{"id":12131,"date":"2010-07-12T00:00:00","date_gmt":"2010-07-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/adesgraca-de-existir\/"},"modified":"2010-07-12T00:00:00","modified_gmt":"2010-07-12T03:00:00","slug":"adesgraca-de-existir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/adesgraca-de-existir\/","title":{"rendered":"A(des)gra\u00e7a de existir"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">As perguntas nascidas da dor \u2013 a experi\u00eancia da perda e do mal no mundo \u2013 revelam que o cora\u00e7\u00e3o do homem foi plasmado para a alegria, uma alegria sem sombras. \u00c9 nos momentos de mais intenso sofrimento que emergem inevit\u00e1veis e pungentes as perguntas sobre o sentido da vida: por que tudo isso? Ter\u00e1 a vida sentido? Perguntas como essas n\u00e3o se poriam se n\u00e3o fosse o clamor da verdade a reclamar espa\u00e7o dentro da experi\u00eancia humana. \u00c9 como disse o Papa Jo\u00e3o Paulo II na enc\u00edclica \u201cF\u00e9 e Raz\u00e3o\u201d: \u201cbasta observar a vida de todos os dias para constatar como dentro de cada um de n\u00f3s se sente o tormento de algumas quest\u00f5es essenciais, e, ao mesmo tempo, se guarda na alma o esbo\u00e7o das respectivas respostas\u201d.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o haveria perguntas t\u00e3o lancinantes se o anseio por uma vida plena n\u00e3o constitu\u00edsse a verdade mais profunda de nosso ser, oculta sob as sombras de nossas dores. Houve pensadores que afirmaram ter o homem inventado a religi\u00e3o para n\u00e3o se confrontar com a verdade de uma exist\u00eancia, de si mesma, vazia de sentido e inevitavelmente destinada \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o. Ela nasceria do desejo teimoso e incapaz de assimilar a dura realidade de uma irremedi\u00e1vel finitude. Estranho racioc\u00ednio esse que diante da sede conclui ser a \u00e1gua uma ilus\u00e3o da fantasia premida pelo desejo. Se a exist\u00eancia humana aparece como persistente busca de vida, e de vida em plenitude, e se essa \u00e9 uma busca in\u00fatil, porque destitu\u00edda de sentido, ent\u00e3o, \u00e9 verdade, a exist\u00eancia \u00e9 radicalmente ang\u00fastia e impot\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A conseq\u00fc\u00eancia desse posicionamento \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de Deus ou a cren\u00e7a em um Deus que teria criado o homem para se divertir com suas in\u00fateis tentativas de ser feliz. A exist\u00eancia foi por alguns mitos pensada como castigo e culpa. N\u00e3o \u00e9 este o sentir da f\u00e9 crist\u00e3 ao rezar: \u201ccreio em Deus Pai, Criador do c\u00e9u e da terra\u201d. A mensagem do livro do G\u00eanesis apresenta a exist\u00eancia do universo e do ser humano como uma d\u00e1diva de amor de um Deus desejoso de fazer outros part\u00edcipes de sua alegria de ser. A exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 desgra\u00e7a, \u00e9 gra\u00e7a; n\u00e3o \u00e9 culpa, \u00e9 alegria de ser. A onipot\u00eancia de Deus n\u00e3o \u00e9 um poder que oprime, mas a onipot\u00eancia de um amor capaz de tudo, at\u00e9 mesmo de morrer, para sustentar no cora\u00e7\u00e3o de sua criatura predileta e esperan\u00e7a operante de uma vida \u00e0 altura de sua inalien\u00e1vel dignidade. A enc\u00edclica \u201cF\u00e9 e Raz\u00e3o\u201d, retomando uma das ora\u00e7\u00f5es da liturgia da sexta-feira santa, onde a Igreja reza: \u201cDeus Eterno e Onipotente, criastes os homens para vos procurarem, de modo que s\u00f3 em v\u00f3s descansa o seu cora\u00e7\u00e3o\u201d, afirma que \u201cexiste, portanto, um caminho que o homem, se quiser pode percorrer; o seu ponto de partida est\u00e1 na capacidade de a raz\u00e3o superar o contingente para se estender ao infinito\u201d (n\u00ba 24). O problema \u00e9 que o homem nem sempre o quer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A verdade s\u00f3 se deixa alcan\u00e7ar pela raz\u00e3o quando n\u00f3s a procuramos com a paix\u00e3o de quem \u00e9 capaz de tudo deixar para encontr\u00e1-la. Ela \u00e9 o tesouro escondido e a p\u00e9rola preciosa que todo homem, ainda que inconscientemente, tenta encontrar atrav\u00e9s de suas incans\u00e1veis buscas. Deus, por\u00e9m, n\u00e3o deixou jamais o homem abandonado, s\u00f3, no seu esfor\u00e7o por encontr\u00e1-lo. N\u00f3s bem o sabemos. Ele veio ao nosso encontro. Aceitar a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9, pois, um aut\u00eantico ato da intelig\u00eancia, que, ao reconhecer-se voltada para o infinito, alegra-se pela sua apari\u00e7\u00e3o, como dom e gra\u00e7a, resposta de Deus ao cora\u00e7\u00e3o suplicante do homem, que, do fundo de sua radical pobreza de ser, aguarda uma poss\u00edvel revela\u00e7\u00e3o daquele que \u00e9 pessoalmente o Ser Infinito, Verdade e Vida, origem e destino do Universo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As perguntas nascidas da dor \u2013 a experi\u00eancia da perda e do mal no mundo \u2013 revelam que o cora\u00e7\u00e3o do homem foi plasmado para a alegria, uma alegria sem sombras. \u00c9 nos momentos de mais intenso sofrimento que emergem inevit\u00e1veis e pungentes as perguntas sobre o sentido da vida: por que tudo isso? Ter\u00e1 &hellip;<\/p>\n<p class=\"read-more\"> <a class=\"\" href=\"https:\/\/www.cnbb.org.br\/adesgraca-de-existir\/\"> <span class=\"screen-reader-text\">A(des)gra\u00e7a de existir<\/span> Leia mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12131"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}