{"id":11927,"date":"2008-11-19T00:00:00","date_gmt":"2008-11-19T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/maos-orantes\/"},"modified":"2008-11-19T00:00:00","modified_gmt":"2008-11-19T02:00:00","slug":"maos-orantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/maos-orantes\/","title":{"rendered":"M\u00e3os Orantes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na Era da inform\u00e1tica, recebemos por via da Internet, centenas de e.mails, de mensagens eletr\u00f4nicas, que trazem textos e imagens, muitas vezes, de uma beleza e riqueza incomensur\u00e1vel.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesta semana, recebi, com a sua hist\u00f3ria, a reprodu\u00e7\u00e3o da pintura de Albrecht Durer: \u201cAs m\u00e3os\u201d. Retratam as m\u00e3os postas em ora\u00e7\u00e3o. M\u00e3os tortas e calejadas, de pele ressecada, mas apontando para o c\u00e9u, em atitude de s\u00faplica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Chegamos ao fim do ano lit\u00fargico quando a Igreja nos apresenta \u00e0 medita\u00e7\u00e3o o destino da Humanidade que se encontrar\u00e1 com o Cristo, que vir\u00e1 na sua gl\u00f3ria a julgar os vivos e os mortos, como proclamamos em nossa f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E nosso julgamento ser\u00e1 feito \u00e0 medida que tivermos refletido em nossa vida o amor de Deus no amor aos irm\u00e3os. O texto do Evangelista, S\u00e3o Mateus, \u00e9 preciso (Mat. 25, 31-45). A partir de como tratamos nossos irm\u00e3os, ser\u00e1 o julgamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na doutrina tradicional da Igreja, e aqui lembramo-nos do velho catecismo que aprend\u00edamos na inf\u00e2ncia, sempre se pregou e insistiu nas obras de miseric\u00f3rdia. As atitudes que nascem de um cora\u00e7\u00e3o que se abre, como o divino, diante do irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dar de comer a quem tem fome. Dar de beber a quem tem sede. Vestir os nus. Visitar os enfermos e presos. Acolher os forasteiros. Decor\u00e1vamos, e isso permanecia em nossa consci\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desde o come\u00e7o do cristianismo, a Igreja se empenhou na realiza\u00e7\u00e3o concreta destas obras. Muitos s\u00e9culos antes da pol\u00edtica social dos Estados e das filantropias que antes de expressarem o amor, procuram tirar de suas vistas a mis\u00e9ria humana, estava presente a a\u00e7\u00e3o da Igreja e de seus filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os hospitais dos indigentes, as santas casas, o acolhimento dos peregrinos. Apenas um exemplo que ressalta aos nossos olhos, quando Vicente de Paulo se fez cativo nas galeras, para libertar os escravos que com a for\u00e7a de seus bra\u00e7os as movimentavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o atitudes concretas pelas quais, na conting\u00eancia desta terra, exercitamos o grande mandamento do Senhor: \u201cAmai-vos uns aos outros como eu vos amei\u201d(Jo.15,12). Reparemos que a medida que Jesus quer de n\u00f3s no amor ao pr\u00f3ximo, n\u00e3o \u00e9 o amor a n\u00f3s mesmos, sen\u00e3o aquele amor que entregou sua vida por n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deus nos d\u00e1 o tempo para caminhar na via da reden\u00e7\u00e3o. D\u00e1-nos tamb\u00e9m sua gra\u00e7a, como um combust\u00edvel que aciona os motores e as turbinas das aeronaves e as levantam das pistas rumo as alturas. Mas, temos em n\u00f3s a semente do pecado, a concupisc\u00eancia da carne, a concupisc\u00eancia dos olhos, a soberba da vida (1Jo. 2,16) que nos atraem, como a for\u00e7a da gravidade e contra as quais temos de lutar constantemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na seq\u00fc\u00eancia que se l\u00ea na liturgia dos mortos, onde se exp\u00f5e, quase teatralmente a cena do julgamento final, e que Mozart transferiu para os acordes de seu \u201cDies irae\u201d h\u00e1 duas estrofes que bem expressam os sentimentos que acompanham a medita\u00e7\u00e3o do fim dos tempos. Depois de descrever o triunfo e a gl\u00f3ria de Cristo que aparecer\u00e1 nos c\u00e9us com o seu sinal, \u201cO Rei no trono se assentar\u00e1 e o que estava oculto ser\u00e1 patente, nada ficar\u00e1 impune\u201d, e separar\u00e1 os bons dos maus,\u00a0 h\u00e1 uma ora\u00e7\u00e3o suplicante:\u201cRei de infinita majestade, que gratuitamente nos salvais, salvai-me por piedade\u201d. E continua contritamente pedindo para Jesus tomar conta do nosso fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E que t\u00eam a ver com essa reflex\u00e3o as \u201cM\u00e3os\u201d orantes de Durer? Sua hist\u00f3ria nada mais \u00e9 do que a hist\u00f3ria do amor, da entrega de algu\u00e9m pelo irm\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para que Albrecht se formasse, seu irm\u00e3o se enfiou na minas de carv\u00e3o. Deformou suas m\u00e3os. E quando este voltou formado, vendo aquelas m\u00e3os, compreendeu a for\u00e7a do amor, do devotamento ao pr\u00f3ximo. E retratou, com gratid\u00e3o o que vira e que, muito mais do que a materialidade da vis\u00e3o, estavam dirigidas na prece da caridade e do amor. Como uma b\u00fassola estavam voltadas para Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os primeiros crist\u00e3os aguardavam ansiosos a parusia, a vinda do Senhor Jesus. Paulo, na sua Carta aos Tessalonicenses, lhes explica que n\u00e3o sabemos nem o dia nem a hora e que, com seu trabalho e vida de ressuscitados, se esfor\u00e7assem na constru\u00e7\u00e3o da nova terra e novo c\u00e9u, pelo qual, como escrever\u00e1 mais tarde aos Romanos (Rom. 8,18-24) esperavam todas as criaturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos, pela f\u00e9, a certeza desta esperan\u00e7a \u201cna esperan\u00e7a fomos salvos\u201d (Rom 8,24) e, enquanto a aguardamos, unamos nossas m\u00e3os no exerc\u00edcio da caridade e na ora\u00e7\u00e3o confiante. \u201cVem Senhor Jesus\u201d (Apoc.22,20)<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Era da inform\u00e1tica, recebemos por via da Internet, centenas de e.mails, de mensagens eletr\u00f4nicas, que trazem textos e imagens, muitas vezes, de uma beleza e riqueza incomensur\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11927"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}