{"id":12386,"date":"2009-07-31T00:00:00","date_gmt":"2009-07-31T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-nova-carta-enciclica-de-bento-xvi-a-caridade-na-verdade-ii\/"},"modified":"2009-07-31T00:00:00","modified_gmt":"2009-07-31T03:00:00","slug":"a-nova-carta-enciclica-de-bento-xvi-a-caridade-na-verdade-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-nova-carta-enciclica-de-bento-xvi-a-caridade-na-verdade-ii\/","title":{"rendered":"A nova Carta Enc\u00edclica de Bento XVI: A Caridade na Verdade &#8211; II"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Come\u00e7amos na semana passada a refletir resumidamente sobre este documento papal. Continuemos a faz\u00ea-lo tamb\u00e9m nesta semana. No Capitulo II, a Carta Enc\u00edclica trata expressamente do desenvolvimento humano de nosso tempo, colocando em destaque o pensamento de Paulo VI, para quem o desenvolvimento indica, antes de qualquer coisa, o objetivo de fazer sair os povos da fome, da mis\u00e9ria, das doen\u00e7as end\u00eamicas e do analfabetismo.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">E do ponto de vista econ\u00f4mico, o desenvolvimento, objetiva \u00e0 participa\u00e7\u00e3o ativa e em condi\u00e7\u00f5es de igualdade no processo econ\u00f4mico internacional; do ponto de vista social, \u00e0 sua evolu\u00e7\u00e3o para sociedades instru\u00eddas e solid\u00e1rias; do ponto de vista pol\u00edtico, a consolida\u00e7\u00e3o de regimes democr\u00e1ticos capazes de assegurar a liberdade e a paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Capitulo III trata da fraternidade, desenvolvimento econ\u00f4mico e sociedade civil, e afirma que a caridade na verdade, na dimens\u00e3o da doa\u00e7\u00e3o, que exprime e realiza sua transcend\u00eancia no meio social: \u201cA caridade na verdade coloca o homem perante a admir\u00e1vel experi\u00eancia do dom. A gratuidade est\u00e1 presente na sua vida sob m\u00faltiplas formas, que frequentemente lhe passam despercebidas por causa duma vis\u00e3o meramente produtiva e utilarista da exist\u00eancia. O ser humano est\u00e1 feito para o dom, que exprime e realiza a sua dimens\u00e3o de transcend\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Capitulo IV trata de um tema important\u00edssimo e tamb\u00e9m atual\u00edssimo: desenvolvimento dos povos, direitos e deveres, ambiente, ao chamar a aten\u00e7\u00e3o dos povos n\u00e3o s\u00f3 para os direitos, mas tamb\u00e9m ao convocar toda humanidade a uma nova reflex\u00e3o de que os direitos pressup\u00f5em deveres, sem os quais se transformam em arb\u00edtrio: \u201cA solidariedade universal \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 um fato e um benef\u00edcio, mas tamb\u00e9m um dever \u00bb [105]. Hoje, muitas pessoas tendem a alimentar a pretens\u00e3o de que n\u00e3o devem nada a ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser a si mesmas. Considerando-se titulares s\u00f3 de direitos, frequentemente deparam-se com fortes obst\u00e1culos para maturar uma responsabilidade no \u00e2mbito do desenvolvimento integral pr\u00f3prio e alheio. Por isso, \u00e9 importante invocar uma nova reflex\u00e3o que fa\u00e7a ver como os direitos pressup\u00f5em deveres, sem os quais o seu exerc\u00edcio se transforma em arb\u00edtrio [106]. Assiste-se hoje a uma grave contradi\u00e7\u00e3o: enquanto, por um lado, se reivindicam presuntos direitos, de car\u00e1ter arbitr\u00e1rio e libertino, querendo v\u00ea-los reconhecidos e promovidos pelas estruturas p\u00fablicas, por outro existem direitos elementares e fundamentais violados e negados a boa parte da humanidade [107].\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Capitulo V convoca toda fam\u00edlia humana a superar a solid\u00e3o, uma vez que do isolamento resultam a pobreza e as dificuldades em amar, concluindo que o desenvolvimento dos povos depende do reconhecimento de que somos uma s\u00f3 fam\u00edlia: \u201cUma das pobrezas mais profundas que o homem pode experimentar \u00e9 a solid\u00e3o. Vistas bem as coisas, as outras pobrezas, incluindo a material, tamb\u00e9m nascem do isolamento, de n\u00e3o ser amado ou da dificuldade de amar. As pobrezas frequentemente nasceram da recusa do amor de Deus, de uma origin\u00e1ria e tr\u00e1gica reclus\u00e3o do homem em si pr\u00f3prio, que pensa que se basta a si mesmo ou ent\u00e3o que \u00e9 s\u00f3 um fato insignificante e passageiro, um \u00ab estrangeiro \u00bb num universo formado por acaso. O homem aliena-se quando fica sozinho ou se afasta da realidade, quando renuncia a pensar e a crer num Fundamento [125]. A humanidade inteira aliena-se quando se entrega a projetos unicamente humanos, a ideologias e a falsas utopias [126]. A humanidade aparece, hoje, muito mais interativa do que no passado: esta maior proximidade deve transformar-se em verdadeira comunh\u00e3o. O desenvolvimento dos povos depende, sobretudo, do reconhecimento que s\u00e3o uma s\u00f3 fam\u00edlia, a qual colabora em verdadeira comunh\u00e3o e \u00e9 formada por sujeitos que n\u00e3o se limitam a viver uns ao lado dos outros [127].\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A enc\u00edclica do Papa Bento XVI, esperada e profunda, continua a iluminar a nossa caminhada social como crist\u00e3os. Continuaremos na pr\u00f3xima semana a examin\u00e1-la.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: right\">Dom Orani Jo\u00e3o Tempesta<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7amos na semana passada a refletir resumidamente sobre este documento papal. Continuemos a faz\u00ea-lo tamb\u00e9m nesta semana. 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