{"id":12330,"date":"2010-09-27T00:00:00","date_gmt":"2010-09-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/parabola-do-rico-e-do-mendigo\/"},"modified":"2010-09-27T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-27T03:00:00","slug":"parabola-do-rico-e-do-mendigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/parabola-do-rico-e-do-mendigo\/","title":{"rendered":"Par\u00e1bola do rico e do mendigo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O tema da par\u00e1bola deste domingo, Lucas 16,19-31, \u00e9 muito simples. Fala de um rico que goza a sua riqueza material, intelectual ou religiosa, e deixa morrer \u00e0 sua porta um pobre faminto, enfermo e abandonado. No fundo, quem se vangloria de ser rico diante de Deus na realidade \u00e9 pobre. Logicamente a sua vida acaba no sepulcro que \u00e9 o inferno do insucesso. O pobre ao inv\u00e9s aberto \u00e0 grandeza de Deus que cuida de todos os enfermos e marginalizados da terra; por isso, com a sua morte, se revela o seu tesouro l\u00e1 em cima no seio de Abra\u00e3o, que \u00e9 o cumprimento de todas as promessas.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste cen\u00e1rio \u00e9 relatado o di\u00e1logo que Abra\u00e3o sustenta com o rico. O rico sup\u00f5e que sua sorte seja devida \u00e0 ignor\u00e2ncia. Enquanto est\u00e1 no mundo sabe como est\u00e3o as coisas. Por isso pede que sejam advertidos seus parentes na terra acerca da verdade sobre a pobreza e sobre a riqueza. A resposta do patriarca \u00e9 inflex\u00edvel: basta Mois\u00e9s e sua palavra. Se a sua verdade n\u00e3o convence, tamb\u00e9m um milagre sobre a terra n\u00e3o serviria para nada. Dizia o psic\u00f3logo americano William James: \u201cO uso melhor da vida \u00e9 empreg\u00e1-la por qualquer coisa que dure mais que a vida mesma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola se desenrola em tr\u00eas quadros. O rico na terra est\u00e1 tranq\u00fcilo e seguro em sua casa, come e bebe em alegre companhia. L\u00e1zaro por\u00e9m jaz por terra fora da porta, na estrada, exposto aos perigos e molestado pelos c\u00e3es, se contentaria com as migalhas da lauta mesa, mas n\u00e3o lhe d\u00e3o. Rico e pobre s\u00e3o vizinhos, mas o rico n\u00e3o concede ao pobre nem um olhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar, se faz uma invers\u00e3o. L\u00e1zaro e o rico gozador morreram. Est\u00e3o no al\u00e9m. L\u00e1zaro o pobre est\u00e1 no ceio de Abra\u00e3o, feliz no para\u00edso. O rico por\u00e9m est\u00e1 no inferno, no fogo, na sede, no tormento. Entre os dois existe um abismo intranspon\u00edvel, mas os dois se podem ver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A seguir, o di\u00e1logo \u00e0 dist\u00e2ncia. O rico finalmente toma consci\u00eancia que L\u00e1zaro existe, e que tornou-se importante. Dirige-se ao patriarca Abra\u00e3o pedindo que mande L\u00e1zaro dar-lhe ao menos uma gota de \u00e1gua. A resposta \u00e9 negativa: a situa\u00e7\u00e3o agora \u00e9 irrevers\u00edvel, entre condenados e salvos n\u00e3o existe mais comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O sentido da par\u00e1bola pode ser procurado nas palavras ditas por Abra\u00e3o no que diz respeito aos cinco irm\u00e3os do rico esbanjador: \u201cSe n\u00e3o escutam Mois\u00e9s, nem mesmo escutar\u00e3o um morto que voltasse entre os vivos\u201d. O rico compreendeu tudo muito tarde, somente no inferno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O rico n\u00e3o \u00e9 condenado simplesmente por sua riqueza, mas porque n\u00e3o soube entender a vida como um dom e n\u00e3o ofereceu a sua ajuda ao pobre enfermo e faminto que estava morrendo \u00e0 sua porta. A riqueza em si n\u00e3o \u00e9 um pecado, mas \u00e9 pecado a riqueza que deixa os pobres morrerem; \u00e9 pecado a falta de solidariedade que divide os homens e consentindo a alguns nadarem na abund\u00e2ncia e a outros perecerem num mundo de fome e de mis\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A par\u00e1bola assegura que o rico desceu ao inferno. Isto quer dizer que a sua vida terminou em um insucesso. Fechou-se no seu interesse e na sua riqueza de modo tal que, chegando \u00e0 luz de Deus que \u00e9 dom de amor, encontrou-se in\u00fatil e vazio e por isso condenado. Sob esse aspecto, a condena\u00e7\u00e3o n\u00e3o indica um castigo de Deus que se imp\u00f5e e dita o seu ju\u00edzo arbitr\u00e1rio ao termo da nossa vida; a condena\u00e7\u00e3o consiste no destino do homem que escolheu uma forma de exist\u00eancia contr\u00e1ria ao mist\u00e9rio de Deus e da vida: ficar privado da gra\u00e7a do amor de Deus que salva, viver sem o encontro de amor com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O pobre entregou sua vida nas m\u00e3os dos anjos de Deus, que s\u00e3o o sinal do seu amor, da sua palavra e da sua influ\u00eancia sobre nossa vida. O pobre n\u00e3o se salva pelo simples fato que foi infeliz neste mundo, mas porque est\u00e1 aberto a Deus e se deixa guiar pela for\u00e7a de seu amor e pela sua gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em todo esse relato, observamos a exist\u00eancia de uma escatologia individual. N\u00e3o parece necess\u00e1rio esperar o fim do mundo para dar o pr\u00eamio ou aplicar o castigo. A pr\u00f3pria morte inclu\u00edda no contexto do reino de Deus, revela os mist\u00e9rios mais profundos do homem. \u00c9 uma morte que nos transporta para o seio prometido da vida ou uma morte que nos afunda no abismo do insucesso (cf Lucas 23, 43; Atos 7, 54-60).<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tema da par\u00e1bola deste domingo, Lucas 16,19-31, \u00e9 muito simples. Fala de um rico que goza a sua riqueza material, intelectual ou religiosa, e deixa morrer \u00e0 sua porta um pobre faminto, enfermo e abandonado. No fundo, quem se vangloria de ser rico diante de Deus na realidade \u00e9 pobre. 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