{"id":11937,"date":"2008-09-03T00:00:00","date_gmt":"2008-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/em-defesa-do-ensino-religioso-escolar\/"},"modified":"2008-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2008-09-03T03:00:00","slug":"em-defesa-do-ensino-religioso-escolar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/em-defesa-do-ensino-religioso-escolar\/","title":{"rendered":"Em defesa do Ensino Religioso Escolar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Li o que foi publicado na Revista \u00c9poca pelas jornalistas Ana ARANHA E Martha Mendon\u00e7a, na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba. 537, de 1\u00ba. De setembro de 2008, abordando a tem\u00e1tica do ENSINO RELIGIOSO NAS\u00a0 ESCOLAS P\u00daBLICAS.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fui professor da referida disciplina durante mais de 20 anos. Estou como presidente da diretoria do CONER\/MG (Conselho de Ensino Religioso do Estado de Minas Gerais), com 12 Denomina\u00e7\u00f5es Associadas. Fa\u00e7o parte da COMCER\/SEE (Comiss\u00e3o Central de Ensino Religioso). Portanto, n\u00e3o sou um te\u00f3rico, mas vivo no meu dia-a-dia, a tem\u00e1tica do Ensino Religioso Escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o respondo ao que foi publicado. Quero contribuir com outros aspectos complementares que julgo muito importantes. Repito aqui alguma coisa j\u00e1 publicada no primeiro semestre deste ano sobre a referida disciplina escolar, com alguns dados a serem refletidos e tamb\u00e9m com alguns esclarecimentos em favor da verdade do que seja o Ensino Religioso Escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No meio de muitas afirma\u00e7\u00f5es, aqui e acol\u00e1, de verdades, de suposi\u00e7\u00f5es, de equ\u00edvocos, de mal entendido, de preconceitos, de pontos de vista te\u00f3ricos, de alguns testemunhos que n\u00e3o conv\u00e9m generaliza-los, num contexto de um pa\u00eds continental, antes de qualquer afirma\u00e7\u00e3o absolutista dever-se-ia aprofundar o que se entende por Ensino Religioso Escolar, Ensino de Religi\u00e3o e de Catequese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Percebe-se, ent\u00e3o, que nesse Brasil, pa\u00eds continental, ainda falta forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, envolvendo a todos os setores da Sociedade, da pr\u00f3pria Igreja, das Denomina\u00e7\u00f5es Religiosas, das inst\u00e2ncias governamentais, sobre o assunto em quest\u00e3o. Poder\u00edamos dizer que falta muita forma\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios professores de E.R.E. e a sua aut\u00eantica e competente forma\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As lideran\u00e7as sem forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o sobre o assunto, sobre o que seja o Ensino Religioso, t\u00eam emperrado at\u00e9 mesmo o andamento de tudo o que j\u00e1 se conseguiu \u00e0s duras penas ou at\u00e9 trazendo novas dificuldades. Trata-se de um problema s\u00f3cio-pol\u00edtico \u2013 cultural e n\u00e3o somente pedag\u00f3gico e religioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Refletir sobre a problem\u00e1tica desse ensino hoje, na condi\u00e7\u00e3o de disciplina, absorvida e ampliada pela Educa\u00e7\u00e3o Religiosa como \u00e1rea de conhecimento, sem constatar os elementos que constru\u00edram o imagin\u00e1rio coletivo da sociedade brasileira sobre a quest\u00e3o em pauta, corre-se o risco de conferir a esse componente curricular um tratamento inadequado, ou apresentar novas propostas que n\u00e3o levam em considera\u00e7\u00e3o a reflex\u00e3o e esfor\u00e7os feitos nesses \u00faltimos vinte anos em busca de solu\u00e7\u00e3o para uma problem\u00e1tica centen\u00e1ria, seja na inten\u00e7\u00e3o de garantir a sua perman\u00eancia no curr\u00edculo, seja pretender a sua exclus\u00e3o do sistema escolar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Lei n\u00ba. 9475, de 22\/07\/1997, dando nova reda\u00e7\u00e3o ao artigo 33, da Lei n\u00ba. 9394, de 20\/12\/1996, sancionada pelo Presidente da Rep\u00fablica, Fernando Henrique Cardoso, deu novos rumos a essa disciplina escolar, estabelecendo as diretrizes e bases da educa\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pela nova Lei, o Ensino Religioso n\u00e3o teve como objetivo o ensino de uma determinada religi\u00e3o. Passa a ter como preocupa\u00e7\u00e3o todos os assuntos de religi\u00e3o ou relacionados \u00e0 vida de um ser humano, principalmente do interesse dos educandos que freq\u00fcentam a escola, sejam eles religiosos ou n\u00e3o, ou que estejam dentro ou fora da religi\u00e3o, de uma religi\u00e3o ou de religi\u00f5es, incluindo a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno religioso e a religiosidade que nessas est\u00e3o impl\u00edcitos. Tais educandos necessitam obter respostas aos seus questionamentos existenciais mais profundos, principalmente vinculados \u00e0s suas cren\u00e7as e \u00e0s cren\u00e7as dos demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atrav\u00e9s de conte\u00fados pr\u00f3prios e de metodologia adequada, o Ensino Religioso visa proporcionar ao educando o conhecimento dos elementos b\u00e1sicos que o auxiliem na busca de compreens\u00e3o das raz\u00f5es de ser religioso e das pr\u00f3prias religi\u00f5es, para que o respeito m\u00fatuo e a toler\u00e2ncia religiosa se efetivem nas rela\u00e7\u00f5es de saber, de crer e de poder. Como \u00e1rea de conhecimento, obviamente, precisa manter um cont\u00ednuo di\u00e1logo com as demais \u00e1reas para as quais \u00e9 um suporte e das quais recebe contribui\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o da vida como um todo, sem faltar a dimens\u00e3o religiosa ou deixando de lado as demais dimens\u00f5es espec\u00edficas de outras caracter\u00edsticas humanas explicadas pela Antropologia, Sociologia, Teologia, Filosofia, Psicologia, Ling\u00fc\u00edstica e demais \u00e1reas de conhecimento com seu objeto pr\u00f3prio. Este Ensino Religioso, assim entendido e bem compreendido, tem conte\u00fados e uma metodologia pr\u00f3pria que proporcionam uma educa\u00e7\u00e3o completa, humanizadora, personalizadora e transformadora da realidade de um mundo cada vez mais carente de respeito, de senso cr\u00edtico, de toler\u00e2ncia, de interesse pelas quest\u00f5es que encaminhem o sujeito em fase de prepara\u00e7\u00e3o para a vida, na recupera\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do ser humano em sua dignidade, como sujeito e agente da pr\u00f3pria hist\u00f3ria, portador de conhecimento religioso e apto a vivenciar os valores propostos pelas religi\u00f5es, sem discriminar seus semelhantes por motivo de cren\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2013 Esse constitui um caminho proposto, durante duas d\u00e9cadas, ou seja, nesses \u00faltimos anos, mas que necessita de Professores formados, capazes de levar para a pr\u00e1tica esse prop\u00f3sito. Apesar de n\u00e3o aceito por algumas poucas autoridades religiosas, no entanto possibilita ao ser humano o exerc\u00edcio da cidadania e a viv\u00eancia comunit\u00e1ria em sua natural busca de valores transcendentais, proporcionando o despertar para a compreens\u00e3o e viv\u00eancia dos argumentos pregados pela pr\u00f3pria religi\u00e3o confessional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2013 Enquanto n\u00e3o se tiver uma clareza objetiva, sem preconceitos, do que seja o Ensino Religioso, diferente do Ensino de Religi\u00e3o, considerando um Estado Republicano e o gerenciamento de uma Escola p\u00fablica, torna-se dif\u00edcil qualquer consenso, pois muitos o identificam como se estiv\u00e9ssemos em um regime de Cristandade, por falta de conhecimento ou porque n\u00e3o sabem o que \u00e9 pr\u00f3prio do Ensino Religioso Escolar e a sua especificidade que passa pela metodologia, sem excluir nenhum conte\u00fado de Religi\u00e3o, Religi\u00f5es, Cristianismo e outras denomina\u00e7\u00f5es. N\u00e3o basta usar o nome: \u201censino religioso\u201d, colocando o seu conte\u00fado confessional ou de religi\u00e3o. O importante \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o adequada dos Educadores para o exerc\u00edcio do magist\u00e9rio na \u00e1rea, com habilidades e compet\u00eancias para o que se pretende. E isso deve ser levado a s\u00e9rio pelos \u00f3rg\u00e3os educacionais brasileiros, fato que n\u00e3o tem acontecido devidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A atual legisla\u00e7\u00e3o garante seu espa\u00e7o no ambiente escolar, o que passa a exigir a sua compreens\u00e3o como disciplina e amplia\u00e7\u00e3o do seu n\u00edvel de abrang\u00eancia como \u00e1rea de conhecimento, nos termos da Resolu\u00e7\u00e3o CNE\/CEB n\u00ba. 02\/98. Assumido em sua identidade, o Ensino Religioso se constitui, particularmente para a escola p\u00fablica, oficial, um campo de grande import\u00e2ncia para a forma\u00e7\u00e3o human\u00edstica dos educandos, a forma\u00e7\u00e3o dos grandes valores humanos, como base para a evangeliza\u00e7\u00e3o, para a catequese e para a pastoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u2013 Desde 1969, na teoria e na pr\u00e1tica, embora exista muita desinforma\u00e7\u00e3o, confunde-se um Ensino Religioso na Escola (ERE) que n\u00e3o visa ensinar uma religi\u00e3o, tarefa das respectivas comunidades de f\u00e9; nem se limita a ensinar um ecumenismo seletivo, que s\u00f3 considera determinadas Igrejas ou Religi\u00f5es. O Ensino Religioso Escolar que \u00e9 proposto, \u00e0s vezes, ainda com incoer\u00eancias de quem n\u00e3o o entendeu e nem o compreendeu, n\u00e3o visa ensinar religi\u00e3o e sim \u201ceducar a religiosidade entendida como disponibilidade din\u00e2mica da pessoa ao sentido fundamental de sua exist\u00eancia, encarado como compromisso na sociedade. E essa disponibilidade n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de uma ou mais entidades religiosas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em nossa sociedade pluralista, principalmente para as Escolas P\u00fablicas, Oficiais, o modelo de um ensino, em condi\u00e7\u00f5es de um ecumenismo seletivo, confessional ou interconfessional, ou mesmo \u201cpluriconfessional,\u201d se torna insuficiente e pode at\u00e9 revelar-se descabido. Atreveria at\u00e9 a dizer, a longo prazo, que tal \u201censino religioso, dado por lei\u201d, n\u00e3o serviria nem ao aluno, nem \u00e0 Igreja e nem ao Estado. Poder-se-ia at\u00e9 tornar-se anti-educativo, debilitando a Igreja na sua capacidade de agir na sua miss\u00e3o de fomentar o di\u00e1logo religioso entre os povos, entre os cidad\u00e3os, tornando-a alvo de suspeitas odiosas e contraproducentes, orientadas para a intoler\u00e2ncia religiosa. A Escola n\u00e3o pretende transmitir cren\u00e7as ou apenas valores. Atrav\u00e9s de conhecimentos e atitudes, educa os alunos \u00e0 \u201creligiosidade\u201d; ajuda-os a perceberem nas religi\u00f5es, e mesmo fora delas, o que d\u00e1 sentido \u00faltimo \u00e0 vida e motiva o compromisso para a constru\u00e7\u00e3o da nova sociedade; a constru\u00edrem, aos poucos, quadros de refer\u00eancia para os seus ideais de vida na atual selva de ofertas, para saberem discernir, recusando o que n\u00e3o constr\u00f3i personalidade e sociedade sadias; a saberem dialogar, criando convic\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias e respeitando as dos outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed, a necessidade de maior e urgente, forma\u00e7\u00e3o humana e compet\u00eancia profissional de todos aqueles e aquelas que ir\u00e3o exercer a fun\u00e7\u00e3o de Professores de ER.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Hoje, costuma-se invocar muito a condi\u00e7\u00e3o do Estado como portador da natureza laica. E que sendo laico n\u00e3o deve ou n\u00e3o pode admitir o ER em suas Escolas. O nosso Estado \u00e9 laico, mas n\u00e3o \u00e9 ateu. N\u00e3o \u00e9 laicista. Pelo contr\u00e1rio, o Estado Laico, \u00e9 DEMOCR\u00c1TICO, n\u00e3o \u00e9 ateu e n\u00e3o s\u00f3 deve tolerar, mas possibilitar, incentivar e promover a diversidade cultural dos grupos de pessoas que o comp\u00f5em, sobre o pressuposto de a\u00e7\u00e3o comunicativa ou do di\u00e1logo. Este incentivo se relaciona tamb\u00e9m com a convic\u00e7\u00e3o religiosa e com as manifesta\u00e7\u00f5es dessa convic\u00e7\u00e3o. O Estado deve promover e respeitar a diversidade, os grupos que o comp\u00f5em. O respeito \u00e0 diversidade conduz \u00e0 defesa da liberdade, enquanto nada se imp\u00f5e contr\u00e1rio \u00e0 convic\u00e7\u00e3o de pessoas e de grupos. Assim protege e garante a liberdade religiosa dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A promo\u00e7\u00e3o da diversidade conduz igualmente \u00e0 liberdade, enquanto se possibilitam as variadas express\u00f5es de culturas e subculturas sociais. N\u00e3o se trata nem de combate e nem de toler\u00e2ncia do religioso, seja \u201creligioso como substantivo, seja como adjetivo\u201d, mas a abertura \u00e0 pluralidade religiosa, a abertura \u00e0 pluralidade cultural de grupos e pessoas que comp\u00f5em o Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Ensino Religioso que se prop\u00f5e em nossas Escolas, envolve, sim, conhecimento e posturas que incluem cogni\u00e7\u00f5es, atitudes, afetividade e predisposi\u00e7\u00f5es para a a\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 a pr\u00e1tica de uma religi\u00e3o na escola, lugar da conviv\u00eancia com o diferente e as diferen\u00e7as. O culto, a pr\u00e1tica a celebra\u00e7\u00e3o ficam por conta das Comunidades de F\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pelo Ensino Religioso o Estado promove sim, as culturas religiosas das pessoas e dos grupos em fun\u00e7\u00e3o dos quais ele existe. Isso justifica a oferta obrigat\u00f3ria do ensino religioso escolar, embora facultativo para o aluno e sua supervis\u00e3o por parte do Minist\u00e9rio e das Secretarias de Educa\u00e7\u00e3o e a remunera\u00e7\u00e3o dos professores pelo mesmo Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 bom lembrar que a instru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 toda a educa\u00e7\u00e3o. Educa\u00e7\u00e3o inclui conhecimento, cultivo dos sentimentos, padr\u00f5es de valor, rela\u00e7\u00f5es sociais sadias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que se espera das escolas inclui os conhecimentos a serem transformados em saber escolar, em educa\u00e7\u00e3o para a cidadania; espera-se tamb\u00e9m do ensino religioso uma aut\u00eantica e verdadeira educa\u00e7\u00e3o religiosa que abrange toda a vida, al\u00e9m da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se cabe ao Estado ensejar e promover culturas religiosas das pessoas e dos grupos, em fun\u00e7\u00e3o dos quais ele existe, incluindo-se nessas culturas o laicismo, o agnosticismo e o ate\u00edsmo, n\u00e3o vejo obst\u00e1culo algum na forma de ensejar e promover as express\u00f5es religiosas, o ENSINO RELIGIOSO ESCOLAR, como \u00e1rea de conhecimento, formando atitudes, habilidades e compet\u00eancias para a vida em uma sociedade pluralista e multicultural em que as religi\u00f5es ofere\u00e7am elementos fundamentais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos concluir dizendo que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">1\u00ba) \u2013 O Ensino Religioso vem acontecendo normalmente nas escolas oficiais brasileiras, mesmo com algumas diverg\u00eancias por n\u00e3o haver ainda um consenso quanto ao conte\u00fado b\u00e1sico desta disciplina, uma vez que \u00e9 delegada a cadasistema a sua organiza\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades locais. Isto se deve a uma insuficiente compreens\u00e3o filos\u00f3fica e pedag\u00f3gica quanto a sua natureza. Epistemologia e linguagem adequada s\u00e3o fundamento s essenciais para a compreens\u00e3o do que se pretende da parte de muitos setores da sociedade, que ainda concebem, equivocadamente, a disciplina como \u201caula de religi\u00e3o\u201d ou \u201cdoutrina\u00e7\u00e3o\u201d, mesmo que fa\u00e7amos parte de um pa\u00eds continental com diferen\u00e7as regionais, de naturezas diversificadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">2\u00ba) \u2013 Esta \u00e1rea do conhecimento vem se esfor\u00e7ando para desempenhar o seu papel regularmente dentro do curr\u00edculo escolar, semelhante \u00e0s outras \u00e1reas, nos hor\u00e1rios normais dos estabelecimentos escolares de Ensino Fundamental, sendo vedadas quaisquer formas de proselitismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">3\u00ba) \u2013 Persiste a aus\u00eancia de Cursos de Forma\u00e7\u00e3o de Professores. Em algumas regi\u00f5es, ainda h\u00e1 dificuldades a serem superadas quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de profissionais para a doc\u00eancia do Ensino Religioso, de forma, pedagogicamente, adequada ao que se prop\u00f5e na legisla\u00e7\u00e3o vigente e segundo a reflex\u00e3o de muitos pesquisadores, educadores e setores educacionais que se organizaram, durante d\u00e9cadas, para uma reflex\u00e3o s\u00e9ria e necess\u00e1ria sobre o que se entende por Ensino Religioso, disciplina absorvida e ampliada pela Educa\u00e7\u00e3o Religiosa, como \u00e1rea de conhecimento, distinguindo-a dos ensinos ministrados nas Comunidades de F\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">4\u00ba) \u2013 O Ensino Religioso, especificamente, visa \u00e0 forma\u00e7\u00e3o integral dos cidad\u00e3os e das cidad\u00e3s que freq\u00fcentam a escola, para a\u00ed receberem os conhecimentos de que necessitam em todas as \u00e1reas, incluindo as relacionadas \u00e0s indaga\u00e7\u00f5es do sujeito religioso ou n\u00e3o, dentro ou fora do grupo religioso, ou de institui\u00e7\u00e3o religiosa. Tais conhecimentos referentes \u00e0s explica\u00e7\u00f5es sobre o sentido da vida, que incluem os conte\u00fados vinculados ou explicados pelas religi\u00f5es e suas manifesta\u00e7\u00f5es diversificadas, s\u00e3o transformados em saber escolar. E mais, a finalidade \u00e9 capacitar os educandos para compreenderem o que fazer com este saber no seu cotidiano, presente e futuro, principalmente no que se refere ao respeito m\u00fatuo, \u00e0 toler\u00e2ncia para com o diferente e \u00e0s diversas formas de crer e de n\u00e3o crer, ou de ser indiferente, ou declaradamente ateu, para que a vida cidad\u00e3 se concretize nas rela\u00e7\u00f5es sociais, tendo a Religi\u00e3o ou Religi\u00f5es como parte integrante de tais rela\u00e7\u00f5es. Essa disponibilidade do Ensino Religioso oferecida pela escola n\u00e3o \u00e9 monop\u00f3lio de uma ou outra entidade religiosa. \u00c9 direito do cidad\u00e3o e da cidad\u00e3, estejam estes na condi\u00e7\u00e3o de pessoas crentes, at\u00e9ias ou indiferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">5\u00ba) \u2013 Enfim, reconhecer que h\u00e1 diferencia\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 compreens\u00e3o do Ensino Religioso no Brasil \u00e9 normal e natural, pois existem regi\u00f5es culturais diferentes e regionalismos que devem ser respeitados. Trata-se da riqueza de uma pluralidade que n\u00e3o pode nem tem condi\u00e7\u00f5es de ser uniformizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Completamos onze anos de vig\u00eancia da Lei n\u00ba. 9475\/1997, sem ter sido ainda regulamentada e implantada devidamente, principalmente a partir de Diretrizes Nacionais que n\u00e3o foram alvo de interesse do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, mas que t\u00eam sido trabalhadas por Grupos de Educadores interessados em encontrar a melhor maneira de formar os Professores, atrav\u00e9s de Cursos em n\u00edvel Superior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A forma\u00e7\u00e3o de Professores da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em n\u00edvel superior, Curso de Licenciatura, de Gradua\u00e7\u00e3o Plena, \u00e9 orientada pelas Diretrizes Curriculares Nacionais nos termos da RESOLU\u00c7\u00c3O CNE\/CP n\u00ba. 01, de 18 de fevereiro de 2002 e outras normas posteriores exigidas pela reforma de Ensino Superior no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Considerando a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o completa dos profissionais da Educa\u00e7\u00e3o que optam pela doc\u00eancia no Ensino Religioso, de forma a receberem o mesmo tratamento concedido aos profissionais das demais \u00e1reas, \u00e9 que se prop\u00f5e a forma\u00e7\u00e3o de Professores de Ensino Religioso, em n\u00edvel Superior, Curso de Licenciatura, de Gradua\u00e7\u00e3o Plena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aos que s\u00e3o contra o Ensino Religioso Escolar, na concep\u00e7\u00e3o que o colocamos, afirmo: \u00c9 preciso\u00a0 manifestar, na educa\u00e7\u00e3o, os melhores valores dos jovens, seu esp\u00edrito religioso e lhes ensinar os caminhos para superar a viol\u00eancia, aproximar-se da felicidade, ajud\u00e1-los a levar uma vida s\u00f3bria e a adquirir as atitudes, virtudes e costumes que tornariam est\u00e1vel o lar que venham estabelecer e que os converteria em construtores solid\u00e1rios da paz e do futuro da sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A escola \u00e9 chamada a transformar-se, antes de mais nada, em lugar privilegiado de forma\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o integral, mediante assimila\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e cr\u00edtica da cultura, confrontando e inserindo valores perenes no contexto atual. Na escola, enquanto institui\u00e7\u00e3o educativa compete destacar a dimens\u00e3o \u00e9tica e religiosa da cultura. Assim, a educa\u00e7\u00e3o deve humanizar e personalizar o ser humano para que ele humanize o seu mundo, produza cultura, transforme e construa a hist\u00f3ria.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Li o que foi publicado na Revista \u00c9poca pelas jornalistas Ana ARANHA E Martha Mendon\u00e7a, na edi\u00e7\u00e3o n\u00ba. 537, de 1\u00ba. De setembro de 2008, abordando a tem\u00e1tica do ENSINO RELIGIOSO NAS\u00a0 ESCOLAS P\u00daBLICAS.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11937"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11937\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}