhada aos p\u00e9s de Jesus. Um fariseu t\u00e3o fechado na sua pureza que nem passou por sua cabe\u00e7a que o profeta Jesus pudesse enxergar aquela mulher n\u00e3o como uma pecadora p\u00fablica, mas como uma filha de Deus, carente de miseric\u00f3rdia e n\u00e3o de julgamento. Um fariseu que devia ter convidado Jesus mais por curiosidade, ou desafio, do que por querer aprender com ele. Com efeito, apesar de todas as normas a respeito das purifica\u00e7\u00f5es, ele n\u00e3o tinha oferecido \u00e1gua para lavar os p\u00e9s de Jesus; n\u00e3o tinha derramado \u00f3leo na cabe\u00e7a dele, e nem oferecido o beijo da sauda\u00e7\u00e3o. Sim\u00e3o devia, sem d\u00favida alguma, desconfiar de Jesus. Acolh\u00ea-lo em casa j\u00e1 era muito, podiam denunci\u00e1-lo ao Conselho dos Anci\u00e3os por aquilo que estava fazendo. Passar por amigo dele? Nem pensar. N\u00e3o valia a pena manchar a sua reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Do outro lado est\u00e1 a mulher pecadora. Ela j\u00e1 n\u00e3o tinha mais nada a perder. Era conhecida demais na cidade e muitos daqueles hip\u00f3critas, que a condenavam de dia, eram seus clientes na escurid\u00e3o da noite. Com a sua intui\u00e7\u00e3o feminina, tinha certeza de que Jesus n\u00e3o iria expuls\u00e1-la. Assim se jogou aos seus p\u00e9s, chorando l\u00e1grimas de liberta\u00e7\u00e3o. Algo lhe dizia que podia confiar naquele homem que todos chamavam de profeta. Os seus pecados eram grandes demais para continuar a guard\u00e1-los somente na sua consci\u00eancia. Quantas vezes havia se desesperado com a sua situa\u00e7\u00e3o. A morte por apedrejamento era um risco constante; talvez um castigo merecido pelas fam\u00edlias destru\u00eddas, pelos jovens seduzidos, pelo dinheiro sujo adquirido com a venda o seu corpo. Ningu\u00e9m mais a olhava como uma pessoa. Era um objeto desejado, que se oferecia a quem pagava melhor. A sua vida estava sem sa\u00edda, at\u00e9 aparecer aquele homem que falava de perd\u00e3o e de vida nova.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nessa situa\u00e7\u00e3o que Jesus conta a par\u00e1bola dos dois devedores, e ainda pergunta a Sim\u00e3o quem ficou mais feliz com o perd\u00e3o da d\u00edvida. \u201cAquele ao qual perdoou mais!\u201d, respondeu o anfitri\u00e3o. Ao menos isso ele entendeu: a gratid\u00e3o daquele a quem foi perdoada uma quantia muito grande. A mulher estava consciente dos seus pecados, por isso mostrou muito amor a Jesus. O fariseu n\u00e3o. Por achar-se perfeito, sem precisar de perd\u00e3o nenhum, perdeu a oportunidade de fazer a experi\u00eancia de receber a miseric\u00f3rdia e perdeu, tamb\u00e9m, a de oferecer o perd\u00e3o. Estava t\u00e3o orgulhoso e seguro da sua superioridade a respeito da pobre mulher; por isso n\u00e3o amou e nem se deixou amar pelo cora\u00e7\u00e3o misericordioso de Jesus. Ela, a condenada, a sem valor, ficou feliz. Ele, o famoso Sim\u00e3o, deve ter corado, por ter acolhido t\u00e3o mal a Jesus. Talvez tenha ficado com raiva pela liberdade e a autoridade com a qual Jesus cumpria os seus gestos e oferecia perd\u00e3o a quem o pedia arrependido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Perdemos o senso do pecado. N\u00e3o pedimos mais desculpa de nada e a ningu\u00e9m. N\u00e3o sabemos mais perdoar; raramente pedimos perd\u00e3o. Vendemos cachorros caros para enganar e n\u00e3o dar aos outros\u00a0 o que t\u00ednhamos prometido. Desse jeito, ningu\u00e9m aparecer\u00e1 para nos agradecer. N\u00e3o teremos nem l\u00e1grimas e nem perfume.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, um homem cheio de problemas financeiros e judiciais prometeu solenemente que, se eles fossem solucionados, venderia a sua mans\u00e3o e doaria o dinheiro conseguido com a venda para a igreja. 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