{"id":12216,"date":"2010-07-26T00:00:00","date_gmt":"2010-07-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ensina-nos-a-rezar\/"},"modified":"2010-07-26T00:00:00","modified_gmt":"2010-07-26T03:00:00","slug":"ensina-nos-a-rezar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/ensina-nos-a-rezar\/","title":{"rendered":"Ensina-nos a rezar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O evangelho deste domingo, Lucas 11, 1-13, nos apresenta a f\u00f3rmula de ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou aos ap\u00f3stolos: \u201cJesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus disc\u00edpulos pediu-lhe: Senhor, ensina-nos a rezar, como tamb\u00e9m Jo\u00e3o Batista ensinou a seus disc\u00edpulos. Quando rezardes, dizei: \u201cPai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. D\u00e1-nos a cada dia o p\u00e3o de que precisamos e perdoa-nos os nosso pecados, pois n\u00f3s tamb\u00e9m perdoamos a todos os nossos devedores; e n\u00e3o nos deixes cair em tenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 a abertura do homem diante do mist\u00e9rio de Deus que se revela, ou seja o reino de Deus. A ora\u00e7\u00e3o de Jesus e da Igreja revelou-se como ora\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica . \u00c9 a s\u00faplica do homem que se descobre aberto ao mist\u00e9rio do reino e que confia ilimitadamente na sua presen\u00e7a, for\u00e7a salvadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para compreender plenamente a sua profundidade \u00e9 necess\u00e1rio fixarmos nossa aten\u00e7\u00e3o sobre duas palavras. Primeiro, o reino n\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie de fatalidade que nos circunda e se transformou em um dom de amor; e, portanto, toda a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida ao Pai de modo pessoal. O reino \u00e9 o dom de amor e de confian\u00e7a que o Pai nos oferece. Em segundo lugar, o acontecimento do reino como perd\u00e3o \u00e9 condicionado pelo dom do perd\u00e3o inter-humano. Isso nos faz entender que o dom do Pai suscita em nosso mundo um ambiente de dom. Onde o perd\u00e3o de Deus n\u00e3o se traduz em um perd\u00e3o inter-humano, a ora\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 mentirosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Certamente os ap\u00f3stolos sabiam rezar, porque eram verdadeiros israelitas, temerosos a Deus, pertenciam a um povo religioso, dedicado \u00e0 ora\u00e7\u00e3o, tinham familiaridade com os salmos e outras formas de ora\u00e7\u00e3o.\u00a0 Viam Jesus que orava de maneira toda pessoal e queriam orar como ele. Jesus lhes havia ensinado j\u00e1 com o seu exemplo. A seus olhos aparecia algu\u00e9m de intensa ora\u00e7\u00e3o. Eles o tinham visto rezar nos momentos mais significativos de sua miss\u00e3o. Jesus rezou antes de receber o batismo de Jo\u00e3o Batista junto ao rio Jord\u00e3o. Passou a noite em ora\u00e7\u00e3o antes de escolher os doze ap\u00f3stolos. Esteve em ora\u00e7\u00e3o no monte da Transfigura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus fechar\u00e1 a sua exist\u00eancia terrena na ora\u00e7\u00e3o mais intensa, da profundeza do cora\u00e7\u00e3o. Como Deus, sem cessar, vive em perene comunh\u00e3o beat\u00edssima com o Pai e o Esp\u00edrito Santo; como Filho feito homem, a sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 express\u00e3o do que deve ser a ora\u00e7\u00e3o dos filhos de Deus que somos n\u00f3s. Assim, rezar\u00e1 longamente na \u00daltima Ceia. Depois, no horto das Oliveiras, e ainda pregado na cruz: \u201cPai, em tuas m\u00e3os entrego meu esp\u00edrito\u201d. Estas palavras os israelitas as recitavam na sua ora\u00e7\u00e3o da noite, mas assumiram o seu significado pleno em Jesus, na cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus, homem de ora\u00e7\u00e3o, pareceu-lhe f\u00e1cil ensinar aos doze. \u201cQuando rezardes, dizei \u201cPai!\u201d. O pai nosso nasceu do col\u00f3quio de Jesus com seu Pai celeste. \u00c9 o comp\u00eandio da boa nova do Evangelho. \u00c9 ora\u00e7\u00e3o ao Pai que o Filho maior transmite e confia a n\u00f3s seus irm\u00e3os menores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nessa ora\u00e7\u00e3o, Jesus faz como a s\u00edntese de quanto havia j\u00e1 ensinado. Diz que coisa os ap\u00f3stolos deviam pedir, mais ainda diz as verdades que devemos crer e o programa de vida que devemos realizar. Programa grandioso e empenhativo. Em toda esta ora\u00e7\u00e3o descobrimos que o amor de Deus comporta a consci\u00eancia que Deus nos ama e, em conseq\u00fc\u00eancia, devemos nos manter na espera. Com exemplos tomados do ato de um amigo que bate \u00e0 porta ou do filho que pede, o evangelista nos faz ver como devemos confiar em Deus. A nossa exist\u00eancia n\u00e3o terminou ainda: estamos incompletos. Dado que somos pobres, devemos pedir a Deus a profundidade da vida, o seu reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ensinamento sobre a ora\u00e7\u00e3o termina com algumas palavras que s\u00e3o decisivas: \u201cO vosso Pai celeste dar\u00e1 o Esp\u00edrito Santo aos que o pedirem\u201d. Sup\u00f5e-se que podemos pedir a Deus o que desejamos; se a nossa ora\u00e7\u00e3o for verdadeira, receberemos sempre o mesmo grande dom, o Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed, descobrimos que toda a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 consiste em fazer-nos dispon\u00edveis ao dom de Deus que chega. Toda vez que pedimos verdadeiramente alguma coisa, aspiramos a vinda de Deus para n\u00f3s. Se a ora\u00e7\u00e3o foi verdadeira, receberemos o Esp\u00edrito, a for\u00e7a do seu Reino em nosso meio.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O evangelho deste domingo, Lucas 11, 1-13, nos apresenta a f\u00f3rmula de ora\u00e7\u00e3o que Jesus ensinou aos ap\u00f3stolos: \u201cJesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus disc\u00edpulos pediu-lhe: Senhor, ensina-nos a rezar, como tamb\u00e9m Jo\u00e3o Batista ensinou a seus disc\u00edpulos. Quando rezardes, dizei: \u201cPai, santificado seja o teu nome. 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