{"id":11930,"date":"2008-10-28T00:00:00","date_gmt":"2008-10-28T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-santidade\/"},"modified":"2008-10-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-28T02:00:00","slug":"a-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-santidade\/","title":{"rendered":"A santidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 batemos \u00e0s portas do fim do ano. A liturgia, depois de nos alimentar durante o Tempo Comum com a doutrina da salva\u00e7\u00e3o, percorrendo a Sagrada Escritura com os ensinamentos evang\u00e9licos, nos traz a mem\u00f3ria daqueles que j\u00e1 trilharam o caminho e gozam da vis\u00e3o divina ou ainda aguardam, \u00e0 porta, que seja sacudida a poeira das imperfei\u00e7\u00f5es da caridade que se lhes depositou nas sand\u00e1lias, como o viajante que limpa os p\u00e9s nos capachos, antes de entrar na mans\u00e3o iluminada.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A festa de Todos os Santos e a comemora\u00e7\u00e3o dos Fi\u00e9is Defuntos antecedem, no fim do Ano Eclesi\u00e1stico, a celebra\u00e7\u00e3o da nossa f\u00e9 e nossa esperan\u00e7a na vit\u00f3ria de Cristo quando iremos ao seu encontro na gl\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A estrada por eles percorrida foi a ensinada por Jesus \u00e0 multid\u00e3o que o seguia na Galil\u00e9ia, nas montanhas e nas plan\u00edcies, \u00e0 beira do lago. S\u00e3o Mateus (Mat.5) nos relata que vendo Jesus a multid\u00e3o, subiu a um monte, sentou-se e seus disc\u00edpulos se aproximaram dele. \u201cE abrindo sua boca, ensinava\u201d, porque do seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o flu\u00edam as palavras, como diz Santo Agostinho. No passado, Deus falava pela boca dos profetas, agora nos fala pelo seu pr\u00f3prio Filho, esplendor de sua gl\u00f3ria e imagem do seu ser. (Heb.1, 1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O mesmo Evangelista Mateus escreve, em outra parte, no serm\u00e3o das par\u00e1bolas, que Jesus falava \u00e0 multid\u00f5es por\u00a0 par\u00e1bolas e por meio delas publicava o que estava oculto desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo (Mat.13, 34-35). N\u00e3o aqui, quando anuncia o caminho de uma vida de santidade. Vai direto \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o como tamb\u00e9m quando nos preceitua o mandamento do amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E o que diz: \u201cFelizes os pobres em esp\u00edrito porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us.\u201d A pobreza n\u00e3o \u00e9 uma bem-aventuran\u00e7a. O esp\u00edrito de pobreza, sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Santo Agostinho faz o contraste. Quando lemos o texto, entendemos que se trata do desejo desmesurado das coisas temporais; tudo \u00e9 veleidade e presun\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito. Os pobres de que fala o Evangelho s\u00e3o os humildes e tementes a Deus e que n\u00e3o t\u00eam o seu cora\u00e7\u00e3o inchado pelas vaidades, pela avareza e pela soberba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A riqueza \u00e9 o meio de nos instalarmos, poderia dizer\u00a0 com mais realismo, de nos agarrarmos na terra, de fazermos aqui a nossa morada definitiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pobreza de esp\u00edrito n\u00e3o \u00e9, pois, s\u00f3 aquilo que se pensa de in\u00edcio. Ela vai al\u00e9m dos bens exteriores. \u00c9 a abdica\u00e7\u00e3o de si mesmo, o desapego total de tudo o que nos prende, n\u00e3o nos permitindo al\u00e7ar v\u00f4o para a eternidade, para as coisas que n\u00e3o passam. Para o definitivo. A nossa conversa\u00e7\u00e3o, desde agora, ensina-nos o Ap\u00f3stolo \u00e9 no c\u00e9u.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim livres em esp\u00edrito das cadeias que nos prendem \u00e0 conting\u00eancia desta vida, viveremos a alegria das demais bem-aventuran\u00e7as. O consolo nos sofrimentos que os uniremos \u00e0 cruz de Jesus; a promo\u00e7\u00e3o da paz e da justi\u00e7a; a miseric\u00f3rdia do Reino e a firmeza da f\u00e9 porque nosso cora\u00e7\u00e3o, na sua simplicidade, tem a pureza dos v\u00eaem a Deus: \u201cFelizes os de cora\u00e7\u00e3o puro, porque ver\u00e3o a Deus\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pobreza, nem mesmo a pobreza de esp\u00edrito \u00e9 \u00faltima palavra do Serm\u00e3o da Montanha. \u201cA \u00faltima palavra, diz Sertillanges \u00e9 o amor; mas a pobreza de esp\u00edrito \u00e9 a primeira, porque o apego \u00e0s riquezas e ao que representam \u00e9 o grande inimigo do amor\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este foi o caminho dos santos. Viveram a f\u00e9 que receberam no batismo. Fizeram-na frutificar na caridade, no amor de Deus e dos irm\u00e3os e buscaram na viv\u00eancia das bem-aventuran\u00e7as a liberdade espiritual de uma total entrega de si ao Pai, como Cristo. Ele n\u00e3o suportou a mis\u00e9ria, conseq\u00fc\u00eancia do pecado e no seu desapego, inclusive de sua vontade e abandono nas m\u00e3os do Pai, obteve-nos a felicidade e a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na vis\u00e3o do Apocalipse,(Ap.7,9-10) Jo\u00e3o, a testemunha fiel, apresenta-os naquela multid\u00e3o que ningu\u00e9m podia contar, de todas as na\u00e7\u00f5es, povos ou l\u00ednguas, que estavam diante do Cordeiro e o aclamavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00e3o os santos de Deus, a que nos juntamos, se nos abrirmos inteiramente ao amor do pr\u00f3ximo e de Deus e se procurarmos viver o caminho real das bem-aventuran\u00e7as.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 batemos \u00e0s portas do fim do ano. 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