{"id":12289,"date":"2010-09-03T00:00:00","date_gmt":"2010-09-03T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-grito-e-o-plebiscito\/"},"modified":"2010-09-03T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-03T03:00:00","slug":"o-grito-e-o-plebiscito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/o-grito-e-o-plebiscito\/","title":{"rendered":"O grito e o plebiscito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A presid\u00eancia da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta aos bispos membros da Confer\u00eancia Episcopal esclarecendo sobre a proposta do plebiscito de iniciativa popular pelo limite da propriedade da terra no Brasil, em defesa da reforma agr\u00e1ria e da soberania territorial e alimentar. A proposta, nessa Semana da P\u00e1tria, \u201cn\u00e3o \u00e9 de iniciativa da CNBB, nem se realiza sob sua responsabilidade\u201d. Somente o Congresso Nacional pode convocar um plebiscito &#8211; o Executivo, no m\u00e1ximo, pode enviar mensagem ao Parlamento propondo sua convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A presid\u00eancia da CNBB entende que o apoio das pastorais sociais ao proposto plebiscito \u201cest\u00e1 em sintonia com suas orienta\u00e7\u00f5es sobre as quest\u00f5es da terra. Nas igrejas particulares, os senhores bispos dar\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es que julgarem convenientes\u201d. A CNBB poderia liderar tal iniciativa somente se estivesse convencida de que \u00e9 \u201co latif\u00fandio intrinsecamente ileg\u00edtimo\u201d, respaldada por documentos oficiais, por decis\u00e3o da Assembleia Geral, ou do pr\u00f3prio Congresso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este plebiscito est\u00e1 se realizando, portanto, apoiado pelas pastorais sociais, com a participa\u00e7\u00e3o de movimentos populares e outros segmentos da sociedade, inclusive partid\u00e1rios. Por isso mesmo, h\u00e1 bandeiras de v\u00e1rias cores, entendimentos e posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas diversas, com seus partidarismos, interesses e raz\u00f5es comuns, que, como numa grande pra\u00e7a, permitem o encontro dos mais diferentes atores. Nesta hora, a Igreja Cat\u00f3lica evoca, com sabedoria e cautela, os princ\u00edpios que norteiam suas posi\u00e7\u00f5es e op\u00e7\u00f5es. A Igreja n\u00e3o se entrincheira nas plagas partid\u00e1rias e n\u00e3o se deixa levar pela ambi\u00e7\u00e3o de poder articular, por exemplo, bancadas no Parlamento ou nas assembleias legislativas. Esse \u00e9 o desafio sempre posto nas discuss\u00f5es quando se pensa o papel e a participa\u00e7\u00e3o da Igreja nos tempos eleitorais. H\u00e1 quem pense que a Igreja perde por n\u00e3o posicionar-se diretamente contra ou a favor de nomes, sem deixar de considerar, \u00e9 claro, o direito e a autonomia de cada crist\u00e3o cat\u00f3lico e de seus grupos. O cuidado \u00e9 exatamente no sentido de n\u00e3o permitir que se confunda ou se abandone a ambi\u00eancia pr\u00f3pria da sua \u00e9tica alimentada pelo evangelho de Jesus Cristo, diferentemente dos partidos. A \u00e9tica da Igreja \u00e9 um luzeiro que n\u00e3o se abandona ou se substitui, como acontece, por exemplo, na troca de partidos e nas alian\u00e7as pol\u00edticas, por interesses, at\u00e9 conden\u00e1veis e esp\u00farios, muitas vezes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Compreende-se que a Igreja permanecendo no territ\u00f3rio da \u00e9tica, alavancada pelos ensinamentos do evangelho, n\u00e3o se aventura em posicionamentos e pronunciamentos que se tornam partid\u00e1rios. Por isso, n\u00e3o t\u00eam lugar adequado os pronunciamentos que se tornam, por si e por sua forma, partid\u00e1rios. A palavra e o pronunciamento da Igreja s\u00e3o importantes e t\u00eam autoridade e for\u00e7a educativa para trabalhar, n\u00e3o os interesses partid\u00e1rios, mas a consci\u00eancia cidad\u00e3 dos eleitores. A Igreja procura garantir crit\u00e9rios e ju\u00edzos que, na sua liberdade, inclusive partid\u00e1ria, lhes permitam avaliar os candidatos e n\u00e3o escolher aqueles que agir\u00e3o, por princ\u00edpios e op\u00e7\u00f5es pessoais e partid\u00e1rias, na contram\u00e3o dos valores do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma posi\u00e7\u00e3o que guarda enorme nobreza e intelig\u00eancia. Nesse mesmo horizonte, est\u00e1 o posicionamento sobre o plebiscito, enquanto se prepara mais uma edi\u00e7\u00e3o do Grito dos Exclu\u00eddos a ser celebrada no Dia da P\u00e1tria. O Grito dos Exclu\u00eddos tem que ser escutado para que seja verdadeiro e eficaz o grito da Independ\u00eancia \u2013 que nasceu da coragem de ouvir e de acabar com a exclus\u00e3o comprometedora da dignidade e do direito de uma na\u00e7\u00e3o. Ainda que no grito, as cores variadas desenhem o seu som, a Igreja, pela aposta na caridade, intr\u00ednseca \u00e0 sua identidade, como afirma o Papa Jo\u00e3o Paulo II: \u201cNesta p\u00e1gina, n\u00e3o menos do que o faz com a vertente da ortodoxia, a Igreja mede sua fidelidade de esposa de Cristo. \u00c9 certo que ningu\u00e9m pode ser exclu\u00eddo do nosso amor&#8230; mas h\u00e1 na pessoa dos pobres uma especial presen\u00e7a de Cristo, obrigando a Igreja a uma op\u00e7\u00e3o preferencial por eles\u201d. A sociedade precisa de exerc\u00edcios educativos solid\u00e1rios como o grito e o plebiscito.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presid\u00eancia da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta aos bispos membros da Confer\u00eancia Episcopal esclarecendo sobre a proposta do plebiscito de iniciativa popular pelo limite da propriedade da terra no Brasil, em defesa da reforma agr\u00e1ria e da soberania territorial e alimentar. 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