{"id":11934,"date":"2008-09-24T00:00:00","date_gmt":"2008-09-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/e-tempo-de-lancar-a-semente\/"},"modified":"2008-09-24T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-24T03:00:00","slug":"e-tempo-de-lancar-a-semente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/e-tempo-de-lancar-a-semente\/","title":{"rendered":"\u00c9 tempo de lan\u00e7ar a semente"},"content":{"rendered":"<p>Quando se anda pelo interior e se percorre a regi\u00e3o rural, v\u00ea-se, nestes dias em que o inverno nos deixa e as primeiras chuvas e o calor do sol retornam, uma faina intensa.  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primavera chega e, apesar de n\u00e3o a sentirmos intensamente nos tr\u00f3picos como \u00e9 vis\u00edvel nas regi\u00f5es temperadas, h\u00e1 um rein\u00edcio da vida, tudo recome\u00e7a e a esperan\u00e7a domina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os pastos secos recobrem-se de verde, os jardins come\u00e7am a florir e a natureza festeja no canto dos p\u00e1ssaros e na algazarra dos animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na liturgia antiga, antes de cada esta\u00e7\u00e3o do ano, havia tr\u00eas dias de penit\u00eancia e ora\u00e7\u00e3o suplicando as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Senhor sobre a terra e seus frutos. Eram as chamadas \u201cT\u00eamporas\u201d, com prociss\u00f5es nas ro\u00e7as e canto da ladainha dos santos a invocar sua prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, numa civiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 p\u00f3s-industrial, em que a eletr\u00f4nica e seus avan\u00e7os superam a observa\u00e7\u00e3o da natureza e a ci\u00eancia cria novas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o, perde-se muito do encanto e da poesia do contato do homem com a natureza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas isso n\u00e3o significa que podemos prescindir desses valores e nos entregar \u00e0 supremacia da t\u00e9cnica em nossa vida. Se assim deixarmos acontecer, vamos perder nossa condi\u00e7\u00e3o humana e sermos dominados pela m\u00e1quina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a ditadura da t\u00e9cnica t\u00e3o bem mostrada por Charles Chaplin no filme \u201cTempos modernos\u201d, na loucura a que somos conduzidos. Se a mec\u00e2nica j\u00e1 nos tornava aut\u00f4matos, que dizer dos avan\u00e7os da eletr\u00f4nica. Os telefones celulares que nos chamam a todo instante independente do lugar e da hora. O computador que nos p\u00f5e \u00e0 corrente do que sucede em outras partes do mundo, quase no mesmo momento, obrigando-nos a trabalhar dia e noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pressionados chegamos a nos esquecer de n\u00f3s mesmos. N\u00e3o temos tempo para nada e os prazeres da vida n\u00e3o s\u00e3o vividos como pessoas, mas apenas como descargas emocionais de instantes. As emo\u00e7\u00f5es t\u00eam de ser produzidas por drogas e aluc\u00edgenos. O amor se reduz a sexo. N\u00e3o dispomos de tempo para nos encantar com a beleza, como o turista que diante de Davi, de Miguel \u00c2ngelo, em Floren\u00e7a, se limita a assinar com uma cruz na caderneta de viagem que j\u00e1 o viu. N\u00e3o sentiu a emo\u00e7\u00e3o que o belo produz na alma de quem o aprecia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O in\u00edcio do ciclo das esta\u00e7\u00f5es do ano deve fazer-nos repensar um pouco nossa vida. \u201cH\u00e1 um momento para tudo e um tempo para todo o prop\u00f3sito debaixo do c\u00e9u\u201d (cf. Ecle. 3.1). \u00c9 sabedoria bem saber utilizar o tempo e viver, como ensina este Livro da B\u00edblia, para n\u00e3o vermos tudo transformado em vaidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos obriga\u00e7\u00e3o de estimular o progresso. Quando fomos criados recebemos de Deus o Universo para desenvolv\u00ea-lo para que, subordinado ao Homem e \u00e0 Mulher, nos servisse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Toda a riqueza da ci\u00eancia e da t\u00e9cnica moderna tem de estar a servi\u00e7o do Homem. Se nos subordinamos ao seu dom\u00ednio \u00e9 \u201cvaidade\u201d e que se desfaz, em \u00faltima an\u00e1lise, com a morte, como ensina o mencionado Livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Evangelho nos diz que acima das riquezas e preocupa\u00e7\u00f5es est\u00e1 a nossa vida. \u201cOlhai os l\u00edrios do campo e as aves do c\u00e9u\u201d. N\u00e3o lhes falta a roupa nem o alimento. N\u00e3o que devamos nos alienar de tudo e aguardar. S\u00e3o Paulo fala aos Tessalonicenses que aquele que n\u00e3o trabalha, tamb\u00e9m n\u00e3o coma. O que nos ensina a par\u00e1bola \u00e9 a busca da liberdade e que a vida est\u00e1 acima de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vejamos a incid\u00eancia de stress nos dias de hoje, a procura de psicanalistas e psiquiatras, a ocorr\u00eancia de doen\u00e7as derivadas do trabalho e do seu ambiente que obrigam ao uso dos equipamentos de prote\u00e7\u00e3o e a exames constantes e nos deixam muitas vezes, ao longo de poucos anos, com problemas irrevers\u00edveis de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 tempo de semear. Lan\u00e7ar a semente da alegria nos trabalhos de cada dia, superando com f\u00e9 e confian\u00e7a as preocupa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o as deixemos acumular. Cada dia tem sua pena, diz o Evangelho de S\u00e3o Mateus. Trabalhemos e vivamos intensamente. Aproveitemos tudo de bom que hoje nos \u00e9 disponibilizado, mas n\u00e3o percamos a serenidade de esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sobretudo n\u00e3o percamos a f\u00e9 e a esperan\u00e7a Naquele que \u00e9 o princ\u00edpio de tudo e para quem caminhamos na trilha de seu Filho em quem se realizam todas as coisas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se anda pelo interior e se percorre a regi\u00e3o rural, v\u00ea-se, nestes dias em que o inverno nos deixa e as primeiras chuvas e o calor do sol retornam, uma faina intensa.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11934"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11934\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}