{"id":11994,"date":"2010-06-14T00:00:00","date_gmt":"2010-06-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-amor-e-o-perdao\/"},"modified":"2010-06-14T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-14T03:00:00","slug":"o-amor-e-o-perdao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-amor-e-o-perdao\/","title":{"rendered":"O amor e o perd\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A Palavra de Deus nos convida neste domingo a refletir sobre o perd\u00e3o misericordioso de Jesus. O evangelho \u00e9 de Lucas, 7,36-8,3. O contexto da cena \u00e9 um banquete. Jesus participa como convidado. Oferecem-lhe os seus dons duas pessoas muito diversas: um fariseu e uma mulher de m\u00e1 fama.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fariseu o convida a um almo\u00e7o suntuoso. Seria exagerado acus\u00e1-lo de vontade m\u00e1; talvez tenha convidado Jesus porque sentia respeito por ele. Todavia, no fundo de seu gesto, existe um sentido de cr\u00edtica e de suspeita, e por isso ousa julgar-lhe a conduta. Ele tem sua verdade feita, conhece Deus e n\u00e3o tem necessidade que algu\u00e9m lhe ensine a nova profundidade do reino e da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A mulher p\u00fablica n\u00e3o foi convidada, mas se apresenta espontaneamente. Sabe que Jesus oferece uma mensagem salvadora, conheceu a sua virtude de homem que se dedica inteiramente aos outros, e portanto vem oferecer-lhe simplesmente aquilo que tem: o perfume que usa no seu trabalho, as suas l\u00e1grimas e os seus beijos. Tomado em si , este gesto \u00e9 ambivalente. O fariseu, fiel \u00e0s suas normas de moralidade estreita, condena a mulher, qualifica o seu gesto de ligeireza e julga Jesus que se deixa tratar daquele modo. Jesus ao inv\u00e9s interpretou a atitude da mulher como um ato do seu amor, como express\u00e3o de gratid\u00e3o por ter sido compreendida e perdoada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A vis\u00e3o de Jesus \u00e9 compreendida melhor atrav\u00e9s de uma par\u00e1bola: entre dois devedores insolv\u00edveis , amar\u00e1 mais o Senhor aquele ao qual foi perdoado um d\u00e9bito maior.\u00a0 Aplicando a par\u00e1bola precisa-se\u00a0 melhor a atitude do fariseu e a da prostituta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fariseu Sim\u00e3o e a mulher pecadora encarnam duas atitudes diante de Deus, como o fariseu e o publicano de uma outra par\u00e1bola representam dois tipos de religiosidade (Luca 18,10-14). Mas aqui os modelos s\u00e3o reais e interpretam ao vivo uma nova par\u00e1bola de Jesus: a dos dois devedores insolventes e perdoados. Sim\u00e3o \u00e9 o que deve cinq\u00fcenta dinheiros e a mulher quinhentos. Depois que o d\u00e9bito de ambos \u00e9 perdoado, \u00e9 claro quem \u00e9 mais grato pelo favor, isto \u00e9, quem ama mais: a mulher cujos gestos de afeto para Jesus, diferente da cort\u00eas reprova\u00e7\u00e3o do fariseu, demonstram somente amor e alegria pela experi\u00eancia do perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O amor que\u00a0 nos demonstra quem nos perdoa, Isto \u00e9 Deus, \u00e9 o que regenera a pessoa. Por isso devemos come\u00e7ar com reconhecer a nossa situa\u00e7\u00e3o de pecado. Encarnamos o fariseu Sim\u00e3o quando perdemos a consci\u00eancia de ser pecadores, coisa que efetivamente est\u00e3o perdendo o homem e a mulher de hoje. N\u00e3o se trata de um sentimento doentio, mas real\u00edstico de culpabilidade. Julgar com dureza os outros sem pensar que tamb\u00e9m n\u00f3s erramos e temos necessidade do perd\u00e3o de Deus, como Davi pecador e a mulher pecadora, significa esquecer que diante de Deus somos todos devedores insolventes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O perd\u00e3o de Deus, como o seu amor, \u00e9 gratuito: talvez por isso, por causa da nossa mentalidade mercantilistica, n\u00e3o o avaliamos bastante. Jesus ensina hoje que n\u00e3o nos libertamos do pecado com nossas for\u00e7as (\u00e9 a atitude do fariseu), mas aceitando o perd\u00e3o e o amor gratuitos de Deus (atitude da pecadora). Isso diz respeito a Deus; e em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os, quem n\u00e3o se sente pecador n\u00e3o pode colaborar para construir um mundo melhor,\u00a0 porque \u00e9 incapaz de come\u00e7ar de novo, mudando a si mesmo pessoalmente e aceitando depois os outros assim como s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em Cristo, Deus se colocou do lado do homem, pelo perd\u00e3o e a reconcilia\u00e7\u00e3o. O perd\u00e3o de Deus, por sua disposi\u00e7\u00e3o, se realiza no sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o ou penit\u00eancia,\u00a0 atrav\u00e9s do qual a Igreja reconcilia com Deus e recupera para a comunidade o membro pecador.\u00a0 Mas a reconcilia\u00e7\u00e3o se faz j\u00e1 no momento em que no \u00edntimo de nosso cora\u00e7\u00e3o percebemos que ofendemos a Deus e ofendemos nosso pr\u00f3ximo, e pedimos perd\u00e3o na confian\u00e7a que Deus nos perdoa porque Ele mesmo tomou a iniciativa de oferecer-nos o perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A grandeza do perd\u00e3o que Deus fez e faz \u00e9 provado pela grandeza do amor que esse perd\u00e3o suscita. Lembremo-nos o caso de David, de Pedro, de Paulo, de Agostinho, para que confiemos na bondade de nosso Deus nosso Pai, como nos garante seu Filho Jesus Cristo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Palavra de Deus nos convida neste domingo a refletir sobre o perd\u00e3o misericordioso de Jesus. O evangelho \u00e9 de Lucas, 7,36-8,3. O contexto da cena \u00e9 um banquete. Jesus participa como convidado. 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