{"id":11984,"date":"2010-06-11T00:00:00","date_gmt":"2010-06-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-quero-ser-noticia-mas-levo-uma-boa-noticia\/"},"modified":"2010-06-11T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-11T03:00:00","slug":"nao-quero-ser-noticia-mas-levo-uma-boa-noticia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/nao-quero-ser-noticia-mas-levo-uma-boa-noticia\/","title":{"rendered":"N\u00e3o quero ser not\u00edcia, mas levo uma Boa Not\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Ao concluir o Ano Sacerdotal no dia de amanh\u00e3, gostaria de reportar aqui alguns depoimentos de um mission\u00e1rio, que deixando a sua p\u00e1tria, n\u00e3o vai para tirar dinheiro dos pobres para construir templos majestosos e nem criar tesouros nos grandes fundos financeiros, e sim para promover e defender a vida.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sacerdote Mart\u00edn Lasarte, que est\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos em Angola, relata enternecedoras hist\u00f3rias de sacerdotes que entregam as suas vidas at\u00e9 limites inimagin\u00e1veis, mas\u2026n\u00e3o s\u00e3o not\u00edcia. O mission\u00e1rio uruguaio Mart\u00edn Lasarte, um mission\u00e1rio que vive h\u00e1 mais de 20 anos em Angola, define-se a si mesmo numa carta enviada ao The New York Times como \u00abum simples sacerdote cat\u00f3lico\u00bb que se sente \u00abfeliz e orgulhoso\u00bb da sua voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u201cO di\u00e1rio norte-americano, que liderou a campanha contra a Igreja e o Papa por causa dos casos de pedofilia cometidos por alguns cl\u00e9rigos, ainda n\u00e3o respondeu. Nela, Lasarte explica o trabalho silencioso a favor dos mais desfavorecidos que a maioria dos sacerdotes da Igreja cat\u00f3lica fazem nestas paragens, mas que, no entanto, \u00abn\u00e3o \u00e9 not\u00edcia\u00bb. \u00abCausa-me uma grande dor que pessoas que deveriam ser sinais do amor de Deus tenham sido um punhal na vida de inocentes. N\u00e3o existem palavras que justifique tais atos. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que a Igreja s\u00f3 pode estar do lado dos fracos, dos mais indefesos. Portanto todas as medidas que venham a ser tomadas para a prote\u00e7\u00e3o, preven\u00e7\u00e3o da dignidade das crian\u00e7as ser\u00e3o sempre uma prioridade absoluta\u00bb, afirma o mission\u00e1rio na sua carta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, acrescenta o mission\u00e1rio, \u00ab\u00e9 curiosa a escassez de not\u00edcias e o desinteresse pelos milhares e milhares de sacerdotes que se consomem pelos milh\u00f5es de crian\u00e7as, pelos adolescentes e os mais desfavorecidos nos quatro cantos do mundo\u00bb. N\u00e3o \u00e9 not\u00edcia transportar crian\u00e7as atrav\u00e9s de campos minados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 noticia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes, religiosos tenham deixado a sua terra, a sua fam\u00edlia para servir os seus irm\u00e3os em leprosarios, hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crian\u00e7as acusadas de feiticeiras ou \u00f3rf\u00e3os de pais que faleceram com aids, em escolas para os mais pobres, em centros de forma\u00e7\u00e3o profissional, em centros que prestam cuidados a soropositivos\u2026 ou sobretudo em par\u00f3quias e miss\u00f5es para motivar as pessoas a viver e amar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 not\u00edcia -diz- que o meu amigo, o padre Marcos Aur\u00e9lio, para salvar alguns jovens durante a guerra em Angola, tenha sido fuzilado no caminho; que o irm\u00e3o Francisco, com cinco catequistas, por terem ido ajudar em \u00e1reas rurais mais rec\u00f4nditas tenham falecido num acidente; que dezenas de mission\u00e1rios em Angola tenham falecido por falta de socorro sanit\u00e1rio, por causa de uma simples mal\u00e1ria; que outros tenham saltado pelo ar, por causa de uma mina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o \u00e9 not\u00edcia acompanhar a vida dum sacerdote \u201cnormal\u201d no seu dia a dia, nas suas dificuldades e alegrias consumindo sem ru\u00eddo a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade \u00e9 que n\u00e3o procuramos ser not\u00edcia, mas simplesmente levar a Boa Noticia, essa not\u00edcia que sem ru\u00eddo come\u00e7ou na noite de P\u00e1scoa.Faz mais ru\u00eddo uma \u00e1rvore que cai do que uma floresta inteira que cresce! O sacerdote n\u00e3o \u00e9 nem um her\u00f3i nem um neur\u00f3tico. \u00c9 um simples homem, que com a sua humanidade procura seguir Jesus e servir os seus irm\u00e3os. Existem mis\u00e9rias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e tamb\u00e9m beleza e bondade como em cada criatura.Insistir de forma obcecada e persecut\u00f3ria num tema perdendo a vis\u00e3o de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerd\u00f3cio cat\u00f3lico com as quais me sinto ofendido, afirma o mission\u00e1rio. E conclui: S\u00f3 lhe pe\u00e7o amigo periodista, que procure a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso torna-lo-\u00e1 nobre na sua profiss\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse testemunho caracteriza muito bem a nossa presen\u00e7a no mundo e marca profundamente o sentido do nosso sacerd\u00f3cio hoje. Por isso recordo o que diz o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cSomos o que somos pela gra\u00e7a de Deus\u201d. A Ele entregamos tudo, para dele sermos herdeiros de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>Dom Anuar Battisti<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao concluir o Ano Sacerdotal no dia de amanh\u00e3, gostaria de reportar aqui alguns depoimentos de um mission\u00e1rio, que deixando a sua p\u00e1tria, n\u00e3o vai para tirar dinheiro dos pobres para construir templos majestosos e nem criar tesouros nos grandes fundos financeiros, e sim para promover e defender a vida.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11984"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=11984"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/11984\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=11984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=11984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=11984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}