{"id":12017,"date":"2010-06-18T00:00:00","date_gmt":"2010-06-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/deposito-das-cruzes\/"},"modified":"2010-06-18T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-18T03:00:00","slug":"deposito-das-cruzes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/deposito-das-cruzes\/","title":{"rendered":"Dep\u00f3sito das cruzes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Conta uma velha hist\u00f3ria: um belo dia, S\u00e3o Pedro reclamou com o Senhor que a cruz que ele estava carregando era pesada demais. Eram muitas as responsabilidades, as cobran\u00e7as, as cr\u00edticas para aguentar. Todos lhe davam conselhos e lhe diziam como agir, mas, no final, n\u00e3o era muito f\u00e1cil tomar as decis\u00f5es certas. Assim S\u00e3o Pedro pediu a Jesus licen\u00e7a para trocar de cruz. \u2013 Se voc\u00ea quer assim \u2013 respondeu-lhe Jesus \u2013 venha comigo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ent\u00e3o o Senhor o levou a um dep\u00f3sito cheio de cruzes de todas\u00a0 as medidas, v\u00e1rios tamanhos e materiais. S\u00e3o Pedro ficou feliz. Largou a sua cruz num canto, e come\u00e7ou a experimentar outras cruzes. De imediato viu uma bem pequena, quis coloc\u00e1-la no ombro, mas nem conseguiu levant\u00e1-la. Come\u00e7ou logo a duvidar do tamanho e do peso daquela cruz. Encontrou uma que parecia bem leve, mas era muito cumprida. N\u00e3o conseguia andar; a cruz batia em todo canto e machucava o seu ombro.\u00a0 Continuou experimentando v\u00e1rias cruzes. Todas tinham algum defeito: uma era pior do que a outra. Por fim, quando achava que tudo aquilo n\u00e3o ia dar em nada, viu uma cruz abandonada num canto. Coloco-a no ombro e&#8230; Nossa! Exclamou, era bastante pesada, mas dava para andar, e tamb\u00e9m cabia bem no seu ombro. Enfim era do tamanho certo, mesmo sendo dif\u00edcil carreg\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltou com Jesus e disse: &#8211; Mestre, esta \u00e9 a cruz que escolhi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus olhou para a cruz e deu um sorriso. Com o dedo mostrou-lhe o que l\u00e1 estava esculpido: \u201cCruz de Pedro, filho de Jo\u00e3o, o pescador da Galil\u00e9ia\u201d. Era a cruz dele mesmo, n\u00e3o tinha como trocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Lembramos as palavras de Jesus no trecho do evangelho deste domingo: \u201cSe algu\u00e9m me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me.\u201d (Lc 9,23). O que n\u00f3s pensamos, quando escutamos falar na cruz de cada um? Talvez no destino, na sina ou em algo semelhante, que \u00e9 imut\u00e1vel, como se tudo j\u00e1 estivesse decidido e n\u00f3s n\u00e3o tiv\u00e9ssemos nenhuma possibilidade de redirecionar os eventos. Os antigos chamavam isso de \u201cfato\u201d, de onde vem a palavra \u201cfatalidade\u201d, isto \u00e9: algo que deve acontecer e que \u00e9 imposs\u00edvel mudar. Refletindo sobre essas considera\u00e7\u00f5es podemos chegar a diferentes conclus\u00f5es. Apesar de muitas coisas, realmente, n\u00e3o dependerem de n\u00f3s, existem muitas outras que n\u00f3s podemos construir e moldar, organizando-as e orientando-as conforme as nossas sucessivas escolhas. Quem acredita que tudo j\u00e1 esteja escrito em algum lugar torna-se \u201cfatalista\u201d. Deixa as coisas acontecer, vai atr\u00e1s dos outros, sempre reclama da sua situa\u00e7\u00e3o, mas pouco ou nada faz para mud\u00e1-la. Acaba sendo v\u00edtima de sua pr\u00f3pria in\u00e9rcia. Outros assumem atitudes de eternos insatisfeitos. Reclamam de tudo. A vida deles \u00e9 um verdadeiro inferno, nada presta. Se escapam da depress\u00e3o, pouco fazem para mudar a pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. Digo isso porque assim como temos exemplos maravilhosos, temos exemplos tristes. Os bons exemplos v\u00eam daquelas pessoas que, apesar de possu\u00edrem alguma defici\u00eancia, lutam para super\u00e1-la, ou para contribuir de alguma maneira com a sociedade.\u00a0 No entanto outras, com perfeita sa\u00fade, acabam jogando fora as suas vidas, percorrendo os caminhos do alcoolismo, das drogas, ou da viol\u00eancia. Quantas pessoas vivem muito bem, superando obst\u00e1culos e dificuldades, revertendo situa\u00e7\u00f5es adversas; e quantas outras, infelizmente, est\u00e3o perdidas como se n\u00e3o valessem nada e pudessem ser descartadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Carregar a nossa cruz talvez signifique simplesmente aceitar, em primeiro lugar, a nossa condi\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o podemos fazer tudo, nem ganhar tudo. O que podemos fazer \u00e9 usar bem os dons que recebemos; us\u00e1-los para fazer o bem. Isso \u00e9 querer seguir Jesus. Estou convencido de que a cruz mais pesada n\u00e3o sejam tanto as dificuldades, ou as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, ou intelectuais de uma pessoa, mas a incapacidade de amar e servir com generosidade aos nossos irm\u00e3os. \u00c9 o mal que carregamos dentro de n\u00f3s, o qual chamamos de pecado, que nos impede de sermos felizes e de fazer felizes os outros. Quanto mais insistirmos no mal, mais a vida se complica; fica mais dif\u00edcil amar e sermos amados. Se fizermos sempre o bem e ajudarmos algu\u00e9m a carregar a cruz de seu sofrimento, a nossa cruz tamb\u00e9m ficar\u00e1 mais leve. Unidos carregaremos muito mais e venceremos o peso do mal, das injusti\u00e7as e das exclus\u00f5es. Unidos aguentaremos as nossas cruzes no caminho da vida, abra\u00e7ados a elas, sem querer troc\u00e1-las. Como Jesus, at\u00e9 o fim, por amor.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conta uma velha hist\u00f3ria: um belo dia, S\u00e3o Pedro reclamou com o Senhor que a cruz que ele estava carregando era pesada demais. Eram muitas as responsabilidades, as cobran\u00e7as, as cr\u00edticas para aguentar. Todos lhe davam conselhos e lhe diziam como agir, mas, no final, n\u00e3o era muito f\u00e1cil tomar as decis\u00f5es certas. 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