{"id":12158,"date":"2009-10-28T00:00:00","date_gmt":"2009-10-28T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/santos-e-finados\/"},"modified":"2009-10-28T00:00:00","modified_gmt":"2009-10-28T02:00:00","slug":"santos-e-finados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/santos-e-finados\/","title":{"rendered":"Santos e Finados"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Caindo de domingo o dia primeiro de novembro, o calend\u00e1rio religioso acerta o passo com uma antiga tradi\u00e7\u00e3o. Neste ano ser\u00e1 poss\u00edvel celebrar em seq\u00fc\u00eancia o dia de todos os santos, e logo em seguida, o dia dos finados.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Santos e finados fazem parte do quadro de refer\u00eancias que comp\u00f5em uma cosmovis\u00e3o que procura integrar os diversos aspectos da realidade e da vida humana, numa tentativa de harmonizar todas as coisas num universo que tenha sentido. E\u00b4 o que todas as religi\u00f5es procuram fazer: buscar o sentido \u00faltimo de todas as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Independente do m\u00e9rito objetivo destas duas celebra\u00e7\u00f5es, elas fazem parte da vis\u00e3o de conjunto que a f\u00e9 crist\u00e3 apresenta, e que \u00e9 explicitada ao longo de cada ano pelas celebra\u00e7\u00f5es tradicionais que comp\u00f5em o calend\u00e1rio lit\u00fargico da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A quest\u00e3o de fundo, em ambas, \u00e9 a esperan\u00e7a na vida al\u00e9m da morte, interroga\u00e7\u00e3o que acompanha fatalmente nossa condi\u00e7\u00e3o humana de seres mortais, mas capazes de se perguntar pelo sentido de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A este respeito, todos t\u00eam o direito de expressar suas convic\u00e7\u00f5es, e de formular tamb\u00e9m suas proje\u00e7\u00f5es al\u00e9m dos limites de nossa compreens\u00e3o humana. Mesmo sem lan\u00e7ar m\u00e3o dos dados oferecidos pela f\u00e9, \u00e9 leg\u00edtimo o esfor\u00e7o de encontrar suporte racional para a esperan\u00e7a de uma sobrevida. Pois na verdade, o fato de sermos capazes de interrogar a eternidade, j\u00e1 \u00e9 sinal de que somos feitos para ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas \u00e9 interessante observar que a f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o se baseia em garantias racionais para cultivar sua esperan\u00e7a na vida eterna. Ela parte de outro princ\u00edpio. Ela funda sua esperan\u00e7a na maneira como Deus se revelou. Assim, a vida eterna \u00e9 uma dedu\u00e7\u00e3o, uma conseq\u00fc\u00eancia, um corol\u00e1rio, uma deriva\u00e7\u00e3o de como Deus manifestou o mist\u00e9rio de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No tempo Jesus havia dois grupos que se opunham frontalmente a respeito da ressurrei\u00e7\u00e3o. Os fariseus afirmavam convictos que havia. Os saduceus desdenhavam esta f\u00e9 e se diziam abertamente contr\u00e1rios \u00e0 ressurrei\u00e7\u00e3o. Foi a prop\u00f3sito deles que Jesus precisou tomar posi\u00e7\u00e3o, com a surpreendente resposta dada aos zombadores da vida futura. Jesus n\u00e3o se posicionou diretamente a favor da ressurrei\u00e7\u00e3o. Jesus encontra o fundamento da ressurrei\u00e7\u00e3o nas palavras ditas por Deus a Mois\u00e9s:\u00a0 \u201ceu sou o Deus de Abra\u00e3o, de Isaac e de Jac\u00f3\u201d. Da\u00ed ele tira a surpreendente conclus\u00e3o, que serve de fundamento para a f\u00e9 crist\u00e3: \u201cora, Deus n\u00e3o \u00e9 um deus de mortos, mas Deus de vivos!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para os crist\u00e3os, a vida eterna n\u00e3o \u00e9 entendida como conseq\u00fc\u00eancia de uma suposta imortalidade de nossa alma. Isto pode servir de suporte.\u00a0 Mas n\u00e3o mora a\u00ed a raz\u00e3o de nossa esperan\u00e7a, como S\u00e3o Pedro nos aconselha a buscar sempre. Nossa f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais consistente do que um simples racioc\u00ednio filos\u00f3fico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Colocados os fundamentos da f\u00e9, \u00e9 claro que a raz\u00e3o pode perceber neles a coer\u00eancia interna, que a teologia procura encontrar, como \u201cfides quaerens intellectum\u201d, no dizer de Santo Anselmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se j\u00e1 o Antigo Testamento oferecia base s\u00f3lida para a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o, muito mais o Novo Testamento, que se constr\u00f3i todo ele em torno da f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Depois de citar os fatos que servem de fundamento para o Evangelho, escrevendo aos cor\u00edntios, S\u00e3o Paulo tira a conclus\u00e3o certeira e definitiva: \u201cOra, se se prega que Cristo ressuscitou dos mortos, como podem alguns dizer que n\u00e3o h\u00e1 ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos?\u201d A f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, e em consequ\u00eancia, da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 o n\u00facleo aglutinador que harmoniza todo o conjunto da vida humana, com suas certezas presentes, e com sua esperan\u00e7a no futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Celebrando santos e finados, rendemos homenagem ao Deus dos vivos, \u201cpois para ele todos vivem\u201d.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Luiz Dem\u00e9trio Valentini<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caindo de domingo o dia primeiro de novembro, o calend\u00e1rio religioso acerta o passo com uma antiga tradi\u00e7\u00e3o. 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