{"id":11943,"date":"2008-07-28T00:00:00","date_gmt":"2008-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-que-sao-as-indulgencias\/"},"modified":"2008-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-28T03:00:00","slug":"o-que-sao-as-indulgencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-que-sao-as-indulgencias\/","title":{"rendered":"O que s\u00e3o as indulg\u00eancias?"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">Unindo-nos \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do Ano Paulino institu\u00eddo pelo Papa Bento XVI, em comemora\u00e7\u00e3o aos dois mil anos do nascimento do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, concedemos aos fi\u00e9is crist\u00e3os de nossa Arquidiocese de Juiz de Fora o privil\u00e9gio de Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria. Para alcan\u00e7\u00e1-la, por\u00e9m, necessita-se de uma s\u00e9rie de disposi\u00e7\u00f5es, a come\u00e7ar pelo Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, conforme aludida no Decreto n\u00ba 025\/2008 e j\u00e1 extensamente discorrida em artigo anterior. Desta vez, ocupamo-nos em buscar esclarecer aos caros leitores sobre as indulg\u00eancias.<\/div>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que s\u00e3o as indulg\u00eancias? A inquiri\u00e7\u00e3o quase se torna inevit\u00e1vel, principalmente quando, ao mencion\u00e1-las, reportamos a determinados per\u00edodos da hist\u00f3ria em que t\u00e3o benevolente concess\u00e3o tomou uma conota\u00e7\u00e3o err\u00f4nea, pela m\u00e1 compreens\u00e3o e at\u00e9 maldosa interpreta\u00e7\u00e3o dos fatos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com o Manual das Indulg\u00eancias aprovado pela Santa S\u00e9 e publicado em 1990 pela CNBB (cf. Edi\u00e7\u00f5es Paulinas, SP, 1990, p\u00e1g. 15-19), \u201cindulg\u00eancia \u00e9 a remiss\u00e3o, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados j\u00e1 perdoados quanto \u00e0 culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condi\u00e7\u00f5es, alcan\u00e7a por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da reden\u00e7\u00e3o, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfa\u00e7\u00f5es de Cristo e dos Santos. (cf. Indulgentiarum Doctrina, Norma 1)\u201d. Ou seja, tendo se reconciliado pelo Sacramento da Penit\u00eancia \u2013 lembramos, aqui, da necessidade da perfeita contri\u00e7\u00e3o, sem nenhum afeto ao pecado -, e cumpridas as demais condi\u00e7\u00f5es, o fiel recebe gra\u00e7as especiais (seja para si ou para a sua pessoa, ou para os irm\u00e3os que padecem no purgat\u00f3rio) para a remiss\u00e3o de algum \u201cresqu\u00edcio do pecado\u201d. \u201cA indulg\u00eancia \u00e9 parcial ou plen\u00e1ria, conforme liberta, em parte ou no todo, da pena temporal devida pelos pecados\u201d (I.D., Norma 2).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por muitos anos, principalmente nos primeiros s\u00e9culos, as obras de penit\u00eancia eram o que talvez, hoje, consideremos severas; muitas vezes n\u00e3o por imposi\u00e7\u00e3o da autoridade eclesi\u00e1stica, mas por iniciativa do contrito penitente. Com o passar do tempo, num gesto de clem\u00eancia, buscando, ainda, conter determinados escr\u00fapulos e abusos, a Santa Igreja, pela autoridade que Nosso Senhor a concedeu, abrandou essas pr\u00e1ticas por outras associadas aos m\u00e9ritos do Divino Redentor, como a recita\u00e7\u00e3o do Santo Ros\u00e1rio ou de ora\u00e7\u00f5es diversas, jaculat\u00f3rias, atos de piedade, peregrina\u00e7\u00f5es etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E quando o verdadeiro e claro sentido das indulg\u00eancias se nos torna compreens\u00edvel, somos desafiados por relatos anticlericais sobre as \u201cvendas de salva\u00e7\u00e3o\u201d. Ora, querer macular a Hist\u00f3ria Eclesi\u00e1stica, al\u00e9m dos pecados dos homens \u2013 at\u00e9 do clero -, \u00e9 o c\u00famulo da sordidez da imagina\u00e7\u00e3o humana. No entanto, infelizmente, muitos s\u00e3o capazes disso, ferindo gravemente a Esposa Imaculada de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos que, ao longo da Hist\u00f3ria, a corrup\u00e7\u00e3o sempre buscou espa\u00e7o, seja no cora\u00e7\u00e3o dos homens, seja no seio das institui\u00e7\u00f5es. E na Igreja n\u00e3o foi diferente, principalmente no per\u00edodo da Renascen\u00e7a, de forte influ\u00eancia da cultura pag\u00e3 nas artes, em detrimento de tudo o que deveria puramente conduzir \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da pessoa em seu todo. Mas mesmo nessa onda de degrada\u00e7\u00e3o moral e espiritual, a gra\u00e7a de Deus nunca faltou, tanto que temos in\u00fameros exemplos de pessoas que se santificaram, condenaram os abusos e salvaram almas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nesse ambiente foi que o papa Le\u00e3o X, em 1514, pelo Decreto \u201cCum postquam\u201d, concedeu indulg\u00eancias aos \u201cfi\u00e9is de Cristo, unidos pela caridade como membros a Cristo, quer se achem nesta vida, quer no Purgat\u00f3rio, pela abund\u00e2ncia dos m\u00e9ritos de Cristo e dos Santos. E concedendo tanto para os vivos como para os defuntos, por apost\u00f3lica autoridade, a indulg\u00eancia, acostumou-se a dispensar o tesouro dos m\u00e9ritos de Jesus Cristo e dos Santos, e a conferir a mesma indulg\u00eancia a modo de absolvi\u00e7\u00e3o, ou a transferir a modo de sufr\u00e1gio. E por isso todos, tanto vivos como defuntos, que verdadeiramente alcan\u00e7aram essas indulg\u00eancias, s\u00e3o livres de tanta pena temporal, devida segundo a justi\u00e7a divina por seus pecados atuais, quanto foi a indulg\u00eancia concedida e adquirida, equivalentemente\u201d (DI, ref. 37), explicitando, mais adiante, que as concedia a \u201cqualquer crist\u00e3o que recebesse os sacramentos e desse esmola\u201d (cf. BETTENCOURT, Est\u00eav\u00e3o. Curso de Hist\u00f3ria da Igreja. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, p.151). Portanto, como t\u00e3o bem nos exp\u00f5e Dom Est\u00e9v\u00e3o Bettencourt, de santa mem\u00f3ria, o perd\u00e3o dos pecados \u00e9 um pr\u00e9-requisito indispens\u00e1vel para se lucrar as indulg\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o nos esque\u00e7amos, contudo, que a Santa Igreja \u00e9 composta por homens suscept\u00edveis a todas as fraquezas, principalmente as tibiezas morais, adubo para a corrup\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, torna-se oportuno reportarmos-nos ao Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, que t\u00e3o bem nos ensina em seu \u00a7 827: &#8220;Mas enquanto Cristo, &#8216;santo, inocente, imaculado&#8217;, n\u00e3o conheceu o pecado, mas veio apenas para expiar os pecados do povo, a Igreja, reunindo em seu pr\u00f3prio seio os pecadores ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificar-se, busca sem cessar a penit\u00eancia e a renova\u00e7\u00e3o. &#8211; Todos os membros da Igreja, inclusive seus ministros, devem reconhecer-se pecadores. Em todos eles o joio do pecado continua ainda mesclado ao trigo do Evangelho at\u00e9 o fim dos tempos. A Igreja re\u00fane, portanto, pecadores alcan\u00e7ados pela salva\u00e7\u00e3o de Cristo, mas ainda em via de santifica\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, acreditamos que, certamente, aconteceram abusos, como inclusive a Hist\u00f3ria da Igreja relata a respeito de Jo\u00e3o Tetzel, um dos mais conhecidos acusados de \u201cvender\u201d essas indulg\u00eancias. No entanto, nunca podemos olvidar a gra\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, ardente na Igreja, e que sempre a manteve sobre a Rocha firme em que Nosso Senhor a edificou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O dinheiro nunca foi condi\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o das indulg\u00eancias. Como nos explica ainda Dom Estev\u00e3o, \u201cquando a Igreja indulgenciava a pr\u00e1tica de esmolas, n\u00e3o tencionava dizer que o dinheiro produz efeitos magn\u00edficos, mas queria apenas estimular a caridade ou as disposi\u00e7\u00f5es \u00edntimas do crist\u00e3o para que conseguisse libertar-se das esc\u00f3rias remanescentes do pecado\u201d (op. cit.). Quanto \u00e0 revolta de Martinho Lutero, que passou \u00e0 posteridade erroneamente como a Reforma Protestante, a quest\u00e3o das indulg\u00eancias foi de somenos import\u00e2ncia. Lan\u00e7ando o subjetivismo da \u201csola scriptura e sola fide\u201d, ele rejeitou os dogmas que bem definem o processo de salva\u00e7\u00e3o das pessoas, abjurando os Sacramentos, a Tradi\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica e o Sagrado Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cComo \u00e9 triste e amargo ter abandonado o Senhor Deus\u201d (cf. Jr 2,19), pois, como reafirma o precioso documento \u201cLumen Gentium\u201d, a Igreja \u00e9 o \u201csacramento universal da salva\u00e7\u00e3o da humanidade\u201d (48). Por meio do pecado o homem se afasta de Deus, distancia-se da salva\u00e7\u00e3o. Mas a Miseric\u00f3rdia Divina, que nos deixou no Memorial de sua Paix\u00e3o as fontes inesgot\u00e1veis da nossa reden\u00e7\u00e3o, resgata-nos dos erg\u00e1stulos do pecado e, purificados pelo Sacramento da Penit\u00eancia e restaurados pela participa\u00e7\u00e3o na Sagrada Eucaristia, privil\u00e9gios que s\u00f3 a Santa Igreja pode conceder, reaproximamo-nos da deliciosa conviv\u00eancia \u00edntima com Nosso Senhor Jesus Cristo, na esperan\u00e7a de, um dia, gozarmos da plenitude da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que os fi\u00e9is cat\u00f3licos de nossa querida Arquidiocese de Juiz de Fora n\u00e3o percam esta oportunidade que a Igreja \u2013 M\u00e3e e Mestra \u2013 lhes concede neste Ano Paulino.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eurico dos Santos Veloso<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Unindo-nos \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es do Ano Paulino institu\u00eddo pelo Papa Bento XVI, em comemora\u00e7\u00e3o aos dois mil anos do nascimento do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo, concedemos aos fi\u00e9is crist\u00e3os de nossa Arquidiocese de Juiz de Fora o privil\u00e9gio de Indulg\u00eancia Plen\u00e1ria. 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