{"id":12283,"date":"2010-08-27T00:00:00","date_gmt":"2010-08-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/plebiscito-padres-ou-leigos\/"},"modified":"2010-08-27T00:00:00","modified_gmt":"2010-08-27T03:00:00","slug":"plebiscito-padres-ou-leigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/plebiscito-padres-ou-leigos\/","title":{"rendered":"Plebiscito: padres ou leigos?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">\u00abPor sua ess\u00eancia, a Igreja \u00e9 uma sociedade desigual. Ela compreende duas categorias de pessoas totalmente distintas entre si: os Pastores e o rebanho. Somente na hierarquia residem o direito e a autoridade que se exigem para promover e dirigir todos os membros, de acordo com a finalidade da sociedade; quanto aos fi\u00e9is leigos, eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma outra obriga\u00e7\u00e3o sen\u00e3o deixar-se conduzir e, qual d\u00f3cil rebanho, seguir os Pastores\u00bb.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta era a opini\u00e3o que vigorava na Igreja Cat\u00f3lica no in\u00edcio do S\u00e9culo XX, expressa pelo Papa Pio X na Enc\u00edclica \u201cVehementer Nos\u201d, no dia 11 de fevereiro de 1906. Era desde a Idade M\u00e9dia que praticamente todas as iniciativas, inclusive no campo cultural e social, por bem ou por mal, partiam do clero e dos religiosos. Os leigos constitu\u00edam o \u201cproletariado da Igreja\u201d, como os definiu o escritor italiano \u2013 e candidato aos altares \u2013 Igino Giordani. Eles nada tinham a fazer sen\u00e3o obedecer ao clero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A bem da verdade, por\u00e9m, foram in\u00fameros os santos que pensaram e agiram diferente, agrupando ao seu redor pessoas que partilhassem de seus carismas e iniciativas. Contudo, deve-se reconhecer que a \u201cemancipa\u00e7\u00e3o\u201d dos leigos come\u00e7ou com o Conc\u00edlio Vaticano II (1962\/1965). E o fez j\u00e1 em seu primeiro documento, a \u201cLumen Gentium\u201d, publicada no dia 21 de novembro de 1964: \u00abOs pastores sabem que n\u00e3o foram institu\u00eddos por Cristo a fim de assumirem sozinhos toda a miss\u00e3o salv\u00edfica da Igreja no mundo. Seu m\u00fanus \u00e9 apascentar de tal forma os fi\u00e9is e reconhecer suas atribui\u00e7\u00f5es e carismas, que todos, cada um a seu modo, cooperem unanimemente na obra comum\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essas reflex\u00f5es me vieram \u00e0 mente ao saber do plebiscito que ser\u00e1 realizado no dia 7 de setembro. Promovido pelo F\u00f3rum Nacional de Reforma Agr\u00e1ria e Justi\u00e7a no Campo, seu objetivo \u00e9 assim explicado pelos promotores: \u00abA concentra\u00e7\u00e3o da propriedade da terra no Brasil remonta \u00e0 \u00e9poca do descobrimento, quando os portugueses aqui aportaram e se declararam senhores de tudo, desconhecendo as popula\u00e7\u00f5es aqui existentes. Quase 50% dos estabelecimentos agropecu\u00e1rios no Brasil t\u00eam menos de 10 hectares e ocupam somente 2,36% da \u00e1rea. Na outra ponta do espectro fundi\u00e1rio, menos de 1% dos estabelecimentos rurais (46.911) tem \u00e1rea acima de 1 mil hectares cada, e ocupam 44% das terras\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eis, ent\u00e3o, o limite proposto pelo plebiscito: \u00abO F\u00f3rum Nacional pela Reforma Agr\u00e1ria e Justi\u00e7a no Campo levantou, como proposta, que o limite fosse de 35 m\u00f3dulos fiscais. O m\u00f3dulo fiscal \u00e9 uma refer\u00eancia, estabelecida pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria, que define a \u00e1rea m\u00ednima suficiente para prover o sustento e a vida digna de uma fam\u00edlia de trabalhadores e trabalhadoras rurais. Ele varia de regi\u00e3o para regi\u00e3o (entre cinco e 110 hectares) e \u00e9 definido para cada munic\u00edpio a partir da an\u00e1lise de v\u00e1rias regras, como, por exemplo, a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a qualidade do solo, o relevo e condi\u00e7\u00f5es de acesso\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Qual a posi\u00e7\u00e3o da Igreja diante do plebiscito? Evidentemente, pela miss\u00e3o que lhe cabe na sociedade, ela n\u00e3o pode ficar indiferente ante as necessidades e, n\u00e3o poucas vezes, injusti\u00e7as, que atingem seus filhos, sobretudo os mais pobres e exclu\u00eddos \u2013 j\u00e1 que a corda sempre rebenta do lado mais fraco. Foi o que deu a entender a Presid\u00eancia da CNBB, em pronunciamento no dia 19 de agosto: \u00abEntendemos que esse gesto est\u00e1 em sintonia com as orienta\u00e7\u00f5es da CNBB sobre as quest\u00f5es da terra. Nas Igrejas Particulares, os Senhores Bispos dar\u00e3o as orienta\u00e7\u00f5es que julgarem convenientes\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 o que estou fazendo com esse artigo. A Igreja n\u00e3o \u00e9 composta apenas de bispos e padres. A grande maioria s\u00e3o leigos, a quem compete a \u00faltima palavra em assuntos de economia e pol\u00edtica, que \u00e9 o campo espec\u00edfico de sua atua\u00e7\u00e3o. Nada mais justo, portanto, que o clero e os religiosos confiem neles e lhes d\u00eaem a palavra, para que, nesta importante quest\u00e3o, consigam agir com a coragem e a sabedoria de quem tem consci\u00eancia de votar para o bem da na\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o s\u00e3o coroinhas segregados nas sacristias! Seu lugar \u00e9 nas linhas de frente, respondendo adequadamente aos problemas impostos por uma globaliza\u00e7\u00e3o que privilegia o mercado e o lucro em detrimento da pessoa e do bem comum.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Redovino Rizzardo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abPor sua ess\u00eancia, a Igreja \u00e9 uma sociedade desigual. Ela compreende duas categorias de pessoas totalmente distintas entre si: os Pastores e o rebanho. 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