{"id":11950,"date":"2009-07-21T00:00:00","date_gmt":"2009-07-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-g8-e-o-mundo-pobre\/"},"modified":"2009-07-21T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-21T03:00:00","slug":"o-g8-e-o-mundo-pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-g8-e-o-mundo-pobre\/","title":{"rendered":"O G8 e o mundo pobre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Periodicamente, os Presidentes e Primeiros Ministros dos pa\u00edses \u201cmais industrializados e desenvolvidos economicamente\u201d, se re\u00fanem com uma agenda de trabalho que, obviamente, preserva a sua hegemonia e, secundariamente, inclui pol\u00edticas de apoio a na\u00e7\u00f5es que se encontram em absoluto subdesenvolvimento. Com efeito, esta causa entra na pauta de discuss\u00f5es dos pa\u00edses ricos, h\u00e1 muito tempo. Em alguns momentos, como aconteceu em L\u2019Aquila, It\u00e1lia, recentemente, como convidados, participaram da reuni\u00e3o deste Grupo os governantes dos pa\u00edses em desenvolvimento &#8211; Bric (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China), por seu lugar na economia mundial. As rela\u00e7\u00f5es entre as na\u00e7\u00f5es, no plano pol\u00edtico, se estabelecem sempre a partir do reconhecimento, respeito e defesa da sua respectiva soberania, muito embora isso seja bastante relativo, a exemplo do quadro dos governos totalit\u00e1rios no mundo, nas d\u00e9cadas de 60 a 80 que, sabidamente, n\u00e3o foram escolhidos pela popula\u00e7\u00e3o, mas impostos por golpes militares, por sua vez, teleguiados por pol\u00edticas estrangeiras.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<div style=\"text-align: justify\">\n<p>Atualmente, h\u00e1 uma mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o na diplomacia, quando ocorre caso de anormalidade democr\u00e1tica num determinado pa\u00eds, a exemplo do que acontece, em Honduras; h\u00e1 sempre contesta\u00e7\u00f5es e, em alguns casos, repres\u00e1lias com san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. Quando, por\u00e9m, os interesses econ\u00f4micos e comerciais norteiam as rela\u00e7\u00f5es internacionais, movidas por outras refer\u00eancias, como a competi\u00e7\u00e3o e a concorr\u00eancia, quase sempre, em condi\u00e7\u00f5es absolutamente desiguais, j\u00e1 n\u00e3o considerados os direitos fundamentais das na\u00e7\u00f5es pobres.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Os analistas pol\u00edticos e econ\u00f4micos reconhecem que a crise mundial nasceu nos pa\u00edses ricos, decorrente da desastrosa condu\u00e7\u00e3o do capital financeiro. Por sua peculiaridade, afeta, de maneira dr\u00e1stica, as \u201clocomotivas\u201d da economia mundial, desequilibrando a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de bens, da\u00ed sua repercuss\u00e3o interna e externa. Todavia, embora grandes e complexos, os problemas sociais e financeiros dos pa\u00edses pobres n\u00e3o tiveram a capacidade de mover a humanidade porque os pa\u00edses ricos, ao p\u00e9 da letra, podem viver sem eles. No encerramento do encontro de L\u2019Aquila, analistas afirmaram: \u201cG8 \u00e9 longo em boas palavras e curto em concretiza\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentando: \u201co comunicado do G8 sobre economia global, mudan\u00e7a clim\u00e1tica e ajuda cont\u00e9m um conjunto de boas inten\u00e7\u00f5es e declara\u00e7\u00f5es concretas insuficientes.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As dist\u00e2ncias continuam abismais entre pa\u00edses pobres e ricos devido, basicamente, \u00e0 sua localiza\u00e7\u00e3o geo-pol\u00edtica no mapa mundi, n\u00e3o obstante, decis\u00f5es assumidas em vista de uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica mundial, com o in\u00edcio do terceiro mil\u00eanio. A Igreja, mestra da verdade, eleva sua voz em torno dessa causa, como o fez com a Carta Apost\u00f3lica \u201cNovo Millennio Ineunte&#8221; (No in\u00edcio do novo mil\u00eanio) de Jo\u00e3o Paulo II: \u201cNo nosso tempo, de fato, s\u00e3o muitas as necessidades que interpelam a sensibilidade crist\u00e3. O nosso mundo come\u00e7a o novo mil\u00eanio, carregado com as contradi\u00e7\u00f5es dum crescimento econ\u00f4mico, cultural e tecnol\u00f3gico que oferece a poucos afortunados grandes possibilidades e deixa milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 margem do progresso, mas a bra\u00e7os com condi\u00e7\u00f5es de vida muito inferiores ao m\u00ednimo que \u00e9 devido \u00e0 dignidade humana. Como \u00e9 poss\u00edvel que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados m\u00e9dicos mais elementares, quem n\u00e3o tenha uma casa onde abrigar-se?\u201d Bento XVI, na Enc\u00edclica \u201cCaritas in Veritate\u201d (A Caridade na Verdade), trata da natureza da rela\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses ricos e pobres:\u00a0 \u201cAtualmente o quadro do desenvolvimento \u00e9 polic\u00eantrico. Os atores e as causas tanto do subdesenvolvimento como do desenvolvimento s\u00e3o m\u00faltiplas, as culpas e os m\u00e9ritos s\u00e3o diferenciados. (&#8230;) Hoje a linha de demarca\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses ricos e pobres j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o n\u00edtida como nos tempos da Populorum progressio\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva de Fran\u00e7a<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Periodicamente, os Presidentes e Primeiros Ministros dos pa\u00edses \u201cmais industrializados e desenvolvidos economicamente\u201d, se re\u00fanem com uma agenda de trabalho que, obviamente, preserva a sua hegemonia e, secundariamente, inclui pol\u00edticas de apoio a na\u00e7\u00f5es que se encontram em absoluto subdesenvolvimento. 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