{"id":12139,"date":"2010-07-15T00:00:00","date_gmt":"2010-07-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sao-camilo-e-a-saude-publica\/"},"modified":"2010-07-15T00:00:00","modified_gmt":"2010-07-15T03:00:00","slug":"sao-camilo-e-a-saude-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/sao-camilo-e-a-saude-publica\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Camilo e a sa\u00fade p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Celebramos nesta semana, no dia quatorze de julho, a mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00e3o Camilo de L\u00e9lis, presb\u00edtero, fundador dos Ministros dos Enfermos. S\u00e3o Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos Abruzzos, na It\u00e1lia, filho de m\u00e3e de idade avan\u00e7ada quando o concebeu. O pai, a servi\u00e7o das armas, vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Camilo, com a morte da m\u00e3e, entregou-se desvairadamente ao jogo, perdendo tudo o que tinha. Seguindo os passos do pai, foi alistar-se no ex\u00e9rcito, onde aprendeu as virtudes e os v\u00edcios dos soldados.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A fome e a mis\u00e9ria, e, sobretudo, a supura\u00e7\u00e3o de sua chaga, fizeram-no desistir da carreira militar. Tocado pelo exemplo de dois franciscanos, com sua mod\u00e9stia e do\u00e7ura, Camilo fez voto de ser um deles. Mas por causa da chaga, n\u00e3o foi recebido. Acabou indo para Roma, sendo recebido no Hospital dos Incur\u00e1veis, como enfermeiro, para curar a perna e ganhar algum dinheiro. Mas a paix\u00e3o pelo jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir atr\u00e1s das cartas. Como incorrig\u00edvel, foi expulso do hospital. Buscando a vida religiosa e sendo que algumas portas se fecharam para o seu prop\u00f3sito, Camilo foi recebido pelos capuchinhos. O superior do convento, notando nele algo de especial, falou-lhe de Deus e da voca\u00e7\u00e3o religiosa. Camilo, tocado pela gra\u00e7a,\u00a0 converteu-se, sendo recebido como postulante. Quando passava pela vila, conduzindo duas mulas do convento, a crian\u00e7ada corria atr\u00e1s dele gritando: \u201cA\u00ed vem o S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, a\u00ed vem o S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o!\u201d, devido \u00e0 sua elevada estatura. N\u00e3o era des\u00edgnio de Deus que ele permanecesse entre os franciscanos. A \u00falcera reapareceu em sua perna e eles, pesarosos, o despediram. Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos at\u00e9 a \u00falcera ser curada. Julgou ent\u00e3o seu dever voltar para os franciscanos, apesar de seu confessor, S\u00e3o Felipe N\u00e9ri, o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital. Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo enquanto cuidava dos doentes, exclamou: \u201cAh! Seria necess\u00e1rio aqui homens que n\u00e3o fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro, mas pelo amor de Nosso Senhor; que fossem verdadeiras m\u00e3es para esses pobres doentes, e n\u00e3o mercen\u00e1rios. Mas, onde encontrar tais homens?\u201d. Come\u00e7ou ent\u00e3o a ruminar o pensamento da funda\u00e7\u00e3o de uma Ordem religiosa para essa finalidade. Logo se lhe juntaram mais quatro disc\u00edpulos, com os quais ele se reunia para rezarem e meditarem juntos e depois cuidarem dos enfermos. Era o n\u00facleo de sua futura congrega\u00e7\u00e3o. Nas mil e uma dificuldades que surgiram para a consecu\u00e7\u00e3o desse fim, ele sempre encontrava consolo em Nosso Senhor crucificado, que lhe dizia: \u201cN\u00e3o temas nada, eu estarei contigo\u201d. Camilo terminou seus estudos e foi ordenado sacerdote, rezando sua primeira Missa em 10 de junho de 1584. Os Ministros dos Enfermos, como eram chamados seus filhos espirituais, aos poucos foram abrangendo outras obras de caridade. Camilo quis que eles servissem tamb\u00e9m aos doentes atacados pela peste, aos prisioneiros, aos feridos em campos de batalha e aos que estivessem morrendo em suas pr\u00f3prias casas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos podem se questionar por que na semana em que se comemora S\u00e3o Bento de N\u00farsia, fundador do monaquismo oriental, portanto, patricarca de minha congrega\u00e7\u00e3o religiosa, estou a partilhar o itiner\u00e1rio espiritual de S\u00e3o Camilo de L\u00e9lis? A resposta \u00e9 provocadora: vivemos num momento em que a sa\u00fade de nossos irm\u00e3os est\u00e1 relegada a ver ainda mais os seus hospitais filantr\u00f3picos fecharem as suas portas se houver mudan\u00e7as que prejudiquem a a\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica das Santas Casas e dos Hospitais cat\u00f3licos que, no Brasil, respondem hoje por um ter\u00e7o do atendimento \u00e0 nossa popula\u00e7\u00e3o mais carente e desprovida de planos de sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Estamos\u00a0 envolvidos na valoriza\u00e7\u00e3o dos hospitais filantr\u00f3picos, como as Miseric\u00f3rdias e os hospitais das congrega\u00e7\u00f5es e dioceses, que se colocam como locais da a\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria em favor dos mais desfavorecidos. Na bonita estrada percorrida pelos ensinamentos de Jesus Cristo, M\u00e9dico Divino, alguns dos santos da caridade e da hospitalidade, como S\u00e3o Camilo de Lellis, S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, S\u00e3o Vicente de Paulo, deram vida a casas de internamento e de cura, antecipando os que se tornaram hospitais modernos. Desta forma, a rede das institui\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-sanit\u00e1rias cat\u00f3licas foi-se constituindo como resposta de solidariedade e de caridade da Igreja ao mandamento do Senhor, que convidou os Doze a anunciar o reino de Deus e a curar os enfermos (cf. Lc 9, 6).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Campanha da Fraternidade de 2012 estar\u00e1 debatendo o tema da Sa\u00fade P\u00fablica, por\u00e9m, n\u00e3o podemos esperar at\u00e9 l\u00e1 para lan\u00e7ar esses questionamentos \u00e0 nossa sociedade. Assistimos ultimamente a muitas leis injustas sendo aprovadas e prejudicando as pessoas e a sociedade. Quando faltam verdadeiros valores da antropologia humana ca\u00edmos em uma vala que nos conduz \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da pessoa humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho dos hospitais cat\u00f3licos devemos compreender profundamente a identidade destas institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. Nessa perspectiva \u00e9 preciso ir ao centro daquilo que constitui a Igreja, onde a lei suprema \u00e9 o amor. As institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas da sa\u00fade tornam-se, assim, testemunho privilegiado da caridade do Bom Samaritano porque, ao curar os doentes, cumprimos a vontade do Senhor e contribu\u00edmos para a realiza\u00e7\u00e3o do Reino de Deus. Desta forma, elas exprimem a sua verdadeira identidade eclesial. \u00c9, portanto, um dever considerar de novo, deste ponto de vista, &#8220;o papel dos hospitais, das cl\u00ednicas e das casas de sa\u00fade:\u00a0 que a sua verdadeira identidade n\u00e3o consiste apenas em serem estruturas onde se cuida dos enfermos e doentes terminais, mas, e primariamente, ambientes nos quais o sofrimento, a dor e a morte sejam reconhecidos e interpretados no seu significado humano e especificamente crist\u00e3o. De modo especial, tal identidade cat\u00f3lica deve manifestar-se clara e eficientemente nas institui\u00e7\u00f5es dependentes de religiosos ou, de alguma maneira, ligadas \u00e0 Igreja&#8221; (cf. Carta Enc\u00edclica Evangelium vitae, 88). Um ponto fundamental tamb\u00e9m \u00e9 a identidade cat\u00f3lica e a necessidade da manuten\u00e7\u00e3o dos s\u00edmbolos cat\u00f3licos em nossos hospitais, particularmente os hospitais dos grandes centros, que s\u00e3o centros, hoje, de an\u00fancio da miseric\u00f3rdia do Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso, fa\u00e7o um ingente apelo \u00e0s autoridades governamentais para que continuem sendo parceiras privilegiadas do sumo bem que desenvolve os hospitais confessionais filantr\u00f3picos em favor da popula\u00e7\u00e3o menos favorecida. Que estes hospitais possam continuar dando o seu contributo em favor da vida e desempenhando a sua miss\u00e3o caritativa para que nossos preferidos de Deus possam continuar contando com esta rede de sa\u00fade e de solidariedade viva que \u00e9 a presen\u00e7a de Deus aonde n\u00e3o chega a a\u00e7\u00e3o do Estado. Que S\u00e3o Camilo de L\u00e9lis seja o grande exemplo de dedica\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e crist\u00e3 neste tempo de tantos interesses econ\u00f4micos, e assim nos ajude a encontrar caminhos justos na verdadeira promo\u00e7\u00e3o da filantropia, particularmente aquela desenvolvida pelas institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas de sa\u00fade.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos nesta semana, no dia quatorze de julho, a mem\u00f3ria lit\u00fargica de S\u00e3o Camilo de L\u00e9lis, presb\u00edtero, fundador dos Ministros dos Enfermos. S\u00e3o Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos Abruzzos, na It\u00e1lia, filho de m\u00e3e de idade avan\u00e7ada quando o concebeu. 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