{"id":11951,"date":"2009-03-23T00:00:00","date_gmt":"2009-03-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pobreza-e-violencia\/"},"modified":"2009-03-23T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-23T03:00:00","slug":"pobreza-e-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/pobreza-e-violencia\/","title":{"rendered":"Pobreza e viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify\">\n<p>\u00c9 bastante generalizada a associa\u00e7\u00e3o que muitas pessoas fazem entre pobreza e viol\u00eancia. Trata-se de um ponto de vista equivocado e, profundamente, injusto porque pessoas, comunidades, regi\u00f5es e na\u00e7\u00f5es pobres s\u00e3o vistas e tidas como causa da viol\u00eancia social. O erro desse ju\u00edzo est\u00e1 na generaliza\u00e7\u00e3o porque, pelo fato de haver pessoas e grupos, numa determinada \u00e1rea de uma cidade, identificados por sua reconhecida viol\u00eancia, n\u00e3o se pode estender a todos os habitantes a pecha de violentos. Assim, na leitura de muitas pessoas, em determinados bairros de uma cidade onde, efetivamente, se registram casos violentos, seus habitantes s\u00e3o considerados os causadores da inseguran\u00e7a social, embora sejam cidad\u00e3os e trabalhadores honestos. Normalmente, a sociedade \u00e9 induzida a ter uma compreens\u00e3o distorcida da realidade, por alguns profissionais da comunica\u00e7\u00e3o que atuam em alguns programas de r\u00e1dio e televis\u00e3o, com car\u00e1ter sensacionalista, passando-lhe uma imagem extremamente negativa. Esse tipo de abordagem est\u00e1 muito disseminado por ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o que t\u00eam um alcance nacional, regional ou local.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse problema assume uma dimens\u00e3o muito preocupante porque as pessoas s\u00e3o julgadas por sua condi\u00e7\u00e3o de pobreza e pela localiza\u00e7\u00e3o de sua moradia. A CF 2009 identifica essa situa\u00e7\u00e3o: \u201cAssociar pobreza e viol\u00eancia pode gerar grandes injusti\u00e7as na avalia\u00e7\u00e3o das pessoas. Milhares de moradores de certos bairros das grandes cidades sequer ousam apresentar o pr\u00f3prio endere\u00e7o quando encaminham curr\u00edculos com a finalidade de obter um emprego. O simples fato de morar em certas regi\u00f5es j\u00e1 \u00e9 suficiente para estigmatiz\u00e1-los, como se fossem todos delinquentes.\u201d Embora sejam detectados casos de viol\u00eancia praticada por \u201cjovens de fam\u00edlias abastadas\u201d, a sua divulga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem a mesma \u00eanfase e tampouco \u00e9 usado o mesmo linguajar depreciativo, ao se referirem aos seus delitos. A CF constata que \u201cpode haver pessoas violentas em qualquer lugar do tecido social.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Naturalmente, n\u00e3o podemos desconhecer que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre a qualidade de vida das pessoas e a sua realidade geogr\u00e1fica e social. Esse fen\u00f4meno est\u00e1 vindo \u00e0 tona, de forma muito evidente, em meio \u00e0 crise da economia mundial. Est\u00e1 piorando a qualidade de vida de muitas pessoas, por exemplo, em decorr\u00eancia da perda do emprego; se para os pobres viver com dignidade sempre foi um desafio, como n\u00e3o pensar na situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas que \u201cvivem abaixo da linha da pobreza\u201d? De fato, \u00e9 muito palp\u00e1vel a rela\u00e7\u00e3o que existe entre pobreza extrema, entre mis\u00e9ria e viol\u00eancia. Entre n\u00f3s, os \u201cbols\u00f5es de mis\u00e9ria\u201d s\u00e3o lugares que alimentam a viol\u00eancia, dado que seus habitantes se encontram em estado de necessidade absoluta dos bens essenciais \u00e0 vida e \u00e0 conviv\u00eancia de qualquer ser humano. Numa palavra, a mis\u00e9ria \u00e9 caminho que leva, diretamente, \u00e0 viol\u00eancia; essa rela\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o deve ser aplicada \u00e0 pobreza que permite que as pessoas sejam felizes e realizadas, no tocante ao seu n\u00edvel de aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outros continentes e pa\u00edses est\u00e3o conhecendo esse problema. Na Europa, alguns pa\u00edses encaram problemas de inseguran\u00e7a, como consequ\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o clandestina de cidad\u00e3os de outros continentes ou de cidad\u00e3os da pr\u00f3pria comunidade europ\u00e9ia, especialmente oriundos de pa\u00edses do leste europeu, em raz\u00e3o da dificuldade de inser\u00e7\u00e3o, de dom\u00ednio da l\u00edngua, do desemprego, da falta de moradia, da perda dos v\u00ednculos familiares e tamb\u00e9m por problemas de criminalidade em sua hist\u00f3ria pregressa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio fazer grande investiga\u00e7\u00e3o para se chegar a essa conclus\u00e3o: a inseguran\u00e7a de vida, de parte de muitos daqueles que vivem abaixo da linha da pobreza, tem como efeito a viol\u00eancia social. Disso tamb\u00e9m se ocupa a CF 2009.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Genival Saraiva de Fran\u00e7a<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 bastante generalizada a associa\u00e7\u00e3o que muitas pessoas fazem entre pobreza e viol\u00eancia. Trata-se de um ponto de vista equivocado e, profundamente, injusto porque pessoas, comunidades, regi\u00f5es e na\u00e7\u00f5es pobres s\u00e3o vistas e tidas como causa da viol\u00eancia social. 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