{"id":11912,"date":"2009-03-23T00:00:00","date_gmt":"2009-03-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-espirito-penitencial\/"},"modified":"2009-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-23T03:00:00","slug":"o-espirito-penitencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-espirito-penitencial\/","title":{"rendered":"O Esp\u00edrito Penitencial"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Falar em penit\u00eancia nos dias de hoje soa anacr\u00f4nico, coisa do passado. Depois de mais de tr\u00eas s\u00e9culos do dom\u00ednio da raz\u00e3o j\u00e1 cheg\u00e1ramos a um est\u00e1gio da civiliza\u00e7\u00e3o, a uma sociedade cient\u00edficamente estruturada.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O desenvolvimento e o progresso geraram uma riqueza incomensur\u00e1vel e a ci\u00eancia desvenda o infinito do espa\u00e7o e desce \u00e0s profundezas do microcosmo. O mist\u00e9rio da vida \u00e9 pesquisado e novas descobertas prolongam a vida humana na supera\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as. O conhecimento se universaliza nas redes da internet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como se falar em penit\u00eancia diante de uma consci\u00eancia de vitalidade e de poder? Isto \u00e9 coisa do passado, quando se sentia a fragilidade do ser humano e a inconsist\u00eancia dos recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, eis que, quase repentinamente, esta civiliza\u00e7\u00e3o que se moldava pelo ganho, tudo transformado em mercadoria e que desconhece a proximidade do pobre que est\u00e1 a seu lado em multid\u00e3o, desaba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quando \u00e9ramos crian\u00e7a, gost\u00e1vamos de fazer bolas soprando a \u00e1gua com sab\u00e3o e disput\u00e1vamos sobre quem as fazia maiores a refletir na sua esfera as cores dissociadas da luz, as cores do arco \u00edris. E vendo-as navegar ao vento no pequeno espa\u00e7o torc\u00edamos para que n\u00e3o se arrebentassem logo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim tamb\u00e9m o mundo inteiro da economia. Era uma imensa bola de sab\u00e3o que pens\u00e1vamos definitiva. M\u00f3vel de todo o progresso e do desenvolvimento, sustentava todo o custo das experi\u00eancias e avan\u00e7os da t\u00e9cnica e da ci\u00eancia. Todo o bem-estar social. E, de hora para outra, \u00e9 a crise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E vamos ter de conviver com ela, por quanto tempo? E com suas mazelas de queda da produ\u00e7\u00e3o, de quebras, fal\u00eancias e de desemprego. E tudo isso junto com a desonestidade e a mal\u00edcia do cora\u00e7\u00e3o. Vejam: o socorro com o dinheiro p\u00fablico, deslavadamente vai para o bolso de uns poucos como gratifica\u00e7\u00e3o em empresa falida!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diante do quadro que j\u00e1 bate \u00e0s nossas portas, sentimos a efemeridade das constru\u00e7\u00f5es do homem. N\u00e3o que n\u00e3o haja solu\u00e7\u00f5es de reconstru\u00e7\u00e3o. Mas estas ser\u00e3o sempre marcadas pela transitoriedade, pois limitada \u00e9 a raz\u00e3o humana, apesar de sua constante evolu\u00e7\u00e3o, o que por si s\u00f3 comprova sua limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fundamento do esp\u00edrito penitencial \u00e9 a consci\u00eancia de que n\u00e3o somos absolutos e onipotentes. Que reside em nosso cora\u00e7\u00e3o a raiz do Mal, o orgulho e a soberba herdados de nossos primeiros pais que tentaram ser iguais a Deus, como nos relata o Livro sagrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reconcilia\u00e7\u00e3o do homem passa pela humilha\u00e7\u00e3o de Cristo, que, sendo Deus rebaixou-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o mortal e se entregou ao sacrif\u00edcio e \u00e0 morte. Sua paix\u00e3o redime o homem e s\u00f3 ela \u00e9 suficiente para a salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, esta reden\u00e7\u00e3o, oferecida a toda humanidade, respeita a nossa liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Exige a convers\u00e3o, a ren\u00fancia ao pecado e \u00e0s concupisc\u00eancias que a ele conduzem. Um esfor\u00e7o para erradicar de nosso cora\u00e7\u00e3o, dos cora\u00e7\u00e3o da humanidade, a raiz do Mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este esfor\u00e7o \u00e9 penoso. Como o do pr\u00f3prio Cristo, que tendo assumido a nossa condi\u00e7\u00e3o, teve de passar pelo sofrimento e pela cruz. Esse caminho \u00e9 tamb\u00e9m o nosso se quisermos segui-lo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como ensina S\u00e3o Paulo, temos que suprir o que falta ao sacrif\u00edcio de Cristo, isto \u00e9, pelo sofrimento na luta contra nossas paix\u00f5es e v\u00edcios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na carta ao Cor\u00edntios, o mesmo Ap\u00f3stolo nos concita a este combate, exemplificando com os que lutam nos est\u00e1gios. Eles batalham, de tudo se abst\u00eam para conseguirem uma gl\u00f3ria passageira, de alguns minutos no topo. N\u00f3s, por\u00e9m, buscamos a vida eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pela penit\u00eancia, nascida do cora\u00e7\u00e3o e santificada pela uni\u00e3o m\u00edstica com o sofrimento redentor, podemos caminhar na dire\u00e7\u00e3o da p\u00e1tria definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No \u00faltimo cap\u00edtulo do pequeno livro da Imita\u00e7\u00e3o de Cristo, livro II, o autor nos mostra que n\u00e3o h\u00e1 outra via para a realiza\u00e7\u00e3o em n\u00f3s do mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o o \u201ccaminho real da santa cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por mais avan\u00e7ada que seja a civiliza\u00e7\u00e3o ela nunca ser\u00e1 perfeita. Temos que dela usar, mas nela n\u00e3o por a esperan\u00e7a. A nossa esperan\u00e7a, como a de todo o Universo, s\u00f3 pode se concretizar quando tudo subordinarmos ao imp\u00e9rio de Cristo (Rom 8,18-25), que, por sua morte destruiu o pecado e em Quem triunfaremos pela sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falar em penit\u00eancia nos dias de hoje soa anacr\u00f4nico, coisa do passado. Depois de mais de tr\u00eas s\u00e9culos do dom\u00ednio da raz\u00e3o j\u00e1 cheg\u00e1ramos a um est\u00e1gio da civiliza\u00e7\u00e3o, a uma sociedade cient\u00edficamente estruturada.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11912"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}