{"id":12315,"date":"2010-09-20T00:00:00","date_gmt":"2010-09-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-dor-e-a-esperanca\/"},"modified":"2010-09-20T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-20T03:00:00","slug":"a-dor-e-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-dor-e-a-esperanca\/","title":{"rendered":"A dor e a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Na semana passada celebramos a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz e a mem\u00f3ria de Nossa Senhora das Dores. S\u00e3o sinais eloquentes de situa\u00e7\u00f5es concretas que hoje vivemos e que s\u00e3o iluminadas pela Palavra de Deus, que comemoramos neste m\u00eas de setembro (m\u00eas da B\u00edblia). Maria sempre nos acompanha em nossa reflex\u00e3o, pois a Igreja nela encontra a inspira\u00e7\u00e3o e exemplo: \u201cela \u00e9 saudada como membro supereminente e absolutamente singular da Igreja, e tamb\u00e9m como seu prot\u00f3tipo e modelo acabado da mesma, na f\u00e9 e na caridade\u201d (LG 53).<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria, a m\u00e3e do Salvador, foi, sem d\u00favida, a pessoa que mais participou da paix\u00e3o e morte do Senhor. Ela ouviu cada uma de suas palavras na Cruz. Ele, por sua vez, olha para a m\u00e3e com compaix\u00e3o. Ela est\u00e1 em p\u00e9 aos p\u00e9s da Cruz e com dor profunda esteve atenta \u00e0 agonia do seu Filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Redentor confia sua m\u00e3e ao disc\u00edpulo e d\u00e1-la como m\u00e3e. Nesse momento, a maternidade de Maria atinge cada um de n\u00f3s. Aos p\u00e9s da Cruz \u00e9 que o homem conhece a M\u00e3e da Humanidade, Maria! \u201cE daquela hora o disc\u00edpulo a levou para sua casa\u201d (Jo 19,27). Esse disc\u00edpulo, por sua vez, assume o papel de filho, e, certamente, tem como resposta um amor de m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A liturgia para a celebra\u00e7\u00e3o de Nossa Senhora das Dores, segundo algumas tradi\u00e7\u00f5es, \u00e9 de origem alem\u00e3. Em 1423, o Arcebispo de Col\u00f4nia re\u00fane o povo para fazer repara\u00e7\u00f5es ao cora\u00e7\u00e3o de Maria, pois hereges haviam violado suas imagens na Diocese, em que Maria apresenta-se ao p\u00e9 da Cruz. Em 1727, o Papa Bento XIII aprova os textos dessas celebra\u00e7\u00f5es de Col\u00f4nia e a devo\u00e7\u00e3o se espalha rapidamente pela Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Embora a devo\u00e7\u00e3o tenha sido divulgada ap\u00f3s o s\u00e9culo XV, a dor da Virgem, no entanto, foi sempre tida desde o in\u00edcio da Igreja como grande fonte de piedade mariana. Recorda-nos o texto b\u00edblico quando Sime\u00e3o diz a ela: \u201cuma espada transpassar\u00e1 a sua alma\u201d (Lc 2, 34-35). Espada penetrante que Maria sofrer\u00e1. Dolorosa espada que ser\u00e1 s\u00edmbolo do caminho da Virgem, e que mais tarde a piedade tomar\u00e1 como sinal pl\u00e1stico das dores sofridas pela m\u00e3e do Redentor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A jornada de f\u00e9 de Maria foi acompanhada pela dor: a fuga para o Egito (Mt 2, 13-14); o caso da perda do seu Filho no caminho de Jerusal\u00e9m e a busca ansiosa para reencontr\u00e1-Lo (Lc 2, 43ss) s\u00e3o alguns exemplos, mas \u00e9 evidente que na Cruz encontramos o cume desse caminho de sofrimento e dores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o podemos deixar de lembrar tamb\u00e9m o evento que foi retratado por grandes escultores e pintores: quando da entrega para o t\u00famulo do corpo sem vida de seu Filho (Jo 19, 40-42).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Devido a esta participa\u00e7\u00e3o plena e amorosa, Maria torna-se para n\u00f3s m\u00e3e na ordem da gra\u00e7a. Maria tamb\u00e9m expressa o modelo de perfeita uni\u00e3o com Jesus na cruz. Ficar perto da cruz \u00e9 uma tarefa desafiadora para ela e para todos os crist\u00e3os, que exige se alegrar com os que se alegram (Rm 12,15) e chorar com os que choram (Jo 19,25), como nos ensina a palavra de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Como em todas as festas marianas, tamb\u00e9m na de Nossa Senhora das Dores o pedido nos \u00e9 claro: a perfeita participa\u00e7\u00e3o de Maria na paix\u00e3o de Cristo, pois Ele \u00e9 o centro de toda liturgia mariana e de nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a sua paix\u00e3o, Cristo quer libertar o homem, apontando-lhe o caminho, compartilhando com esse mesmo homem as alegrias e sofrimentos, a morte e a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta paix\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo, mas \u00e9 para a vida: \u201cSe o gr\u00e3o de trigo n\u00e3o cair na terra e n\u00e3o morrer, ele fica s\u00f3, mas se morre, produz muito fruto\u201d (Jo 12, 24), e a vida \u00e9 intermin\u00e1vel: \u201cN\u00f3s sofremos com Ele para sermos tamb\u00e9m glorificados (II Tm 2,11). Esta \u00e9 a tens\u00e3o escatol\u00f3gica da vida de cada exist\u00eancia crist\u00e3, tal como foi tamb\u00e9m para Maria, sendo para ela antecipada a glorifica\u00e7\u00e3o. E esta esperan\u00e7a \u00e9 que deve sustentar a Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A dor de Maria foi o culminar de um longo sofrimento, permeado pelo sil\u00eancio. O seu olhar foi um olhar consolador de todas as dores. E ela se torna, para n\u00f3s, uma peregrina terrena do sofrimento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria \u00e9 aquela que sempre permaneceu fiel, humilde e amorosa em meio \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o, ela que tida como a m\u00e3e de um executado na cruz. Assim, ela se associa imensamente \u00e0 reden\u00e7\u00e3o de seu Filho. Maria foi ouvida na dor de seu Filho quando, mesmo pregado na cruz e com extremo sofrimento, lembra-se dela, entregando-a ao disc\u00edpulo amado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Igreja a invoca com v\u00e1rios t\u00edtulos, mas aqui n\u00f3s a veneramos na experi\u00eancia do sofrimento. Com esta invoca\u00e7\u00e3o, todos aqueles que passam pelas dores podem contemplar no cume do G\u00f3lgota a cruz com Cristo e Maria das Dores aos seus p\u00e9s. Ao mesmo tempo em que estamos unidos a ela tamb\u00e9m experimentamos a sua proximidade para nos compreender nas nossas afli\u00e7\u00f5es. H\u00e1 aqui uma enorme solidariedade do lamento humano da dor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nas abadias e mosteiros cistercienses, ao final do dia ilumina-se com um feixe de luz a imagem, ou ao menos o rosto, de Nossa Senhora, e canta-se sempre a Salve Rainha \u2013 \u00e9 o entregar o dia e a vida vivida no sil\u00eancio da noite nas m\u00e3os da m\u00e3e, nossa do\u00e7ura e esperan\u00e7a enquanto aqui caminhamos, gemendo e chorando neste vale de l\u00e1grimas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Maria Sant\u00edssima, Nossa Senhora das Dores, rogai por todos n\u00f3s, especialmente por aqueles que s\u00e3o testados pela dor e pelo sofrimento, pela doen\u00e7a e pela falta de dignidade para viver! Lembrai-vos de n\u00f3s, \u00f3 pi\u00edssima Virgem Maria, pois nunca se ouviu dizer que pedindo \u00e0 m\u00e3e o filho n\u00e3o atenda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Que nestes dias de dor e de ang\u00fastia, quando vemos tantos e tantos de nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s sofrendo desilus\u00e3o, remorso, uma chaga de alma, eles possam sentir, querida m\u00e3e, o mesmo consolo e coragem manifestada no alto do Calv\u00e1rio. Que eles possam sentir logo a alegria da ressurrei\u00e7\u00e3o e da glorifica\u00e7\u00e3o experimentada com os ap\u00f3stolos reunidos no cen\u00e1culo.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na semana passada celebramos a Festa da Exalta\u00e7\u00e3o da Santa Cruz e a mem\u00f3ria de Nossa Senhora das Dores. 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