{"id":12305,"date":"2010-09-10T00:00:00","date_gmt":"2010-09-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/perdao-e-reconciliacao\/"},"modified":"2010-09-10T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-10T03:00:00","slug":"perdao-e-reconciliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/perdao-e-reconciliacao\/","title":{"rendered":"Perd\u00e3o e Reconcilia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, ou como \u00e9 atualmente chamada, do Pai Misericordioso, \u00e9 tamb\u00e9m a do filho perdido, uma vez que \u00e9 concebida por vir acompanhada pelas par\u00e1bolas da ovelha perdida e da moeda perdida.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O contexto do relato \u00e9 interessante. H\u00e1 certamente uma cr\u00edtica do Senhor aos fariseus e escribas, que estavam \u201cperturbados\u201d porque ele comia com os cobradores de impostos e pecadores, como abre o texto do cap\u00edtulo 14 do Evangelho de S\u00e3o Lucas, que escutaremos neste domingo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa quest\u00e3o colocada pelos escribas e fariseus era uma preocupa\u00e7\u00e3o ardilosa, certamente, e n\u00e3o sincera. O estar facilmente com o outro era uma caracter\u00edstica de Jesus, o que para eles n\u00e3o era assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Jesus menciona estas par\u00e1bolas para ilustrar mais a alegria de Deus pelo arrependimento. Ele quer ressaltar a reconcilia\u00e7\u00e3o do pecador com o seu Senhor. N\u00e3o h\u00e1 maior dom e alegria que o arrependimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas, a par\u00e1bola \u00e9 uma mensagem atemporal. Ela nos diz em pleno s\u00e9culo XXI que h\u00e1 algo de mais profundo e mais completo que \u00e9 a nossa atitude frente ao mal. Aqui reside a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na prega\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo em 2Cor 5,18 constatamos que Deus nos reconciliou consigo mesmo por meio de Jesus Cristo, e nos deu o minist\u00e9rio da reconcilia\u00e7\u00e3o (2 Cor 5,19), ou seja, que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo, e n\u00e3o simplesmente imputando ao mundo o pecado. Isso \u00e9 muito pouco para Deus. Deus n\u00e3o \u00e9 um acusador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E mais: uma vez reconciliados, n\u00f3s mesmos nos tornamos reconciliadores (2Cor 5,20), embaixadores em nome de Cristo. Eis a miss\u00e3o da Igreja: sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o no mundo. Um povo reconciliado \u00e9 chamado a ser sinal da miseric\u00f3rdia no mundo \u2013 eis nossa miss\u00e3o como Igreja!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso, no mundo extremamente conturbado que vivemos, o tema da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque a pessoa necessita de reconciliar-se. Pois, reconciliar-se \u00e9 fazer algo para que a pr\u00f3pria reconcilia\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, exista. Esta \u00e9 a\u00e7\u00e3o de Deus para a humanidade, mas o homem \u00e9 chamado a corresponder dando esse primeiro passo para que Ele possa atuar: \u201cvoltar \u00e0 casa do Pai\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Da\u00ed que o tema da reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 conjunto com o tema do arrependimento e tamb\u00e9m com o tema da humildade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Temos uma grande riqueza em nossa Igreja Cat\u00f3lica que s\u00e3o a pr\u00e1tica e possibilidade da confiss\u00e3o e da penit\u00eancia como sinal da convers\u00e3o e arrependimento. As contesta\u00e7\u00f5es de hoje s\u00e3o muitas devido \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es religiosas e culturais vindo sempre com a c\u00e9lebre pergunta: \u201cporque preciso me confessar, ou ainda mais, porque com uma pessoa igual a mim?\u201d. Isso demonstra a dificuldade que encontramos hoje em viver a reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Reconciliar \u00e9 re-unir, \u00e9 um trazer de volta a harmonia perdida. \u00c9 uma cura \u00e0 divis\u00e3o, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o, \u00e0 ruptura. Mal maior da humanidade: a divis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A vida de Jesus foi o grande an\u00fancio da reconcilia\u00e7\u00e3o. A Igreja, insistimos, \u00e9 s\u00edmbolo da reconcilia\u00e7\u00e3o. Da\u00ed o termo \u201cembaixadores\u201d pregado por S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 um novo momento de gra\u00e7a e um excelente momento de conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o nosso pecado pessoal e social tamb\u00e9m. Chama-nos a lembrar de nosso compromisso no batismo, a nossa vida confirmada no Esp\u00edrito, e a nossa unidade com o povo eucar\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo ensina-nos, claramente, que o pecado \u00e9 um distanciar-se. Distanciar-se da harmonia com o Pai, e com a atitude do filho mais velho, \u00e9 um recusar-se \u00e0 compaix\u00e3o e \u00e0 miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A nossa base de relacionamento deve ser em primeiro lugar com Deus: rela\u00e7\u00e3o pai\/filho na par\u00e1bola. A linguagem do sacramento da confiss\u00e3o \u00e9 esta mesma: resposta ao apelo para vivermos constantemente essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por isso seria muito importante nos perguntar se temos a pr\u00e1tica de nos achegarmos ao sacramento da penit\u00eancia. Ligado ao mesmo assunto, buscando o crescimento espiritual, ser\u00e1 que temos tamb\u00e9m procurado o diretor espiritual? Em nossas comunidades temos facilidade de acesso dos fi\u00e9is ao sacramento da reconcilia\u00e7\u00e3o? Ter\u00edamos que ter um hor\u00e1rio determinado para atendimento da confiss\u00e3o de nossos fi\u00e9is em todas as par\u00f3quias e em todas as regi\u00f5es nas comunidades mais centrais alguns plant\u00f5es para atendimento do nosso povo. Em minhas reuni\u00f5es com as foranias tenho procurado detectar esses locais e incentivar essa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Digo isso levado tamb\u00e9m por uma importante palavra do nosso Papa Bento XVI: \u201cO S\u00ednodo lembrou que \u00e9 dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recupera\u00e7\u00e3o da pedagogia da convers\u00e3o que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fi\u00e9is a confiss\u00e3o freq\u00fcente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e compet\u00eancia \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o. A prop\u00f3sito, procure-se que, nas nossas igrejas, os confession\u00e1rios sejam bem vis\u00edveis e expressivos do significado deste sacramento. Pe\u00e7o aos pastores que vigiem atentamente sobre a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, limitando a pr\u00e1tica da absolvi\u00e7\u00e3o geral exclusivamente aos casos previstos, permanecendo como forma ordin\u00e1ria de absolvi\u00e7\u00e3o apenas a pessoal.\u201d (Cf. Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Sacramentum Caritatis, n. 21)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nosso Senhor Jesus Cristo, queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, \u00e9 a presen\u00e7a viva da reconcilia\u00e7\u00e3o de Deus. Bendito seja o homem que encontrou Cristo, porque ele encontrou a Deus que perdoa. Deus, em Cristo, vive perto de n\u00f3s. Fa\u00e7amos o tema da reconcilia\u00e7\u00e3o algo de concreto em nossa vida: tive fome e me alimentou; tive sede e me destes de beber; estive doente e me visitastes; estive preso e me acolhestes. Testemunhemos o exerc\u00edcio caritativo e purificador da reconcilia\u00e7\u00e3o no cotidiano de nossas vidas, e o mundo perceber\u00e1 n\u00e3o em teoria apenas, mas em verdade, o que Jesus nos pede uma vida santa e reconciliada para viver a via ordin\u00e1ria da santidade!<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo, ou como \u00e9 atualmente chamada, do Pai Misericordioso, \u00e9 tamb\u00e9m a do filho perdido, uma vez que \u00e9 concebida por vir acompanhada pelas par\u00e1bolas da ovelha perdida e da moeda perdida.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12305"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12305\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}