{"id":12226,"date":"2010-07-28T00:00:00","date_gmt":"2010-07-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/senhor-ensina-nos-a-rezar\/"},"modified":"2010-07-28T00:00:00","modified_gmt":"2010-07-28T03:00:00","slug":"senhor-ensina-nos-a-rezar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/senhor-ensina-nos-a-rezar\/","title":{"rendered":"Senhor, ensina-nos a rezar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O que significa rezar? \u00c9 importante rezar? Vale a pena? Como rezar? Estas e outras perguntas sobre a ora\u00e7\u00e3o estiveram no centro da Liturgia da Palavra do domingo passado. E poder\u00edamos continuar a perguntar: qual \u00e9 o lugar da ora\u00e7\u00e3o na vida crist\u00e3? \u00c9 preciso rezar, mesmo com tanta coisa para fazer? Vale mais a ora\u00e7\u00e3o, ou a a\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma coisa \u00e9 certa: Jesus rezava, como nos atestam os Evangelhos. Passava at\u00e9 noites inteiras em ora\u00e7\u00e3o, a s\u00f3s com Deus (cf Lc 6,12); os ap\u00f3stolos tamb\u00e9m rezavam enquanto esperavam, com Maria a m\u00e3e de Jesus, a vinda do Esp\u00edrito Santo (cf At 1,22); os primeiros crist\u00e3os \u201ceram perseverantes na ora\u00e7\u00e3o\u201d (cf At 2,42); muitas vezes, S\u00e3o Paulo rezava e recomendava a ora\u00e7\u00e3o aos fi\u00e9is em suas cartas (cf Ef 1,16; Fl 1,4; Rm 12,12; Cl 4,2). Inegavelmente, a ora\u00e7\u00e3o faz parte da vida crist\u00e3, desde a prega\u00e7\u00e3o de Jesus e dos ap\u00f3stolos e desde os prim\u00f3rdios da Igreja. E ao longo de toda a hist\u00f3ria da Igreja, a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das express\u00f5es mais evidentes da f\u00e9 e da vida eclesial. Crist\u00e3o reza; e quem n\u00e3o reza, deixa de lado um aspecto importante da vida crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ver Jesus rezando, impressionava muito os disc\u00edpulos, tanto que um deles lhe pediu: \u201cSenhor, ensina-nos a rezar, como tamb\u00e9m Jo\u00e3o ensinou a seus disc\u00edpulos\u201d (Lc 11,1). Era costume que os \u201cmestres\u201d ensinassem a ora\u00e7\u00e3o aos disc\u00edpulos. E ainda hoje isso \u00e9 parte da miss\u00e3o de quem deve ser \u201cmestre na f\u00e9\u201d para seus irm\u00e3os \u2013 sacerdotes, pastores de almas, catequistas. Aqui j\u00e1 est\u00e1 uma dos significados da ora\u00e7\u00e3o: \u00c9 traduzir em atitudes aquilo que se aprendeu sobre Deus e a f\u00e9: rezar \u00e9 passar do crer intelectual ao relacionar-se com Deus. Para saber se algu\u00e9m tem f\u00e9, e que tipo de f\u00e9, basta observar se reza e como reza. Por isso \u00e9 bem justificada a afirma\u00e7\u00e3o: lex credendi, lex orandi\u201d \u2013 o jeito de crer aparece no jeito de rezar e a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 express\u00e3o do jeito de crer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">H\u00e1 muitos modos de rezar e tamb\u00e9m hoje h\u00e1 muitos \u201cmestres de ora\u00e7\u00e3o\u201d. S\u00e3o todos igualmente bons? Jesus j\u00e1 desaconselhava a ora\u00e7\u00e3o \u201cdos hip\u00f3critas\u201d, que s\u00e3o falsos (cf Mt 6,5) e rezam apenas com os l\u00e1bios, mas cujo cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de Deus (cf Mc 7,6); e tamb\u00e9m pede para n\u00e3o rezar como os pag\u00e3os, que pensam poder convencer Deus com muitas palavras (cf Mt 6,7). Em vez disso, ensina o Pai Nosso (cf Mt 6,9-15; Lc 11,2-4). O crist\u00e3o deve aprender a rezar de Jesus, cuja ora\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cfalar com o Pai\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em nossa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos dirigimos a Deus de maneira abstrata, como se Deus fosse uma energia que pode ser capturada com palavras ou ritos m\u00e1gicos; nem invocamos um poder impessoal com o fim de direcion\u00e1-lo e de obter os benef\u00edcios desejados&#8230; Nossa ora\u00e7\u00e3o tem base na gra\u00e7a recebida no Batismo, pela qual fomos acolhidos por Deus como filhos (\u201cfilhos no Filho\u201d) e recebemos o Esp\u00edrito Santo, que nos ajuda a rezar como conv\u00e9m (cf Rm 8,26-27). Como Jesus, tamb\u00e9m n\u00f3s podemos dirigir-nos a Deus como os filhos se dirigem ao pai, com toda confian\u00e7a e simplicidade. \u00c9 belo pensar que n\u00e3o somos estranhos a Deus, nem Deus \u00e9 estranho a n\u00f3s; somos da \u201cfam\u00edlia de Deus\u201d, a quem nos dirigimos com toda familiaridade. Por isso, nossa ora\u00e7\u00e3o se traduz em profiss\u00e3o de f\u00e9, adora\u00e7\u00e3o, louvor, narra\u00e7\u00e3o das maravilhas de Deus, agradecimento, s\u00faplica, desabafo na ang\u00fastia, pedido de perd\u00e3o, intercess\u00e3o pelos outros&#8230; Filhos amados pelo pai e que lhe dedicam amor filial podem achegar-se ao colo do pai, falar-lhe livremente, chorar no seu ombro, sentir-se abra\u00e7ados e envolvidos de ternura, at\u00e9 sem dizer uma palavra&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Naturalmente, n\u00e3o tenho a pretens\u00e3o de dizer tudo sobre a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3 nestes poucos par\u00e1grafos&#8230; Resta ainda falar da beleza e import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, quando n\u00e3o rezamos sozinhos mas, como comunidade de f\u00e9, nos unimos a Cristo Sacerdote, que reza conosco e por n\u00f3s diante do Pai. \u00c9 prece de valor infinito, pois \u00e9 perfeita a ora\u00e7\u00e3o do Filho e s\u00e3o infinitos os m\u00e9ritos de sua santa encarna\u00e7\u00e3o, sua vida, paix\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o. Por isso, a Igreja recomenda com tanta insist\u00eancia a participa\u00e7\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, especialmente na Missa dominical.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Odilo Pedro Scherer<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que significa rezar? \u00c9 importante rezar? Vale a pena? Como rezar? Estas e outras perguntas sobre a ora\u00e7\u00e3o estiveram no centro da Liturgia da Palavra do domingo passado. E poder\u00edamos continuar a perguntar: qual \u00e9 o lugar da ora\u00e7\u00e3o na vida crist\u00e3? \u00c9 preciso rezar, mesmo com tanta coisa para fazer? 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