{"id":12324,"date":"2010-09-23T00:00:00","date_gmt":"2010-09-23T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seu-trono-por-um-dia\/"},"modified":"2010-09-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-23T03:00:00","slug":"seu-trono-por-um-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/seu-trono-por-um-dia\/","title":{"rendered":"Seu trono por um dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Aconteceu que o rei devia morrer. Era rico e poderoso, mas estava gravemente doente.\u00a0 Mandou chamar todos os m\u00e9dicos e feiticeiros do reino.\u00a0 O rei amea\u00e7ava a todos: queria saber por que ningu\u00e9m conseguia cur\u00e1-lo. A quest\u00e3o era que ele n\u00e3o tinha mais jeito, e todos fugiram por medo de perder a cabe\u00e7a. Somente um velho m\u00e9dico ficou. O rei perguntou-lhe tamb\u00e9m o que devia fazer para ficar bom novamente.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; O senhor s\u00f3 poder\u00e1 se curar com a condi\u00e7\u00e3o de entregar o seu trono, por um dia, ao homem que lhe assemelha mais do que todos os outros. Ele morrer\u00e1 no seu lugar &#8211; falou o velho s\u00e1bio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O rei mandou mensageiros para todos os recantos do pa\u00eds convocando todos os que tinham alguma semelhan\u00e7a com ele. Para quem n\u00e3o se apresentasse seria pena de morte. Muitos homens compareceram, mas o velho m\u00e9dico os descartava um por um. \u00c0s vezes porque eram mais baixos, ou porque eram mais gordos; ou ainda por faltar-lhe um dedo, um dente, os cabelos e assim por adiante. Passavam-se os dias, e o rei estava se acabando. De repente, uma tarde, quando o rei e o m\u00e9dico estavam passeando ao redor do pal\u00e1cio, o velho apontou para um mendigo aleijado, meio cego, sujo e cheio de feridas, e gritou:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; \u00c9 ele! \u00c9 ele, o homem que mais se assemelha com o senhor!\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como \u00e9 poss\u00edvel \u2013 reclamou o rei \u2013 h\u00e1 um abismo entre n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Um rei que deve morrer \u2013 insistiu o velho s\u00e1bio \u2013 se parece com o mais pobre, o mais desgra\u00e7ado da cidade. R\u00e1pido! Troque suas roupas com ele, e o coloque no trono por um dia, assim ser\u00e1 salvo! Mas o rei n\u00e3o quis absolutamente aceitar que era t\u00e3o semelhante ao mendigo. Voltou ao pal\u00e1cio e morreu, naquela mesma noite, sentado no trono com a coroa na cabe\u00e7a e o cetro na m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma hist\u00f3ria triste, de orgulho e preconceito para comentar um pouco a par\u00e1bola do rico e do pobre L\u00e1zaro, que encontramos neste domingo. O Senhor d\u00e1 a entender que o rico conhecia o pobre L\u00e1zaro, porque imediatamente o chama pelo nome no outro mundo, quando o v\u00ea perto de Abra\u00e3o.\u00a0 O que me deixa triste na par\u00e1bola \u00e9 justamente a incapacidade do rico de socorrer o pobre. O que impedia ao rico de ajudar o menos favorecido? O que o deixava t\u00e3o indiferente? Tenho medo de responder, mas penso que talvez o rico se achasse com todos os direitos de possuir e esbanjar, por ter uma id\u00e9ia errada de Deus. Ele, rico, seria um aben\u00e7oado por Deus. O outro, o pobre L\u00e1zaro, um amaldi\u00e7oado e esquecido por Deus. \u00c9 como dizer: Deus me deu, \u00e9 meu e uso disso tudo como eu quero. N\u00e3o muito diferente, como resultado final, \u00e9 a maneira de pensar de quem se acha com todos os direitos, porque \u201csoube\u201d administrar bem, ou aproveitar das pr\u00f3prias capacidades ou das circunst\u00e2ncias favor\u00e1veis da vida para enriquecer. Terr\u00edvel quando algu\u00e9m declara que \u201csempre\u201d foi assim, que o mundo sempre ser\u00e1 dividido entre ricos e pobres, porque \u2013 vejam a blasf\u00eamia \u2013 Deus assim o fez!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Grande engano. Qualquer bem, material e n\u00e3o, toda propriedade, toda capacidade traz em si um compromisso social. \u00c9-nos dado para que o usemos para o bem e este bem n\u00e3o \u00e9 fazer neg\u00f3cios cada vez mais lucrativos para n\u00f3s, mas ajudar a quem precisa, quem menos sabe se organizar, ou mesmo, menos consegue na vida. Praticar o bem \u00e9 praticar a justi\u00e7a e a fraternidade entre n\u00f3s. Portanto o grande erro do rico da par\u00e1bola, n\u00e3o foi, talvez, o fato de n\u00e3o ter socorrido o pobre. Foram as raz\u00f5es que, segundo ele, justificaram tal atitude de superioridade e de indiferen\u00e7a, que o condenaram. Afinal, por que ele, o rico, devia mudar uma situa\u00e7\u00e3o injusta se assim Deus a tinha determinado? Chamar de vontade de Deus os nossos privil\u00e9gios,\u00a0 jogar a culpa das nossas faltas de amor nas costas de Deus \u00e9 a mais perversa das religi\u00f5es. Ali\u00e1s, n\u00e3o \u00e9 nem religi\u00e3o, \u00e9 idolatria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que o rico n\u00e3o fez quando ainda tinha tempo e condi\u00e7\u00f5es de fazer, o pai Abra\u00e3o fez, acolhendo o pobre na paz e na alegria. Deus quer isso tudo para todos. Porque n\u00e3o \u00e9 o Deus que distribui injusti\u00e7as, mas o Deus que ensina a amar, entregando at\u00e9 a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A esta altura, \u00e9 evidente que Jesus quis chamar a nossa aten\u00e7\u00e3o muito mais sobre esta vida do que sobre a outra. Em lugar de ficar imaginando e discutindo sobre os tormentos do inferno, dever\u00edamos aprender a olhar os pobres que est\u00e3o todos os dias a nossa frente, nas ang\u00fastias da vida. Somos respons\u00e1veis uns pelos outros, mais do que pensamos. Podemos ser instrumentos do bem colaborando com o amor do Pai ou ser a nega\u00e7\u00e3o do seu amor mantendo as injusti\u00e7as ou criando novas exclus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Coragem! Ainda temos tempo para vestir a camisa do pobre, para coloc\u00e1-lo no centro do nosso cora\u00e7\u00e3o, onde est\u00e1 o trono do nosso ego\u00edsmo. S\u00f3 por uma vez? Talvez mais. Tantas vezes quanto forem\u00a0 necess\u00e1rias para reconhec\u00ea-lo nosso irm\u00e3o e a n\u00f3s, tamb\u00e9m, mortais como ele.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu que o rei devia morrer. Era rico e poderoso, mas estava gravemente doente.\u00a0 Mandou chamar todos os m\u00e9dicos e feiticeiros do reino.\u00a0 O rei amea\u00e7ava a todos: queria saber por que ningu\u00e9m conseguia cur\u00e1-lo. A quest\u00e3o era que ele n\u00e3o tinha mais jeito, e todos fugiram por medo de perder a cabe\u00e7a. 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