{"id":12162,"date":"2009-09-14T00:00:00","date_gmt":"2009-09-14T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/simbolos-religiosos-respeito-e-responsabilidade\/"},"modified":"2009-09-14T00:00:00","modified_gmt":"2009-09-14T03:00:00","slug":"simbolos-religiosos-respeito-e-responsabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/simbolos-religiosos-respeito-e-responsabilidade\/","title":{"rendered":"S\u00edmbolos Religiosos: respeito e responsabilidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O dia 14 de setembro, no calend\u00e1rio eclesial, \u00e9 dedicado \u00e0 mem\u00f3ria da cruz de Cristo. A recente pol\u00eamica em torno da presen\u00e7a de s\u00edmbolos religiosos em locais p\u00fablicos, suscitada por um promotor no Estado de S\u00e3o Paulo, oferece ensejo para abordar esta quest\u00e3o, com os enfoques que lhe s\u00e3o inerentes.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A cruz serve de bom exemplo, para nos alertar sobre a import\u00e2ncia do equil\u00edbrio a ser observado nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como sabemos, a hist\u00f3ria registra epis\u00f3dios lament\u00e1veis, decorrentes do mau uso do s\u00edmbolo da cruz.\u00a0 Ela foi indevidamente empregada para justificar uma pretensa \u201cguerra santa\u201d, por ocasi\u00e3o das \u201ccruzadas\u201d\u00a0 empreendidas para conquistar o dom\u00ednio dos lugares onde Cristo tinha vivido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As conseq\u00fc\u00eancias duram at\u00e9 hoje. A cruz ainda \u00e9 mal vista no mundo mu\u00e7ulmano. H\u00e1 epis\u00f3dios hist\u00f3ricos que deixam feridas profundas, dif\u00edceis de cicatrizar. Neste contexto, tanto maior deve ser a discri\u00e7\u00e3o no uso de s\u00edmbolos religiosos, para n\u00e3o reacender pol\u00eamicas ou desencadear rea\u00e7\u00f5es violentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As pr\u00f3prias Na\u00e7\u00f5es Unidas d\u00e3o exemplo desta discri\u00e7\u00e3o, chegando a mudar o s\u00edmbolo de uma obra com evidentes inten\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, como \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o da \u201cCruz Vermelha\u201d.\u00a0 No mundo mu\u00e7ulmano, a \u201cCruz Vermelha\u201d\u00a0 \u00e9 substitu\u00edda pela meia lua identificada como \u201cCrescente Vermelho\u201d!.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pois bem, deste epis\u00f3dio resulta um duplo alerta. Tanto de modera\u00e7\u00e3o do uso, como de toler\u00e2ncia diante de quem utiliza s\u00edmbolos religiosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os preconceitos tamb\u00e9m podem ter dupla proced\u00eancia. Podem estar presentes no ato de usar, como igualmente no abster-se de usar. E s\u00e3o mais sutis quando se pretende que os outros adotem o mesmo crit\u00e9rio que usamos pessoalmente.\u00a0 Como parece ser o caso do referido promotor. Ele acabou dando um p\u00e9ssimo exemplo de intoler\u00e2ncia, ao propor que se pro\u00edba o uso p\u00fablico de s\u00edmbolos religiosos. Se tivesse se limitado a n\u00e3o dar import\u00e2ncia aos s\u00edmbolos, teria ficado dentro do seu direito. Mas querer que todos tenham a mesma atitude, a\u00ed come\u00e7a o preconceito, que pode se revestir de prepot\u00eancia ao invocar a a\u00e7\u00e3o do Estado para impor o seu ponto de vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acresce outra constata\u00e7\u00e3o importante a ser trazida para iluminar esta quest\u00e3o, e oferecer crit\u00e9rios adequados para o uso de s\u00edmbolos religiosos. Acontece que eles acabam se inserindo na vida, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria e sobretudo atrav\u00e9s da arte. E se tornam portadores de sentido e de valores evidentes, independente da proced\u00eancia religiosa que possam ter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Quem se atreveria a tirar o Cristo do alto do Corcovado?\u00a0 No contexto maravilhoso da Ba\u00eda da Guanabara, ele se tornou componente indispens\u00e1vel para o panorama da cidade. Se algu\u00e9m fica intrigado ao olhar para o Corcovado, que olhe um pouco para dentro de si mesmo, e tente remover o entulho preconceituoso que pode ter se aninhado no seu subconsciente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acresce tamb\u00e9m que cenas religiosas servem de inspira\u00e7\u00e3o para os artistas, que t\u00eam o dom de captar seu simbolismo, e traduzi-lo em obras de arte dos mais diversos g\u00eaneros. Diante da imagem da \u201cPiet\u00e0\u201d, de Michelangelo, ou diante do famoso quadro de Rembrandt, retratando o Filho Pr\u00f3digo, quem tem a palavra \u00e9 a for\u00e7a da arte, e seria mesquinho demais achar que estas obras, por terem inspira\u00e7\u00e3o religiosa, n\u00e3o devem ser expostas em p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Trazida a quest\u00e3o para o nosso cotidiano, na regi\u00e3o da Diocese de Jales as cidades tiveram seu in\u00edcio na planta\u00e7\u00e3o do seu cruzeiro de funda\u00e7\u00e3o. Preservar estes cruzeiros \u00e9 respeitar a hist\u00f3ria e demonstrar abertura de esp\u00edrito para a sadia conviv\u00eancia humana.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Luiz Dem\u00e9trio Valentini<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia 14 de setembro, no calend\u00e1rio eclesial, \u00e9 dedicado \u00e0 mem\u00f3ria da cruz de Cristo. 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