{"id":12038,"date":"2010-06-18T00:00:00","date_gmt":"2010-06-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-fogueiras-que-ainda-queimam\/"},"modified":"2010-06-18T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-18T03:00:00","slug":"as-fogueiras-que-ainda-queimam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/as-fogueiras-que-ainda-queimam\/","title":{"rendered":"As fogueiras que ainda queimam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Por motivos v\u00e1rios, entre eles a seguran\u00e7a e a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, hoje desapareceram as fogueiras. O folclore t\u00edpico retratando a vida simples do campo e do assim chamado caipira, com as comidas t\u00edpicas, se limita apenas em festa nos clubes, escolas, at\u00e9 como forma de arrecada\u00e7\u00e3o e ajuda ao apertado or\u00e7amento anual. Saudosismo ou n\u00e3o, mas eram tempos diferentes. Tudo era simples, tudo em fam\u00edlia. Nos arraiais do caboclo, com dan\u00e7as e comidas t\u00edpicas, passava-se o tempo contemplando as chamas da fogueira a transformar os troncos em brasa ardente, para depois passar com os p\u00e9s descal\u00e7os. E o povo a gritar de alegria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo isso faz parte do passado, dos tempos em que n\u00e3o havia a complica\u00e7\u00e3o do ativismo da vida moderna e dos aglomerados urbanos, cobertos pelo anonimato e a indiferen\u00e7a. Como seria diferente se as fogueiras voltassem a queimar n\u00e3o a lenha, mas os cora\u00e7\u00f5es distantes, frios e ego\u00edstas do homem e da mulher deste tempo, para redescobrir a beleza de ser gente com cora\u00e7\u00e3o capaz de amar e ser amados.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quero recordar entre as fogueiras hist\u00f3ricas aquela que Zacarias fez para anunciar aos parentes e vizinhos o nascimento de Jo\u00e3o. Fogo, fuma\u00e7a, luz comunicando vida, anunciando um novo tempo brotado do ventre daquela que chamavam est\u00e9ril. A fogueira de S\u00e3o Jo\u00e3o desapareceu e com ela a vida, principalmente dos que foram gerados e n\u00e3o puderam nascer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Existem fogueiras que permanecem e que jamais se apagar\u00e3o. Elas foram acesas h\u00e1 mais de dois mil anos e continuam incandescentes como se fossem acesas hoje. S\u00e3o duas relatadas nos evangelhos e ambas relacionadas a Pedro. A primeira queimava no p\u00e1tio de An\u00e1s, sogro do sumo sacerdote Caif\u00e1s, lugar onde levaram Jesus depois de ser entregue por Judas no jardim do Gets\u00eamani (Lc 22,55).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ao redor daquele fogo estava Pedro, aquecia-se e fingia ser um qualquer no meio de tantos que por curiosidade se aglomeravam a fim ver o resultado final da condena\u00e7\u00e3o daquele que ensinava nas sinagogas e pra\u00e7as e se fazia chamar de Mestre, o homem galileu. Em meio a esta expectativa, Pedro perde o anonimato diante de uma empregada, e por tr\u00eas vezes nega ter conhecido o Homem de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fogueira passa a queimar naquele momento n\u00e3o a lenha, mas a trai\u00e7\u00e3o, a vergonha, a falta de coragem, a amizade tra\u00edda, as promessas de seguimento \u00e1 todo custo. Tudo foi ao fogo pelo medo covarde ligado \u00e0 fraqueza humana de quem \u00e9 interpelado ao testemunho na hora em que menos espera. O que ficou no cora\u00e7\u00e3o daquele homem a queimar como nunca foi a dor da trai\u00e7\u00e3o e do fracasso. Depois chorou amargamente, ficando ausente em todos os passos da condena\u00e7\u00e3o e da morte do melhor amigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda fogueira foi acesa por Jesus, que por gra\u00e7a do Criador n\u00e3o tem nenhuma curiosidade ou falsos interesses, mas simplesmente o amor atrav\u00e9s de alguns peixinhos assados a esperar os desiludidos disc\u00edpulos depois de uma noite fracassada de pesca. Foi na praia do Mar da Galil\u00e9ia (Jo 21,9), onde acontecera o primeiro encontro com Pedro, Andr\u00e9 e Tiago. Apesar de experientes pescadores, trabalhando a noite toda, arriscam de madrugada, mas nenhum resultado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Foi ent\u00e3o que ouviram uma voz, mandando jogar as redes \u00e0 direita do barco. Que bela surpresa, a abund\u00e2ncia foi t\u00e3o grande que quase afundavam os barcos. O sentimento naquele momento n\u00e3o podia ser outro a n\u00e3o ser, o de dizer: \u201d\u00c8 o Senhor\u201d. Essa \u00e9 a fogueira da reconstru\u00e7\u00e3o de uma vida nova, com o ressuscitado. Foi ali que Jesus perguntou: Pedro, tu me amas mais do que estes? Foi tr\u00eas vezes perguntado em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 tr\u00edplice nega\u00e7\u00e3o. E a resposta foi tamb\u00e9m tr\u00eas vezes afirmativa: \u201cTu sabes tudo, Tu sabes que te amo\u201d. A confirma\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 imediata: \u201cApascenta as minhas ovelhas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Amigo, n\u00e3o importa o que voc\u00ea tenha feito ou deixado de fazer, existir\u00e1 sempre uma fogueira, onde Jesus te espera com um peixinho assado na brasa do amor de Deus por voc\u00ea.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Anuar Battisti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por motivos v\u00e1rios, entre eles a seguran\u00e7a e a conserva\u00e7\u00e3o da natureza, hoje desapareceram as fogueiras. O folclore t\u00edpico retratando a vida simples do campo e do assim chamado caipira, com as comidas t\u00edpicas, se limita apenas em festa nos clubes, escolas, at\u00e9 como forma de arrecada\u00e7\u00e3o e ajuda ao apertado or\u00e7amento anual. 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