{"id":12475,"date":"2010-10-26T00:00:00","date_gmt":"2010-10-26T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-oracao-do-fariseu-e-do-publicano\/"},"modified":"2010-10-26T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-26T02:00:00","slug":"a-oracao-do-fariseu-e-do-publicano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/a-oracao-do-fariseu-e-do-publicano\/","title":{"rendered":"A ora\u00e7\u00e3o do fariseu e do publicano"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"text-align: right\">Cardeal Geraldo Majella Agnelo<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\">No cap\u00edtulo 18 do seu Evangelho Lucas quis retomar a grande mensagem de Jesus sobre a ora\u00e7\u00e3o, e o fez na forma de gestos e de particulares, em cenas extraordinariamente vis\u00edveis.<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em nosso caso, a perseveran\u00e7a na ora\u00e7\u00e3o \u00e9 refletida na par\u00e1bola do juiz e da vi\u00fava; a sinceridade e a pureza interior se traduzem na par\u00e1bola do fariseu e do publicano. A abertura filial e confiante dos homens diante do mist\u00e9rio de Deus \u00e9 condensada na senten\u00e7a de Jesus sobre as crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sabemos, j\u00e1 pela cena da vi\u00fava, que \u00e9 necess\u00e1rio perseverar na ora\u00e7\u00e3o todos os dias, assim como que toda a nossa hist\u00f3ria se reflita na forma de ora\u00e7\u00e3o. Sabemos que n\u00e3o basta orar externamente, mas \u00e9 necess\u00e1rio que a ora\u00e7\u00e3o penetre at\u00e9 a profundidade da alma e seja radicalmente sincera. Este \u00e9 o tema da nossa par\u00e1bola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O fariseu sobe ao templo: diz abertamente que para ele a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, e reza. Por\u00e9m a sua palavra e a sua atitude s\u00e3o vazias: na realidade n\u00e3o procura Deus, mas a pr\u00f3pria grandeza e se contenta com a sua perfei\u00e7\u00e3o humana. O fariseu ao contr\u00e1rio sobe a Deus e se descobre afundado na mis\u00e9ria: tem necessidade\u00a0 de sair do seu pecado e pede angustiadamente a ajuda de Deus. Sabe estar sozinho: n\u00e3o pode encontrar um apoio naquilo que tem, e procura for\u00e7a e salva\u00e7\u00e3o no seu caminho. Por isso grita. Nesse momento p\u00e1ra de ter import\u00e2ncia o seu passado de pecador; n\u00e3o s\u00e3o importantes tamb\u00e9m a coragem e a coer\u00eancia que dever\u00e1 demonstrar no seu futuro. \u00c9 importante somente o fato: onde se encontra um homem abandonado que decide levantar suas m\u00e3os para Deus implorando b\u00ean\u00e7\u00e3o e ajuda, a\u00ed se realiza a verdadeira ora\u00e7\u00e3o. Tendo presente tudo isso, podemos formular algumas conclus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Primeiramente, diante do exemplo de Jesus, a ora\u00e7\u00e3o como rito \u00e9 passada a segundo plano. Somos certos que o fariseu observou com exatid\u00e3o todas as prescri\u00e7\u00f5es da tradi\u00e7\u00e3o sagrada de Israel; mas atrav\u00e9s de todas as suas palavras n\u00e3o chegou \u00e0 realidade de Deus, permanecendo em si mesmo, na sua vis\u00e3o do mundo, na sua justi\u00e7a deturpada. O publicano ao contr\u00e1rio \u00e9 um homem que n\u00e3o entende de pureza nem de f\u00f3rmulas rituais. A sua vida \u00e9 cheia de pecado e n\u00e3o pode apresentar a Deus nenhum m\u00e9rito e nenhuma vantagem. Por\u00e9m chegado ao fundo de si mesmo, deixa que Deus o ilumine e o transforme. Por isso quando \u00e9 dito que o publicano volta para sua casa justificado, significa que Deus o ama e que o publicano procurar\u00e1 traduzir na sua vida a exig\u00eancia do perd\u00e3o e do amor que Deus lhe transmitiu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar, no campo da experi\u00eancia crist\u00e3, a ora\u00e7\u00e3o consiste no abrir-se com Jesus ao Pai. Em Jesus e com Jesus, podemos descobrir que a nossa vida \u00e9 cheia do dom que Deus oferece. Rezar significa ter a seguran\u00e7a que no fundo de tudo, n\u00e3o se encontra um vazio que repete o eco de nossas vozes, mas o amor de um pai que se inclina \u00e0 nossa s\u00faplica e nos ama.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em terceiro lugar, o homem n\u00e3o tem necessidade da ora\u00e7\u00e3o como tem necessidade das coisas materiais, a saber o ar, a \u00e1gua, mas somente na ora\u00e7\u00e3o descobre a sua intimidade como pessoa que \u00e9 amada; descobre a sua realidade como pessoa que est\u00e1 baseada no mist\u00e9rio da morte e da P\u00e1scoa de Jesus e poder sentir-se perdoado. Usufruir o dom que nos \u00e9 oferecido; gozar do mesmo Deus como dom; viver este mist\u00e9rio e experiment\u00e1-lo alegremente cada dia: tal \u00e9 o sentido da verdadeira ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Isto \u00e9 o que o fariseu n\u00e3o soube descobrir, porque estava enclausurado no c\u00edrculo fechado da sua justi\u00e7a. Isto \u00e9 o que o publicano aprende no templo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o nos esque\u00e7amos que o evangelista Lucas afirmou: \u201cJesus disse esta par\u00e1bola para alguns que presumiam de ser justos e desprezavam os outros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desprezar os outros talvez n\u00e3o, mas presumir de ser justo \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil para algu\u00e9m que procura fazer do melhor modo. E pode acontecer tamb\u00e9m a algum crist\u00e3o que faz bem a sua parte e pensa que todos, a come\u00e7ar do Pai Eterno, devem ser informados, devem apreci\u00e1-lo e referi-lo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Se nos sentimos culpados diante de Deus, estamos na verdade, e encontramos a confortar-nos o perd\u00e3o de Deus e seu amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cardeal Geraldo Majella Agnelo No cap\u00edtulo 18 do seu Evangelho Lucas quis retomar a grande mensagem de Jesus sobre a ora\u00e7\u00e3o, e o fez na forma de gestos e de particulares, em cenas extraordinariamente vis\u00edveis.<\/p>\n","protected":false},"author":83,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":""},"categories":[758],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/users\/83"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/comments?post=12475"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/posts\/12475\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/media?parent=12475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/categories?post=12475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cnbb.org.br\/cnbb-app\/wp\/v2\/tags?post=12475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}